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30 de março de 2009

(não) Jogando: Lost – Via Domus

Lost - Via Domus estava na minha lista de desejos proibidos por um longo tempo. Ao contrário de muitos, não acredito que toda adaptação do cinema ou da TV resulte necessariamente em um jogo ruim; sei que existem por aí alguns títulos que primam pela qualidade. Infelizmente, não é o caso deste aqui.

Elliot Baseado na única série de TV que eu acompanho (sem exageros, é a única mesmo!), avancei em direção ao jogo com fome de fã de carteirinha. Jack, Kate, Sawyer, Locke, a Ilha, os Outros! Como eu não poderia querer me perder nessa história?! Mas, o que eu consegui da Ubisoft? Uma jogabilidade engessada, gráficos abaixo do esperado, uma interatividade patética e bugs.

Para um jogo lançado menos de um ano atrás, é surpreendente a má-qualidade dos gráficos que ele entrega em troca de requisitos do sistema tão absurdos! Quando se pensa em Lost, a série, se pensa em cenários paradisíacos, uma floresta viva e pulsante, uma praia a perder de vista. Alguém da desenvolvedora não entendeu a idéia: a direção de arte capricha nos truques para segurar o horizonte disponível ao jogador, as cores pálidas e sem vida chegam a desanimar, a floresta não se estende mais do que alguns metros antes de se mesclar em uma maçaroca que parece pré-renderizada. O que o jogo apresenta perde, e muito, para os gráficos de Far Cry, produzido muitos anos antes. Comparando com Gothic 3 e seu fascínio absurdo, Via Domus tem um ranço de jogo velho. A engine gráfica fracassa no que poderia ser um dos maiores trunfos do jogo: te convencer que você está mesmo em uma ilha perdida. A impressão é que você caiu em um jogo, com fronteiras definidas. Para não dizer que a engine não tem utilidade alguma, percebe-se que a equipe caprichou na renderização dos personagens da série: a semelhança entre Jack, Kate & cia. e seus avatares virtuais é assombrosa e resvala pelo Uncanny Valley. E todo esforço acabou aí. O personagem principal (que não existe no seriado), o fotógrafo Elliot, provavelmente tem mais polígonos que toda a floresta que o cerca.

lostviadomuscover_2Se eu não posso ter o deslumbre visual da ilha, eu posso pelo menos explorar os seus recantos? Como em Far Cry, Gothic 3 ou um Elder Scrolls da vida? Claro que não! A Ubisoft não te daria este gostinho! Apesar do modelo da série instigar o desejo de desvendar mistérios e explorar a geografia da enigmática ilha, Via Domus apresenta ao jogador corredores muito bem definidos por onde você pode passar. Quando eu me vi andando no meio do mato, seguindo o cachorro Vincent para chegar até a praia, eu comecei a desconfiar que eu estava perdendo meu tempo... Não estou pedindo respostas para as inúmeras perguntas do seriado, apenas o direito de conhecer a ilha e descobrir por mim mesmo alguns lugares exóticos, mesmo que eles não sejam explicados no jogo! Alguém da Ubisoft ouviu falar no conceito de "mundo aberto"? Em Via Domus, se você se desviar do caminho estabelecido, o jogo artificialmente te pergunta se você quer voltar ao último checkpoint! É impossível ficar perdido no jogo de "Lost". O descaso pela exploração é tanto que você pode pular instantaneamente para localidades onde você já esteve, sem precisar atravessar a floresta novamente. Considerando que a floresta não tem nada mesmo, é até vantajoso.

Via Domus se pretende um adventure e apresenta uma coleção de mini-interações para que você fique com a ilusão de que está fazendo alguma coisa. Colecionar cocos, trocar cocos por tochas com Sawyer, seguir uma trilha de escombros de avião na mata, se esconder da "fumaça negra", colocar uns fusíveis no lugar, tirar fotos em flashbacks. Quanta emoção junta! Uma vez que os personagens do seriado estão por ali, por que não trocar umas palavras com eles? Mas eles não tem nada a dizer. Reagindo a perguntas tolas como "você sabe onde estamos?", "será que seremos resgatados?", "o que aconteceu com o avião?", os avatares de olhar fixo te lembram mais uma vez que são apenas objetos tridimensionais e que Via Domus é apenas vagamente ambientado no universo de Lost.

A minha paciência se esgotou de vez após um bug que me fez repetir uma sequência inteira. Entre idas e vindas pela floresta, aparentemente, o jogo se esqueceu que eu já havia visitado um determinado lugar e eu teria que percorrer um longo (e entediante) caminho novamente. Com um único save game automático, Via Domus é implacável. Para minha surpresa, o jogo também havia esquecido que um determinado inimigo tinha morrido, que Michael e Locke já tinham falado comigo sobre certos assuntos, mas o meu inventário continuava do jeito que estava. Fechei o jogo e fui ao hospital, de onde sairia somente 19 dias depois, tempo suficiente para refletir sobre como a vida é cheia de surpresas.

Minha primeira ação ao ligar o computador novamente? Desinstalar Via Domus.

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2 comentários:

Tango disse...

Cacete, o jogo é tão ruim que depois de experimentá-lo você foi internado no hospital por quase um mês?

Devia ter um aviso na capa, como fazem para epilépticos...

P.S.: Claro que não foi o jogo, mas a estória fica muito mais divertida contada dessa forma. "Joguei LOST e logo em seguida passei 20 dias num hospital". =D

C. Aquino disse...

ahahahaha! O pior é que fica mais engraçado mesmo!

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