Retina Desgastada
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28 de janeiro de 2019

Existe Uma Luz Que Nunca Se Apaga

darq

Em 2015, Wlad Marhulets era um compositor de cinema com uma carreira firme que resolveu iniciar um hobby: programar jogos. Durante um mês de férias, ele baixou o motor gráfico Unity, leu alguns tutoriais, criou uma cena no primeiro dia e salvou com o nome de DARQ, por que achava o título bacana. Terminadas as férias, ele tinha algo que poderia ser chamado de protótipo.

O tal "protótipo" ainda era muito básico e tinha somente três minutos de jogabilidade. Um amigo sugeriu que ele subisse o projeto para o Steam Greenlight para testar a reação do público. Naquela época, para um jogo entrar no Steam, era preciso estar entre os 100 jogos mais populares da plataforma Greenlight, uma meta que não era fácil de ser atingida sem uma boa divulgação ou sem um bom produto. DARQ apareceu no Top 10, na frente de muitos títulos de estúdios maiores, com mais verba ou com mais talento. Mas o sinal era claríssimo para o criador iniciante: o público tinha gostado do que tinha visto.

O próprio Marhulets conta essa história e admite: "eu realmente não sabia quase nada sobre fazer jogos naquele momento". Ainda assim, ele sentiu ali que precisava tomar uma decisão. Não haveria como ele terminar DARQ ao mesmo tempo em que mantinha um emprego convencional na indústria cinematográfica. Então, ele resolveu largar tudo e mergulhar de cabeça nesse sonho.

Sabendo que nada sabia, o desenvolvedor tirou um ano e meio para aprender. Modelagem, texturização, animação, renderização, iluminação, programação... tudo teve que ser aprendido praticamente do zero. O projeto precisou ser reiniciado três vezes porque ele entendia que o caminho anterior não iria dar em nada.

DARQ só deixou de ser um protótipo maroto largado no Greenlight para se aproximar de um jogo de verdade entre 2017 e 2018. A esta altura do desenvolvimento, seu criador estava dedicando 16 horas por dia, todos os dias, a trabalhar no jogo. Contas precisavam ser pagas, então, além das suas economias, Marhulets pegava frilas ocasionais para ajudar no orçamento. O resto do tempo, sempre que possível, ia para DARQ.

O trabalho duro compensou. Enquanto o jogo ganhava forma, ele também ganhava visibilidade. Da visibilidade, vieram as parcerias. O projeto era tão interessante que Bjorn Jacobson, designer de som de Cyberpunk 2077, se ofereceu para trabalhar nele. À equipe também se juntou Adam Schmidt, o engenheiro de som favorito de Christopher Nolan, com filmes como Inception e a franquia Batman no seu currículo. Uma vez que Marhulets vinha da produção de som, estava mais do que claro que o elemento teria um peso forte em DARQ.

O primeiro passo para a consagração veio com o prêmio BEST OF THE MIX, conquistado durante a PAX 2018. DARQ está cada vez mais próximo de sair da escuridão e brilhar como merece, com lançamento previsto para esse semestre no Steam.

Ouvindo: The Cure - A Forest (Tree Mix)
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