Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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27 de fevereiro de 2016

O Horror Tem Muitas Máscaras

Jogos de horror nem sempre são fáceis de identificar. Alguns se disfarçam como títulos aparentemente inofensivos que te prendem e te arrastam para a escuridão quando você menos imagina. Outros se transformam, se reinventam para uma nova audiência, mas continuam a mesma jornada perturbadora de antes.

Outros falam sobre monstros que habitam o mundo real e muitas vezes não percebemos.

Ou lendas do passado que assombram os porões do inconsciente.

E alguns tentam descontruir uma visão distorcida de pesadelos terríveis enquanto engendram novos temores.

"Aqueles Que Esquecem o Passado Estão Condenados a Repeti-Lo"

Em 18 de Novembro de 1978, 909 pessoas cometeram suicídio coletivo no interior da Guiana usando veneno. Homens, mulheres e crianças de todas as idades. Era o fim trágico de Jonestown, um dos mais assustadores capítulos do fanatismo religioso dos últimos cem anos.

É o último tema que você imaginaria ser abordado por um jogo eletrônico, mas a Paranoid Productions teve a coragem e a visão histórica de colocar o dedo na ferida e abordar como funciona um culto por dentro e seus mecanismos de lavagem cerebral e a lenta mas decisiva descida para a insanidade.

TheChurchInTheDarkness-Whipping

The Church in The Darkness coloca o jogador no papel de um ex-policial que se infiltra na Collective Justice Mission, no interior da América do Sul, para resgatar seu sobrinho Alex da influência dos carismáticos pastores Isaac e Rebecca Walker. Cabe ao jogador decidir que caminho seguir: ser furtivo e cauteloso e se integrar à sociedade aparentemente utópica construída na selva, desacordar ou eliminar qualquer um que possa entregar seu disfarce? As consequências dessas decisões serão vitais para o desenrolar da trama.

Para o papel dos líderes do culto, os desenvolvedores contrataram os impecáveis talentos de dublagem do casal Ellen McLain e John Patrick Lowrie, respectivamente GLaDOS e o Sniper, de Team Fortress 2, queridos da casa.

Ratos no Labirinto

O medo do labirinto está entranhado na cultura humana desde tempos imemoriais. Estar perdido, sem saber para onde ir, sem ter a certeza de estar avançando ou apenas se aprofundando ainda mais longe da saída, a claustrofobia, tudo isso dispara um pânico incontrolável. Saber que algo mais está nesse mesmo labirinto apenas piora a situação. Saber que esse algo mais está caçando você eleva o horror ao cubo.

Medusa's Labyrinth

Pensando em todos esses conceitos, a Guru Games, responsável pelo elogiado Magnetic: Cage Closed, buscou inspiração na mitologia grega para gerar Medusa's Labyrinth, gratuito e já disponível no Steam.

Sem uma interface que mostre suas estatísticas e apenas a escuridão do labirinto e seus terrores como companhia, o jogador precisa encontrar a saída antes que algo o encontre. Passando por sinistras catacombas, corredores sujos e gigantescas galerias, o perigo pode estar na próxima esquina, assim como a salvação.

À Beira da Loucura

A doença mental sempre foi utilizada no horror como um monstro fácil. Psicopatas em sintonia com forças que o Homem não conhece, seres humanos comuns transformados em máquinas de matar sem motivo aparente, bestas transformadas pelo freneis da loucura. Tudo isso já foi feito à exaustão.

O medo de se perder dentro de si mesmo, o maior de todos os labirintos, é algo que faz parte da vida de todos. Abandonar a razão, perder o controle de seus atos e se transformar em algo que sofre e causa sofrimento. É real e assustador. Mais assustador porque real.

The Town of Light revisita esse cenário com uma proposta original. Baseado em fatos reais, o jogo nos traz a vida de uma jovem de 16 anos, trancada em uma instituição para doentes mentais por não se adequar às normas sociais.

The Town of Light

Seus desenvolvedores se deram ao trabalho de recriar o Asilo Volterra, na Itália, em cada um de seus 4 mil metros quadrados. Fechado em 1978, por puro acaso no mesmo ano em que Jonestown sucumbia, o lugar renasce no mundo virtual para se tornar o cativeiro do jogador e relembrar uma época em que o temor da doença mental e suas mal-fadadas tentativas de cura provocavam horrores ainda maiores do que a própria loucura.

Diary Of Dreams - Chrysalis
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5 comentários:

Shadow Geisel disse...

O labirinto da Medusa parece promissor, mas carece de um acabamento técnico melhor. Até quando veremos FPGs (first person games) em que o protagonista interage com objetos por meio de telecinese? Acho que fiquei mal-acostumado com as animações espetaculares de maquinário de Alien Isolation, mas acho que já passou na hora disso virar padrão.

Gledson A. disse...

Ótimas recomendações, Aquino. Estarei de olho em The Town of Light e The Church in The Darkness, veremos como será a experiência com eles.

Quanto ao Medusa's Labyrinth, eu tentei jogar, mas por alguns detalhes técnicos (e por falta de tempo principalmente) eu decidi deixar de lado. Porém é um jogo interessante e vale a pena ser testado por alguém que goste do gênero, principalmente pelo preço. :P

Pablo Henricky disse...

Medusa's, seria um novo Amnésia?
Fiquei empolgado.

Alexandre disse...

Otimas dicas de jogos, é bastante gratificante ver que as pequenas produtoras buscam abordar temas diversos, sempre procurando a inovação e contar historias novas.

ps: Mandei uma key de um pacote de jogos para vc no email, não sei se recebeu, qualquer coisa fica o aviso por aqui, abraço.

C. Aquino disse...

Alexandre, não recebi nada não! :(
Confere lá se foi para retina@meupapeldeparedegratis.com.br.

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