Interessante como as menores coisas tomam proporções colossais.
Sigo o Indie Gala no Twitter, um site que começou com pacotes indies, passou a vender títulos comerciais e agora está investindo na produção de jogos (a exemplo do GMG e o mal fadado Lifeless). Notei que eles estavam anunciando promoções de jogos da Disney, mas todos os links me levavam para a página principal. Uma busca pelos nomes dos jogos não retornava nada na loja. Nem mesmo uma busca por "Disney". Como quem não quer nada, reclamei com eles pelo Twitter.
E fui brindado com uma pérola de gentileza do responsável pelas mídias sociais:
"Esse jogo é bloqueado por região. Talvez seja por isso que você infelizmente não o está vendo. Saudações!"
"O.O
Bem, obrigado pela resposta!
Eu sou brasileiro. Esse deve ser o motivo, provavelmente."
"Ah -- você já é de um lugar tão bonito! Você não pode ter tudo
:p"
":D"
A postagem poderia terminar por aqui, mas o mesmo sujeito me procurou alguns minutos depois para falar sobre Voodoo, o jogo em desenvolvimento que a Indie Gala está promovendo com unhas e dentes e que está lutando para alcançar sua meta no Kickstarter. Ele ou ela havia visto meu blog e descoberto que, bem, falo sobre jogos. Então me cedeu três chaves de acesso para a versão pre-alpha do jogo, reservada para backers e imprensa.
O que me levou a correr pelado pelas savanas africanas.
Colossal
Por "pre-alpha", deve-se entender que o jogo ainda está muito inacabado. E sujeito a bugs, como travadas e queda de servidor. Mas, no exato instante em que você avista o Izimu no horizonte, você esquece imediatamente tudo isso. Sua primeira reação é fugir do gigante, para bem longe. Sua segunda reação é pensar em como irá conseguir derrubá-lo.
Voodoo não esconde que busca inspiração no clássico Shadow of the Colossus, com criaturas de dimensões épicas. O Izimu, um titã africano do tamanho de um prédio, impõe respeito. A música que toca no instante em que você entra no raio de ação do gigante te motiva para a batalha. Para derrubá-lo, você precisa seguir uma série de passos que são mais fáceis de entender do que realmente executar. A adrenalina sobe. Um erro de cálculo e ele irá esmagá-lo com um pisão ou com uma rocha arremessada.
Mas Voodoo não se contenta em ficar à sombra do passado. O jogo possui um estilo único, perceptível mesmo nessa versão preliminar. Ao focar nas tradições africanas, o projeto da desenvolvedora italiana Brain in the Box consegue atingir um visual ímpar, tanto nos cenários, quanto na caracterização do colosso e de seu personagem, um guerreiro tribal que vaga sem roupas, mas possui uma máscara e tatuagens únicas que o distinguem dos outros jogadores.
Em termos mecânicos, o jogo não irá se deter apenas nas batalhas contra os Izimus. Haverá um sistema de fabricação de itens, armas e construção de base, características herdadas do gênero survival multiplayer. Jogadores poderão cooperar entre si, formando tribos, até porque é impossível para um único indivíduo derrubar um dos gigantes. Mas também poderão perseguir e matar outros jogadores, formar clãs, evoluir tecnologias, declarar guerra e tudo mais. Essa parte ainda não está presente no pre-alpha, que busca foco mesmo no embate com Atlas, o único colosso que encontrei no vasto mapa.
A campanha do jogo no Kickstarter é para completar a investida final no desenvolvimento. Dos 30 mil euros necessários para a meta, menos de 6 mil foram arrecadados em cerca de 10 dias. Ainda faltam 28 dias de campanha e torço para o sucesso de Voodoo.
Os dois primeiros leitores que deixarem um e-mail, usuário de Steam ou Twitter para eu fazer contato irão receber as outras duas chaves para o pre-alpha do jogo no Steam. Não sei se isso garante acesso à versão final de Voodoo um dia, mas, pelo menos você poderá vagar pelado pelo mato e batalhar um gigante sem que ninguém chame a polícia.
E já foram distribuídas as chaves!
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