Retina Desgastada
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29 de janeiro de 2019

(não) Jogando: Human Resource Machine

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Human Resource Machine é um jogo magnífico para quem entende de programação.

Human Resource Machine é um jogo tenebroso para quem entende de programação.

Contrariando a lógica da programação, as duas afirmações são simultaneamente verdadeiras e servem de recomendação para quem ousar explorar o fascinante (mas cansativo) universo das linguagens de computador. Há algo de arcano, uma sensação de poder em escrever palavras na tela e obter resultados que automatizam tarefas que seriam insuportáveis de serem realizadas manualmente e isso é o lado bom dessa profissão, assim como desse jogo. Mas também é algo que exige um intenso esforço de abstração, concentração e a habilidade de manter alocado no cérebro uma grande sequência de ações que precisam ser realizadas.

Aprenda a programar. Não seja programador.

Em Human Resource Machine você é apresentado a uma linguagem de programação visual que funciona arrastando e soltando comandos em uma espécie de linha de produção, que servirão para você separar "mensagens" que chegam e levá-las da forma como foi solicitado para a caixa de saída. Tudo isso temperado com uma historinha fofa, personagens fofos, trilha sonora fofa e aquele clima de escritório fofo.

Entretanto, assim como Beholder 2 tropeça ao se tornar um simulador de burocracia tedioso, Human Resource Machine peca ao se tornar um quebra-cabeça que guarda ligações muito próximas com o que muita gente chama de "trabalho".

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Mas é tudo tão simples no começo!

Entenda que eu não sou um programador por profissão. Na minha carteira de trabalho aparecem webdesigner e jornalista. Mas eu era aquele cara com quem a turma da programação não precisava se preocupar: eu poderia mexer no código-fonte, alterar o layout, recriar funções ou resultados, sem quebrar nada ao sair. Eu sabia o suficiente de programação para ser um profissional valioso para as empresas e mais do que suficiente para programar meus próprios sites sem precisar contratar outro sujeito.

Nesse caminho quase autodidata passei por muitos desafios e passo até hoje. São horas pesquisando soluções, debugando problemas, montando funções, executando, vendo que deu erro, revisando, repete.

E é exatamente isso que Human Resource Machine recria com uma interface supostamente mais lúdica. Mas, por trás de toda a fofura, a dor de cabeça está lá, o stress, a necessidade de levar meu cérebro até o limite da lógica e triunfar... para o próximo nível. A ferramenta de debug do jogo é maravilhosa, permitindo repetir passo a passo a função que você criou e é algo que realmente ameniza a frustração.

Ainda assim, a principal diferença aqui é que no jogo não estão me pagando nada e se a ideia era me fazer relaxar, bem, não está funcionando de maneira alguma.

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Mas o caldo entorna depois

Se você é um mercenário ou comando especial e acha estressante ter que ficar jogando Call of Duty nas horas vagas, agora eu te entendendo. Dos quase 40 níveis disponíveis em Human Resource Machine, completei 20. Mas já vi para onde a história está indo, estou de olho nessa curva de dificuldade e não sinto vontade de completar.

Ouvindo: Fields Of The Nephilim - Straight To The Light
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