Retina Desgastada
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29 de outubro de 2010

Jogando: Freedom Fighters

Freedom Fighters Eu cresci nos anos 80 com o medo da guerra nuclear. Ter visto "O Dia Seguinte" quando garoto não ajudou muito a tirar este pesadelo da cabeça. Na minha visão geopolítica, um conflito convencional entre as duas superpotências seria algo inadmissível: se, por algum motivo, algum soldado soviético trocasse tiros com um soldado americano, a luta inevitavelmente acabaria com o uso de mísseis intercontinentais e o apocalipse atômico. A imagem de tanques do Exército Vermelho cruzando a Europa jamais aconteceria e ao primeiro sinal de um blindado comunista mal-intencionado, as ordens seriam dadas para os homens dos silos e nós não estaríamos aqui hoje. Tal lógica inexorável não passava pelas mentes imaginativas dos artistas e muitos foram os filmes, livros e quadrinhos onde um grande confronto armado entre União Soviética e Estados Unidos acontecia sem o uso do arsenal nuclear. Poucos jogos, porém, ousaram retratar esta hipótese. Freedom Fighters é um deles.

Freedom Fighters se passa em uma realidade paralela, onde os soviéticos conquistaram a Europa depois da Segunda Guerra Mundial e conseguiram instalar mísseis em Cuba, na década de 60. Com todo o mundo convertido para o regime comunista, o próximo passo é mais ou menos óbvio: eles invadem os Estados Unidos, com submarinos, tanques, soldados e helicópteros. O Governo e o Exército não são nem mencionados no jogo e cabe à resistência, um maltrapilho grupo de guerrilheiros, "combatentes da liberdade", colocar bandanas, máscaras de bandoleiro e partir para luta. Nosso herói nesta história é Chris Stone, um encanador (!) que calhou de estar no lugar errado, na hora errada e que descobre ser o Gordon Freeman que este mundo precisa, se tornando uma lenda, o Combatente Fantasma, temido pelo invasor e idolatrado pela resistência. Com uma história simples, mas bem contada, gráficos que não fazem feio (para um jogo de 2003) e uma jogabilidade bastante fluida, Freedom Fighters consegue fornecer uma diversão despretensiosa.

Freedom Fighters - TeamComo Chris Stone, você conseguirá controlar um número determinado de seguidores, que irá aumentando à medida que novos atos heróicos são realizados. Estes seguidores apresentam uma inteligência artificial de fazer inveja a muito jogo atual, sendo capazes de proteger áreas, procurar cobertura, manejar metralhadoras fixas e lutar com desenvoltura. Não dá pra dizer o mesmo do exército soviético, mas o inimigo compensa a burrice artificial com poder de fogo e superioridade numérica. Os níveis e as missões permitem, em sua maioria, múltiplas abordagens e tarefas realizadas em uma área da cidade tem reflexos em eventos de outras. Esta complexidade fácil de dominar garante uma camada tática bastante interessantes ao jogo. Movimentar seus combatentes pelo campo de batalha, dar apoio com granadas e tiros precisos de franco-atirador enquanto o time trabalha com eficiência se torna uma experiência mais satisfatória que o mesmo conceito usado em Half-Life 2, onde Freeman praticamente funciona apenas como "babá" dos guerrilheiros.

Freedom Fighters - Movie TheaterApesar de ser divertido, o jogo não deixa de ter suas falhas. Os personagens são todos muito rasos, com personalidade próxima do zero. O irmão de Chris, também encanador, sai de cena rapidamente, provando que desenvolvedores de jogos definitivamente não dão valor a irmãos de encanadores. Os vilões são caricatos, o típico estereótipo do "general comunista" tão comum nos anos 80. Considerando que Freedom Fighters foi criado mais de dez anos após o fim oficial da Guerra Fria, talvez o tom de exagero e a falta de profundidade sejam intencionais.

O erro mais grave do título, entretanto, é seu sistema de salvamento. Cada capítulo do jogo começa no quartel-general da resistência nos esgotos de Nova York, de onde Chris pode se direcionar para as missões. O jogo pode ser salvo a cada retorno ao QG. Infelizmente, o estado dos níveis não é salvo, apenas cada objetivo cumprido: todos os inimigos abatidos e combatentes perdidos retornam a sua posição original, desafiando a paciência e quebrando a verossimilhança do universo. Se sua missão envolvia dinamitar uma estação de força e resgatar prisioneiros e você precisar desligar o jogo para, digamos, viver sua vida, não adianta salvar antes de cumprir pelo menos um dos objetivos, por que o jogo vai ressuscitar todo mundo e te devolver à posição inicial. Se você tiver dinamitado o alvo, parabéns! Quando recarregar o jogo, todos os personagens estarão de volta ao mesmo lugar, mas pelo menos a estação de força permanecerá destruída. E não se deixe enganar pelos "quick saves" oferecidos pelo sistema: eles só servem para guardar sua posição no mapa e nada mais. E, mesmo assim, só valem enquanto você não desligar o jogo! Muitas foram as batalhas travadas mais de uma vez devido a esta estranha lógica.

Felizmente, estes devaneios militares pertencem ao passado. Um confronto entre Russos e Americanos nos dias de hoje é altamente improvável, seja convencional ou nuclear. Mas isto não impede os desenvolvedores atuais de delirar ainda mais e imaginar como seria uma invasão ao solo americano realizada pelos norte-coreanos! A imaginação não conhece nem o limite do bom-senso...

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4 comentários:

GORDON FREEMAN disse...

Agora estou impolgado para jogar esse game.Este jogo foi feito pelos mesmos criadores da ótima série HITMAN,daí o motivo das varias abordagens nas missões.alguns sites ,na epoca do lançamento do jogo,chegaram a considera-lo um clássico.

Fagner P. disse...

Caramba, lembro que jogava Freedom Fighters na lan house, lá em 2004 e 05. Mas como não entendia muito bem do assunto, eu jogava mesmo por diversão, e nem ligava muito pro enredo. É um jogo divertido.

Agora sobre você ter comentado sobre invasões em solo americano, me veio na cabeça um jogo, onde os nazistas vencem a guerra na Europa e conseguem ocupar os EUA, queria muito saber o nome, mas não lembro, e eu acho que é de estratégia. Alguém aí lembra?

GORDON FREEMAN disse...

FAGNER P.,acho que o jogo que voçe eatá procurando deve ser o TURNING POINT:FALL OF LIBERTY,e é um fps.Esse game se passa numa realidade ficticia onde WINSTON CHURCHILL(na vida real ele foi peça-chave da resistencia ao ideal de hitler)morre e o resultado é a vitória dos nasistas na europa,que começa a atravessar o oceano para dominar os STATES,no alvorecer dos anos 50.Em meio a este pesadelo,cabe a o protagonista DAN CARSON,liderar a resistencia.É um fps normal ,sem muitas novidades no genero,mas deve valer a pena pelo roteiro oroginal.

Fagner P. disse...

É isso mesmo, Turning Point: Fall of Liberty. Valeu.
Só vi críticas positivas sobre ele até hoje. Dizem até que é o melhor do gênero.
O problema vai ser achar...

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