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15 de outubro de 2019

(não) Jogando: Blur

Blur

Em fevereiro de 2011, a produtora Activision fechou as portas do estúdio Bizarre Creations, uma desenvolvedora que estava na ativa desde 1996 produzindo jogos de corrida. Blur é sua oitava criação no gênero e seu canto do cisne.

O título borra a linha divisória entre jogos de corrida de rua, com customização de veículos, clima de ilegalidade, carros modernos e turbinados, e os jogos de kart cômicos, com power-ups absurdos, sabotagem do oponente e nenhum compromisso com a física. Infelizmente, ao misturar os dois estilos, Blur não realiza com competência nenhum deles.

A customização não vai além de escolher a cor de vários carros que você desbloqueia e adicionar modificações de poder de baixo impacto. O clima de ilegalidade não vai além do visual, ainda que a presença de fãs que precisam ser agradados na competição adicione uma camada extra de dificuldade. Atender o que o público pede e ainda sobreviver/vencer a corrida não é exatamente fácil ou divertido. Os carros modernos até contam com marcas famosas, mas não espere a ostentação de um Need for Speed.

Os power-ups não combinam com o realismo do cenário e dos veículos (que, mais uma vez, não apresentam mecânicas de destruição satisfatórias) nem tampouco inovam no gênero. Existem itens de destruição, item que você lança para atrasar quem está nas primeiras posição, item de reparo, item que empurra quem está do lado, mina que você larga no caminho. Indecisos entre abraçar de vez o absurdo ou manter a verossimilhança, a Bizarre Creations não ousou em nada.

O mais irritante acaba sendo o sistema de drift, que não funciona como você esperaria em um arcade, não funciona como você esperaria em um jogo de corrida clandestina e não funciona como você esperaria em um jogo de kart. Em outras palavras, não funciona. É mais simples reduzir na curva e rezar pelo melhor, mesmo com veículos supostamente bons de drift. A melhor classificação para os carros seriam: normal, Capeta no volante e tanque de guerra.

Apesar de Blur não se destacar em nada do que pretende conseguir, ainda assim é um título que pode entreter e fascinar, se você conseguir encontrá-lo para vender. O jogo foi removido do Steam, em mais uma das demonstrações de desprezo pelo próprio catálogo que a Activision constantemente demonstra. Certamente, a produtora não viu interesse em renovar o direito de uso das marcas ou das músicas e preferiu suspender as vendas.

Visualmente, Blur ainda é um espetáculo. É uma pena que eu tirei uma única foto do jogo, mas o título foi um prato cheio para fotógrafos digitais em seu lançamento:

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O golpe final de Blur foi a percepção de que se trata de um jogo repetitivo. As provas são todas muito parecidas em um número limitado de pistas, com praticamente nenhuma mecânica nova adicionada no caminho. Isso não costuma ser exatamente um problema em bons jogos de corrida (e as 111 provas de Need For Speed Underground são minha lembrança mais querida) mas, em títulos medianos, o tempo e a mesmice pisam fundo no acelerador.

Um bug em minha última corrida, quando o som desapareceu por completo quando tentei pela milésima vez fazer um drift em uma curva e, talvez, tenha apertado botões demais, foi o encerramento da minha carreira. Aquele foi o ponto culminante para eu perceber que estava insistindo apenas em nome de uma série no YouTube com poucas visualizações. O vídeo final ainda será publicado, mas desligo os motores por aqui.

Ouvindo: Kostin Michail - Shadow of the Past
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