Retina Desgastada
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4 de maio de 2012

Jogando: Legend of Grimrock

legend-of-grimrock-imprisonment

Acreditei que poderia escrever uma única vez sobre Legend of Grimrock, ao terminar o jogo. Subestimei o poder do jogo e dias depois ainda estava no começo da jornada, cada nível conquistado uma vitória suada digna de ser comemorada. A cada nível mais baixo na descida também vinha a certeza de que do próximo não passaria. Senti que estava na hora de falar deste clássico instantâneo. Mas sempre ponderava minhas opções: escrever sobre a montanha ou retornar para a montanha. Retornar para suas catacumbas escuras e guiar meu determinado grupo de fugitivos sempre vinha na frente. Estou agora na metade do RPG e não dá mais para adiar esta postagem...

Legend of Grimrock toma para si a difícil tarefa de conciliar o passado e o presente. De um lado a jogabilidade passo a passo de um Eye of the Beholder, de um Dungeon Master, onde sua movimentação acontece aos solavancos por um espaço limitado. Difícil de descrever. Se você ainda não viu o trailer oficial, eu recomendo. Do outro lado, gráficos de ponta dignos de jogos caríssimos e uma atmosfera imersiva que te prende como um quinto prisioneiro da montanha maldita. Teria sido fácil para a Almost Human, uma pequena guilda de quatro desenvolvedores finlandeses, ter pego o caminho mais fácil da direção de arte pixelada e embalar tudo com o selo de retrô. Felizmente, eles preferiram atualizar a embalagem e preservar somente a mecânica de vinte anos atrás.

O jogo vai direto ao ponto. A cena de abertura é curta o suficiente para estabelecer a premissa: Grimrock é uma montanha repleta de mistérios e criaturas que foi escavada, transformada em presídio e onde seus quatro personagens são jogados por um buraco no topo para apodrecer ou morrer. Se conseguirem alcançar a base da montanha, descendo todos os treze níveis de armadilhas e monstros, conquistarão a liberdade e o fim da aventura. O tutorial é um dos mais curtos que já vi nos últimos anos e, de fato, não há muito para se aprender de suas engrenagens. O complicado mesmo é sobreviver ao desafio.

Grimrock - Heróis Com delicioso saudosismo criei meus quatro prisioneiros: Karkaz, um guerreiro humano; Nacnar, um mago humano; Murky, um guerreiro minotauro; e Skales, um assassino reptiliano. Qualquer semelhança com um RPG convencional termina por aí. Não há interação entre os personagens (exceto aquela que acontece em minha cabeça, mas eu gosto de fazer isso). Não há diálogos, NPCs e nem mesmo a tradicional loja de compra e venda de itens: se um artefato não serve mais pra você, jogue fora. Não há escolhas que afetam o seu destino ou do universo (pelo menos, não ainda). Legend of Grimrock é um jogo tático, onde cada combate é uma questão de vida ou morte, onde é preciso ser rápido para decidir qual é a melhor abordagem, onde a posição dos seus personagens é tão importante quanto a direção de onde vem o inimigo. Tampouco se trata de um festival de cliques! Para minha satisfação, a Almost Human soube capturar o equilíbrio exato entre lutas e corredores mal-iluminados, entre a incerteza a cada esquina e a fuga desesperada em busca de um bom lugar para travar uma resistência.

Fossem os habitantes de Grimrock o único obstáculo entre os prisioneiros e a liberdade, este seria um título menos interessante. Amantes de quebra-cabeças vão atingir o clímax nesses níveis, com diferentes combinações para liberar uma saída e armadilhas de fundir a cabeça. Completando o prazer da exploração, temos segredos bem escondidos que revelam novas armas e itens que irão suavizar a aspereza das batalhas. Descobrir cada segredo existente é quase impossível.

Cercado de corredores de pedra sujos e ouvindo os gemidos e sussurros que parecem brotar de lugar algum, esqueço das horas e de minha sala. Enquanto desço cada vez mais fundo em direção a horrores ainda não vistos, sonhos revelam que há algo mais aprisionado em Grimrock, uma trama que rasteja com lentidão ao meu encontro.

Tenho minhas dúvidas se vou realmente querer ir embora.

Ouvindo: Therion - Chain of Minerva
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13 comentários:

estacado disse...

eu vi um vídeo no steam, gostei da simplicidade do jogo.

mas quando você diz "não há dialogos" é uma verdade? ou só estava dando enfase na frase? hehe

uma pena de diablo 3 vai ser lançado logo e já não tenho aquele tempão pra jogar várias coisas.

mas gostei, ta na minha lista.

Carlos Aquino disse...

Não tem diálogos MESMO. O que, aliás, só acentua a solidão dos quatro prisioneiros, isolados em um calabouço que quer matá-los. Nem mesmo as tradicionais ameaças dos inimigos existem: eles atacam sem emitir uma palavra...

Marcos A. S. Almeida disse...

Saindo totalmente do post e entrando no seu Twitter (no bom sentido, claro), o jogo Orion têm ao menos um atrativo de imediato:o preço.E ele se encaixa bem no que tenho procurado ultimamente , que são jogos multiplayer-com-preço-em-conta.Olhando o trailer também empolga, pois é cooperativo com até 5 parceiros.É uma fórmula que vêm dando certo na maioria das vêzes. Outro ponto positivo é que se olharmos nas estatísticas do Steam ele têm neste momento 1.077 pessoas jogando, o que pode garantir que acharemos companheiros para partidas (mesmo que sejam americanos e nosso ping fique um pouco alto). O que eu achei de negativo foi o fato de ser "mundo aberto" fato que acho eu, gerou a implementação de jet-packs , pois imagine ficar caminhando num mundo tão grande... Acho inclusive que esse pode ser o calcanhar-de-aquiles do jogo. Mas a bem da verdade , se tirar esses elemento talvez ele seja apenas mais um cooperativo entre outros.Enfim , acho melhor esperar um pouco pra ver as impressões antes de comprar (e se vai continuar com 1.000 pessoas jogando,hehehe).

C. Aquino disse...

Pelo o que eu li do Orion: Dino Beatdown (que nome é este!?) o jogo aceita que você monte servidores dedicados e listen, igualzinho ao KF! Acredito também que o mundo aberto deve ser bem extenso, já que além dos jet-packs tem também uma série de veículos: andar à pé, nem pensar, pelo jeito.

Marcos A. S. Almeida disse...

Esse gameplay dá pra ter uma boa idéia dele =>http://www.youtube.com/watch?v=jrBHWBQRArg
Têm até Mechs!
Quanto tá o dólar hoje mesmo?

Shadow Geisel disse...

grimrock é bem "antigão" mesmo. fico me perguntando se conseguiria jogá-lo, até pq gosto de andar em lojas e comprar bugingangas em RPG. mas eu apoio esse tipo de iniciativa de certas empresas. os maiores jogos de videogame são aqueles mais velhinhos, como Doom, Diablo, etc., que prezavam muito pela atmosfera e imersão, e não em quantas balas voam por segundo nos inimigos. fico aguardando o seu review para saber se o jogo consegue alcançar o objetivo proposto: ser old school e ainda assim agradar. jogá-lo,pra mim, é meio difícil.

Shadow Geisel disse...

pessoal, tem um nome para aquelas animaçõezinhas que os personagens de games fazem quando vc deixa o controle parado. alguém lembra o termo em inglês? só curiosidade...

C. Aquino disse...

O nome é "idle animation", Shadow! Lembro que a primeira vez em que vi uma eu fiquei chocado! O personagem estava fazendo algo sem que eu mandasse!!!!111!!! Era Take no Prisoners e o personagem, um mercenário casca-grossa, acendia um cigarro e ficava dando baforadas...

Shadow Geisel disse...

isso mesmo, Aquino. tava tentando me lembrar. obrigado.

iguuu'Poa disse...

Tenho visto isso no slider na página principal do steam, e fiquei intrigado com esse jogo. Agora que comentou dele, fiquei curioso pra jogar.

Aliás, havia um jogo de super nintendo(se souber o nome por favor se pronuncie XD), que seguia esse mesmo sequema old school, com a mesma câmera(aliás, alguém sabe o nome desse tipo de câmera? Não acho que seja primeira pessoa por que nem mostra mãos nem nada).

iguuu'Poa disse...

Aliás, Aquino, acho que seria legal se fosse implementado um sistema de inscrição aos comentários. Receber email caso eu o comentário seja respondido, e colocar aquelas caixas de resposta. Acho que ficaria mais organizado e melhor de acompanhar. Sugestão feita o/

C. Aquino disse...

É uma boa ideia, Iguuu, mas o sistema de comentários do Blogger é super simples e não tem essa opção. Tenho medo de migrar para outro sistema e perder todo o histórico de comentários, mas vou estudar se é possível fazer uma migração indolor.

iguuu'Poa disse...

A propósito, por que usa blogger e não wordpress? E independente da resposta, ja pensou em migrar? Eu sempre me dei muito melhor com o wordpress.

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