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26 de março de 2021

Eu Vi: Super Mario Bros

Poster... mas queria desver. Não há palavras no universo capazes de descrever com absoluta precisão o que significa atravessar uma hora e quarenta e quatro minutos da pior adaptação de um jogo eletrônico já feita na história desse planeta. Não importa o quão você esteja preparado, o que você tenha lido ou a mais baixa das expectativas. Super Mario Bros é um desastre em qualquer nível concebível.

Para me livrar logo desse tópico, a cenografia é quase aceitável, uma versão um pouco mais mambembe de um futuro distópico como Blade Runner, um ensaio proto-cyberpunk, uma mistura de estética de videoclipe dos anos 80 com o futurismo cibernético de filmes baratos de luta. Percebe-se que houve um esforço ali para se conceber algo que pelo menos pareça original, ainda que tosco.

Exceto, é claro, que isso não tem qualquer relação com Mario e Luigi ou qualquer franquia já produzida pela Nintendo. O conceito de "adaptação" se encerra nos primeiros dez segundos de filme, quando toca a música clássica do Mario e então começa a cena explicativa de abertura.

Descobrimos que o grande meteoro que extinguiu os dinossauros na verdade provocou uma fissura na realidade, gerando duas dimensões. Em uma delas, os dinossauros evoluíram em uma sociedade muito semelhante à nossa (embora suja e decadente) e com habitantes que são essencialmente humanos porque não havia verba para maquiar todo mundo com aparência reptiliana. A outra dimensão é a nossa mesma. Enfim, é uma salada que não faz jus ao legado de Miyamoto e não faz qualquer sentido.

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Mad Max?

A trama se desenrola como um filme antigo dos Trapalhões, porém não é engraçado, embora acredite ser. Os diálogos são infantis ou completamente artificiais, com personagens caricatos, situações absurdas demais que causam constrangimento. Em vários aspectos, Super Mario Bros tenta ser um filme focado nas crianças pequenas; Por outro lado, há elementos que desafiam a classificação indicativa de forma agressiva, como violência, mortes, monstros repulsivos e uma cena ambientada em uma boate com frequentadores que poderiam muito bem estar em um inferninho moderno e sexy, na qual o próprio Mario literalmente cai de boca entre os seios de uma mulher.

Depois de vinte e cinco minutos de filme, meu arquivo começou a apresentar problemas de sincronização de áudio. Falei com meu filho que eu poderia tentar consertar e nós continuaríamos outro dia, mas ele largou de mão. "Você vai ver sozinho, estou fora". Percebi que a falta de sincronia era crônica e, possivelmente, sem solução. Terminei de assistir assim mesmo, envolto em perplexidade.

Se formos falar em termos de adaptação, seus diretores fizeram o mínimo do mínimo: anotaram um punhado de nomes e palavras-chave em um bloco de notas e foram soltando no filme. Então, temos armas que disparam bolas de fogo, temos uma bomba Bob-omb, temos um dinossauro chamado de Yoshi, Goombas, Princesa Daisy, até o Toad, mas todos esses elementos diferem drasticamente do que se encontra nos jogos. Eu encontrei o Toad nos créditos e fiquei tentando lembrar quem era. Mario e Luigi encontram suas roupas icônicas por acaso e vestem sem qualquer motivo aparente, "para se infiltrarem" na torre de seu inimigo. Até mesmo a frase "It's me, Mario" é largada de uma forma tão casual que demorei para perceber que tinha sido uma referência.

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Porém, mesmo se ignorarmos que é uma adaptação, o filme não funciona. É uma sátira social? É um filme de ação sem ação? É uma comédia sem graça? É uma aventura infanto-juvenil?

Super Mario Bros ainda ousa terminar com um gancho constrangedor para uma continuação que jamais será feita. Esse é o filme que traumatizou a Nintendo. Por décadas, eles se recusaram terminantemente a vender os direitos de seus jogos para os cinemas. Um longa de animação de Mario está previsto para 2022 e, desta vez, o próprio Miyamoto vai acompanhar esse projeto em tempo integral. Não importa o que façam: não há como ser pior que o filme de 1993.

Ouvindo: Magnapop - Merry

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