Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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31 de maio de 2020

Quarentena - Semana 11

protesto

"Não consigo respirar".

Na madrugada de ontem, assistimos ao vivo os protestos incendiando os Estados Unidos, como se a existência de uma pandemia nas ruas não fosse assustador o suficiente. O grito sufocado dos excluídos da nação mais rica do planeta ficou calado por cinco anos, desde o #BlackLivesMatter original, apenas para emergir no pior momento possível. Entretanto, o oprimido tem pressa e o caldo finalmente entornou. Para onde isso irá levar a sociedade americana? Para dias melhores? Para o recrudescimento das forças de controle? Para uma polarização mortífera que poderá culminar na ascensão de um regime ainda pior, como já aconteceu por aqui? Ou retornaremos para a apatia de nossas vidas cotidianas e sua violência velada?

Engane-se quem por ventura possa acreditar que aquilo que acontece no líder espiritual do Ocidente não possa ter reflexos em um país que consome sua cultura em doses cavalares, governado por um simpatizante de todas as suas políticas e onde uma parcela da população ostenta a bandeira nacional lado a lado com as estrelas e as listras.

Mais e mais, essa quarentena vai se transformando em um ato político além de saúde pública ou segurança de minha família. Que distopia é essa em que vivemos?

Esse é o parágrafo em que eu mudo de assunto abruptamente, por que, afinal, esse é um blog de jogos. Vem sendo assim desde a primeira semana, mas considere os parágrafos anteriores como algo muito mais relevante do que todo o resto que vem a seguir.

Meu filho está disposto a abandonar nossa vila em Minecraft. Acredito que o tédio da falta da escola está começando a cobrar seu preço até do menos engajado aluno e do "gamer" mais empedernido. Assistindo vastas quantidades de vídeos sobre o jogo na internet, ele anseia por experiências novas e, lamentavelmente, pegou uma mania de tentar me "trollar" dentro do universo. Isso nos levou a uma conversa talvez mais pesada do que deveria ser, sobre o compromisso com as metas que iniciamos e devemos cumprir e sobre como a diversão de um não pode ser o tormento de outro. Fiquei satisfeito que ele rebateu com argumentos inteligentes e removeu meus temores de que eu estivesse criando mais um mané que não respeita os outros ou que acredita que sandbox é sinônimo de bagunça (talvez seja, mas não ao meu lado).

De uma forma ou de outra, tivemos nossa "sessão de despedida" do mundinho, que ele me garantiu que não seria definitiva. Depois de investir tanto tempo nessa vila e sequer explorar os arredores adequadamente ou descobrir o conteúdo que os mods adicionam, eu espero mesmo que haja um retorno. Pode me chamar de sentimental, se quiser, mas acredito que cada iteração de Minecraft que fazemos é um lugar que merece ser revisitado e guardo todos salvos em backup.

A meta do guri é experimentar Minecraft 1.14, a versão mais recente do jogo, que adiciona muito mais conteúdo do que os mods oferecem, segundo ele. É uma afirmação que eu duvido que se sustente, mas topei a mudança, nem que seja para provar meu ponto. Ironicamente, a semana se passou e não jogamos ainda. Entre Overwatchs e Warframes, nossa semana em comum voou sem Minecraft.

Vimos A Coisa (The Thing), de 2011. Só assisti após muita insistência dele (que é, como eu, fã do filme de 1982). Continuo achando esse prelúdio completamente desnecessário e inferior em cada aspecto ao original. Os efeitos práticos de 82 são mais impressionantes e criativos que esse plástico limpinho de 2011. A direção era mais sombria também. Curioso que eles tenham feito uma imitação tão ruim de um filme sobre um monstro capaz de imitar.

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Também vi Uma Cilada Para Roger Rabbit com meu filho. Foi a primeira vez que revi, desde que estreou nos cinemas. Na época, eu nem curti muito. Desta vez, consegui apreciar melhor. É um filme confuso, entretanto. Tem muito conteúdo que só um adulto perceberia (como os elementos de pulp), além de piadas de duplo sentido. Por outro lado, tem desenhos! É um impressionante tributo a uma era da animação. É uma obra impossível de ser feita hoje. Um comitê teria barrado a viabilidade comercial da história. E juntar IPs da Disney, da Warner e outras no mesmo filme? Um inferno jurídico.

Era óbvio que ter cinco jogos para analisar simultaneamente pelo Gamerview não tinha como dar certo, dado o número limitado de horas que o dia oferece. Poly Bridge 2 já está com análise completa no site, porém ainda restavam Them's Fightin' Herds, Boreal Tales e Eternal Edge. No último minuto, a Microsoft finalmente liberou o aguardado Minecraft Dungeons.

Tomei a amarga decisão de largar Them's Fightin' Herds. De um lado, o volume grande de jogos para analisar. Do outro lado, minha incapacidade de me adaptar a jogos de luta. Acreditei que o título de visual cartunesco, inspirado em My Little Pony, talvez oferecesse um desafio mais brando. Ledo engano: travei no tutorial. Com esforço e tempo, talvez fosse possível superar essa barreira, mas eram dois elementos de que não dispunha. Passei a análise do título para um companheiro de equipe do Gamerview e tenho certeza de que o jogo está agora em mãos muito mais competentes. Infelizmente, é claro que assessoria não ofereceria uma segunda chave para nós, então eu tomei a iniciativa de comprar o jogo. Meu erro, meu prejuízo.

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O alento é que Minecraft Dungeons é delicioso. Espero entregar sua análise ainda na segunda-feira, uma vez que foquei nele.

Com tantos jogos na Área de Trabalho, Legendary não foi sequer aberto durante essa semana. Sua conclusão ainda vai ter que aguardar mais um pouco. O mesmo pode ser dito de Overwatch, que não joguei sozinho em momento algum, limitando minhas sessões a partidas com meu filho e um final de tarde com ele e @jaotavio, que vem se revelando um parça pra qualquer jogo.

Era óbvio também que, mesmo com tantos títulos, Warframe não seria deixado de lado, principalmente com dois novos warframes para testar. Vauban e Mirage se mostraram boas aquisições...

O novo normal vai se construindo como uma reprise ainda mais sufocante do velho normal. Há, porém, um fio de esperança de que a Justiça ainda pode ser feita e a sociedade pode mudar para melhor. Onde houver opressão, haverá aqueles cujas vozes e ações se erguem para contrapor.

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