Retina Desgastada
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11 de setembro de 2020

Jogando: Eternal Hope

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(publicado originalmente no Gamerview)

A felicidade pode vir em pequenas doses, seja um frasco de perfume de amostra grátis, um petit gâteau bem feito, uma canção de três minutos tocando de surpresa na rádio. Ou um jogo extremamente curto transbordando charme e desafio.

Eternal Hope é um desses paradigmas que solidifica o conceito de prazer de jogar. Desenvolvido pela curitibana Doublehit Games, ele nos apresenta uma jogabilidade e uma atmosfera que emulam títulos conhecidos, porém também traz qualidades próprias e um toque pessoal à fórmula que o tornam uma experiência única e encantadora.

Até que a Morte Nos Separe

O enredo de Eternal Hope é tão minimalista quanto sua arte. Aqui, controlamos Ti’bi, um rapaz solitário que encontra e perde o grande amor de sua vida nos minutos iniciais.

O jogo não tem receio de flertar ora com o poético ora com o grotesco, então temos a ternura inicial rapidamente cedendo para uma jornada em busca dos fragmentos da alma de sua amada.

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Para ajudar nessa procura, uma figura sinistra nos concede um poder idem: a habilidade de atravessar pelo reino dos espíritos.

Em termos de atmosfera, há muito de Limbo aqui: você cruza um mundo de luz e sombras repleto de armadilhas mortais e um simples equívoco pode levar a uma morte trágica. Entretanto, a Doublehit Games entrega um visual que vai além da paleta monocromática de sua principal referência. Em outras palavras, Eternal Hope consegue ser extremamente belo e mágico em diversas partes. E, por incrível que pareça, em outras partes ele consegue ser mais perturbador que Limbo, com criaturas que parecem saídas de um creepypasta cartunesco.

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A mecânica de alterar a realidade entrando no mundo dos mortos remete a Giana Sisters, Soul Reaver e outros títulos que já exploraram esse recurso. Novamente, os curitibanos não se limitam a copiar e colar padrões anteriores. É aqui que o horrendo brota diante dos olhos e se integra muito bem com os desafios do jogo.

You Died!

Ti’bi não sabe ainda, mas sua odisseia será acompanhada pela morte e o jogador deve estar preparado. A jogabilidade é divertida até você ser surpreendido por um perigo não percebido no cenário ou até você precisar rachar a cuca para decifrar como vencer uma determinada área. Tentativas falhas resultam em morte instantânea, já que não há barra de vida ou vidas extras. Falhou, morreu e muitas vezes você vai precisar passar por esse processo traumático para entender os enigmas.

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Eternal Hope não chega a ser hardcore nesse sentido, mas pode frustrar quem começou a aventura com a impressão equivocada de que seria um título de plataforma fofinho. As sucessivas mortes massacram essa expectativa e o peso da trama pode sufocar em outras partes, principalmente no final. Um agravante no quesito da dificuldade é o fato de que os controles não são tão responsivos quanto poderiam ser, principalmente para pular.

Você também demora para ter uma noção clara de qual altura é fatal e qual não é, então todo cuidado é pouco. O jogo introduz um para-quedas tardiamente e eu fiquei imaginando que falta ele estava fazendo em vários desafios antes.

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O último terço da jornada traz uma reviravolta, tanto em termos de narrativa quanto em termos de uma das funcionalidades que estava até então disponível. É o seu terço mais tenso mas felizmente, substitui a tradicional batalha contra um chefe por uma sucessão de puzzles que se articulam bem entre si.

Mas Já Vai? Fica Mais Um Pouco!

O maior defeito de Eternal Hope acaba sendo mesmo sua curta duração. Leva de três a quatro horas para completar. Talvez isso possa ser considerado uma outra forma de elogio, mas senti que diversas áreas poderiam ser melhor exploradas e estendidas. O próprio epílogo soa abrupto, embora não de todo inesperado.

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Alguns capítulos são curtíssimos e deixam um gostinho de quero mais. Como o momento em que Ti’bi tem acesso a um balão, quando o jogador prenuncia uma longa e impressionante viagem aérea, mas é brindado tão somente com uma cena animada e nada mais, para nunca mais vermos um balão no jogo. A impressão que se passa é que o desenvolvimento foi apressado por questões de orçamento ou tempo e ideias foram descartadas no caminho.

Tome-se por exemplo, a sequência em que fazemos amizade com uma tartaruga gigante. Essa parte é ilustrada com uma cutscene, quando há indicação de que teríamos uma jogabilidade de plataforma ali, que acabou sendo excluída do jogo.

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Fiquei me perguntando se a parte do balão (e outras) não teriam sofrido o mesmo destino. Não que a solução encontrada pela Doublehit Games para possíveis problemas em seu desenvolvimento não seja elegante. Ainda assim, gostaria de ter tido mais contato com esse ou aquele aspecto do jogo.

A grande verdade é que Eternal Hope nos entrega uma experiência divertida, que oscila entre o singelo e o tenso, acentuada por uma trilha sonora bastante imersiva. O resultado dessa combinação é um mundo fantástico no qual gostaria de ter passado mais tempo. Não foi dessa vez...mas quem sabe o que nos espera do outro lado?

Ouvindo: Cats Never Die - People From My Head
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Um comentário:

Shadow Geisel disse...

Esse aí vai ganhar o prêmio de "melhor jogo com o título mais fora de hora da história dos games." Tá difícil encontrar esperança fugaz, quem dirá eterna...

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