Retina Desgastada
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13 de abril de 2016

Jogando: Outcast (O Retorno)

Há quase exatos dois anos, em Abril de 2014, eu desistia de Outcast. Nunca me passou pela cabeça que eu não só retornaria ao jogo como ainda experimentaria o triunfo.

Outcast - Início

Outcast é um jogo que odeia você. Do fundo de sua alma alienígena. Mesmo com a atualização 1.1, supostamente a versão definitiva de Outcast para computadores com tela widescreen, sistema operacional moderno e outras novidades do Século XXI, é nítido que estamos diante de uma relíquia do passado que teima em não funcionar.

Ora os efeitos sonoros desaparecem por completo.

Ora NPCs travam em suas animações, como se estivessem acometidos de espasmos incontroláveis.

Ora o jogo esquece as configurações de teclado que você ajustou com tanto cuidado.

Mas, pelo menos, dessa vez, ele não trava, o grande pecado de dois anos atrás que me fez rejeitar o jogo. Ainda assim, decisões de design tomadas lá atrás em 1999 vão atormentar esse clássico por gerações: o jogo te conta quase nada sobre determinados elementos vitais para a sobrevivência, o cenário carece de pontos geográficos mais marcantes e você gasta um tempo precioso procurando NPCs que são muito parecidos entre si em um mar de NPCs todos iguais.

Frustração e cansaço são seus maiores inimigos. Se você se acostumou com as mordomias que RPGs dos últimos anos trouxeram, prepare-se para ter que lutar contra Outcast, ir e voltar diversas vezes nos mesmos lugares, memorizar termos e nomes completamente alienígenas despejados aos borbotões enquanto tenta não perder o foco do todo (a Terra vai ser destruída, como foi exibido na sofrível sequência de CGI de abertura).

Outcast - Montado

Após cinco horas de jogo, aprendi que se eu apertar repetidas vezes o botão de tiro, a pistola com que eu começo a aventura pode disparar vários projéteis em sequência. E isso mudou tudo em minha relação com Outcast. Um simples detalhe que deveria ser óbvio e eu consegui prosseguir mais na trama nas duas horas seguintes do que nos últimos dois anos (e deixando uma pilha de corpos).

A pergunta que me faço a cada sessão é: "por quê?". Porque debaixo de uma pilha de anacronismos e decisões equivocadas, Outcast apresenta uma outra dimensão que convida à exploração. O lugar é plausível e mesmo a estranheza que ele (e seus comandos) evoca pode ser atribuída a essa sensação de deslocamento. Cutter, ou Ulukai, como os nativos o chamam, não pertence a esse lugar. Como um John Carter dos jogos eletrônicos, ele precisa se adaptar aos costumes e armadilhas desse mundo para encontrar as respostas que procura.

Outcast - No Topo do Templo

No caminho, vou encontrando personagens mal-renderizados com mais personalidade que seus contrapontos de milhões de polígonos atuais. Conversando com os habitantes dessa estranha dimensão, vou descobrindo seus dramas e suas necessidades. Há espaço até para o humor, com situações hilárias que brotam do abismo cultural e do cinismo crônico do protagonista.

Outcast promete. Na mesma medida em que ele me odeia, ele seduz. Há mistérios aqui e eu sinto que, tão logo consiga decifrar todos eles, tanto os do enredo quanto os dos controles, este se tornará um jogo memorável.

Ouvindo: Virgin Black - Walk Without Limbs
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Um comentário:

Marcos disse...

me lembro que quando conheci esse jogo, julguei logo pela capa. Na me agradava, o cara do protagonista parecia de um herói de filme B. Mas pelo que me contam, da ambientação e aventura, é completamente diferente do que pensei, se não um jogo que seja no meu estilo.

preciso joga-lo o quanto antes

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