Retina Desgastada
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28 de setembro de 2018

Jogando: Breathedge

(publicado originalmente no Gamerview)

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Jogos de sobrevivência nos dias de hoje dá para comprar seis por um real na feira, consumir em um final de semana e ainda ficar com a sensação de vazio. Para se destacar em um cenário de fortíssima competitividade, um desenvolvedor precisa de mecânicas sólidas ou um cenário inédito.

Entretanto, uma galinha imortal e piadas de mictório também funcionam.

Breathedge entrega exatamente isso: mecânicas que funcionam a contento e desafiam, um cenário inédito de tirar o fôlego, e a tal galinha imortal que você usa para interromper circuitos elétricos (entre outras mil e uma utilidades) e não perde a oportunidade para fazer piadas com vasos sanitários, bichos de estimação, a indústria do consumo, avatares insinuantes em chats, a Máfia dos caixões e flatulências. Tudo isso em cerca de 4 horas de jogabilidade, que são curtas mas vão deixar você de queixo caído esperando uma continuação.

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A desenvolvedora russa RedRuins Softworks parece ter saído de lugar nenhum, mas de cara já entrega, mesmo em Acesso Antecipado, um título divertido que combina dois universos tão distintos: o mundo-cão dos jogos de sobrevivência, onde se preocupar com a água, a comida, a fadiga e os elementos são essenciais para se manter vivo, e a mais pura zoação descompromissada. E, contrariando todas as expectativas, nenhum conceito fica no caminho do outro.

No modo história, o único liberado até agora, você é o Homem, um cosmonauta russo involuntário que estava em uma viagem espacial para levar o caixão do seu finado avô para repousar entre as estrelas. Nesse futuro sem sentido, isso é uma atividade perfeitamente comum e gerenciada por uma aparentemente bem-sucedida corporação. Mas uma catástrofe acontece e a espaçonave é reduzida a escombros no meio de lugar nenhum no vazio do espaço sideral e você é, ao que tudo indica, o único sobrevivente. Sua única esperança é ativar o sistema de telecomunicações, chamar um resgate e esperar pelo melhor.

E é claro que o melhor não vai acontecer, ou não seria um título cômico. Sua principal preocupação é o oxigênio, mas alimentação, água e respostas também estão na sua lista de prioridades. Felizmente, você não está tão sozinho assim: uma inteligência artificial sarcástica, mas simpática, está equipada e ativa no seu traje espacial, cortesia da mesma empresa de funerais cósmicos que te trouxe até aqui, seja lá onde esse "aqui" for. No corrente momento, “aqui” é um pedaço de fuselagem intacto em um mar de destroços, o vácuo e uma bela paisagem no horizonte. Como o filho bastardo de Subnautica e Gravidade (o filme, aquele que levou sete Oscars pra casa), você pode ir em qualquer direção e explorar tudo que poder. Pelo menos até o oxigênio acabar. Aí, nesse caso, é melhor retornar para a segurança. Sabe como é.

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A liberdade de Breathedge vai até onde a sua engenhosidade de jogador permitir. Depois de algumas missões introdutórias, que explicam como funciona a coleta de recursos, a fabricação de itens e o seu banheiro, o jogo coloca um destino bem distante para você e praticamente pede para você se virar. A partir daí, ele brilha com ainda mais intensidade, com cada conquista sendo suada e merecida, na medida que você se adapta a essa situação, aprende a se movimentar em um ambiente com zero atrito, fabrica elementos e vai se familiarizando com os arredores. A grande vantagem aqui em relação a muitos títulos de sobrevivência é que o mapa foi feito à mão e não deixado ao acaso de algoritmos e o pessoal da RedRuins caprichou em situações e encontros, no mínimo, bizarros. Tente evitar o consumo excessivo de shawarma, se possível.

Os gráficos são de tirar o fôlego, se me permite o trocadilho. Breathedge estimula a exploração não-linear e desafia você a testar os limites do seu pulmão ou criatividade. O preço disso talvez seja uma base insossa, cujos segredos valem a pena conhecer, mas se esgotam em questão de minutos. No futuro, a desenvolvedora prometeu um sistema de aperfeiçoamento da base, com construção de objetos decorativos e funcionais, o que também significa que seu personagem está mesmo frito e não deve retornar à civilização tão cedo. Mas é um destino aceitável, se isso significa uma televisão gigante, um console e um abajur estiloso. Quem não quer um abajur estiloso?

A RedRuins Softworks jura que o título terá cinco capítulos, com o segundo sendo lançado até o final desse ano. Não me espantaria se eles sumissem com o dinheiro de todo mundo e torrassem a grana com um voo na SpaceX: seria um desfecho digno de Breathedge e seu senso de humor. E nem mesmo ficaria irritado, uma vez que o pouco de jogo que já existe é muito mais divertido do que aquela dúzia de jogos de sobrevivência a um real lá do início do texto.

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