Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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23 de julho de 2008

Os Doze Rejeitados

A indústria dos jogos eletrônicos não é feita apenas de grandes sucessos e minha carreira de jogador não foi marcada apenas por pontos altos. Apesar da minha lista de favoritos, existe uma outra lista, mais vergonhosa, mais triste, composta apenas pelos piores jogos que eu tive o desprazer de conhecer e jogar. Muitos são os motivos para um jogo ser descartado. Conheça agora as maiores vítimas:

Dink Smallwood Dink Smallwood
Maior vantagem do jogo: é grátis! Segunda maior vantagem do jogo: é divertido. Dink Smallwood é uma deliciosa e despretensiosa sátira aos jogos de RPG. Ele apresenta um tipo de humor sarcástico que não se encontra com facilidade em grandes jogos comerciais e, ao mesmo tempo, uma história coerente. Eu joguei Dink Smallwood até o último chefe, quando, sem aviso prévio, a piada azedou drasticamente. O final boss do jogo é o tipo de humor que não ri com você, mas ri DE VOCÊ. Incrédulo, chocado e subitamente atingido pelo senso de ridículo, mandei o jogo para a lixeira, lamentando o tempo perdido.

Galapagos
O que mais eu posso dizer para mim mesmo além de “eu avisei, seu burro”. Depois de ter me frustrado com a demo do jogo que saiu na BigMax 15, ainda assim corri atrás da versão completa. Talvez a inteligência artificial de Mendel pudesse ter melhorado? Não. O pequeno ser virtual continuava tão estúpido quanto antes. Mas, se eu não fora capaz de aprender com meu erro, por que deveria esperar isto dele? Galapagos é um simulador de penitência. Se você tem pecados a purgar, esqueça o milho para ajoelhar ou a chibata com pimenta, tente manter Mendel vivo por mais de trinta minutos.

Calabouço da Morte Deathtrap Dungeon
Em  1992 eu comprei um livro-jogo da série Aventuras Fantásticas chamado de “Calabouço da Morte”. Considerado por muitos como um dos melhores de toda série (sendo inclusive o único a ter uma continuação, o “Desafio dos Campeões”) e um dos meus prediletos, qual não foi minha empolgação ao saber que havia uma adaptação do livro em forma de jogo eletrônico. E vendido completo em banca de jornais, ainda por cima! Mas qual não foi minha decepção ao descobrir que Deathtrap Dungeon tinha gráficos ultrapassados para a época, um nível de dificuldade insano e praticamente nada a ver com a história do livro.

Uma brilhante adaptação, muito fiel ao contexto e aos desafios do livro, pode ser encontrada no mod para Morrowind Annastia. Seu criador, Patrograd, é nitidamente um apaixonado pela série e conseguiu transpor para um novo continente ao sul de Vvardenfell as histórias de “Cidade dos Ladrões” (incluindo uma envolvente re-criação de Port Blacksand), “Feiticeiro da Montanha de Fogo” e “Calabouço da Morte”. O mod é difícil e recomendado somente para personagens de nível mais alto, mas o resultado, para quem conheceu e jogou os livros é tudo aquilo que “Deathtrap Dungeon” devia ter sido e fracassou. Morrowind está sendo vendido também em bancas de jornais e o mod é gratuito.

Gunman Chronicles
Incensado na época como um dos melhores mods para Half-Life produzidos, criado originalmente para Quake e Quake 2 e comercializado em seguida em sua versão definitiva. O único mérito do jogo é pegar o engine do outro jogo e criar uma ambientação completamente nova sem qualquer relação com os eventos de Black Mesa. Palmas para os programadores. Entretanto, Gunman Chronicles carece de enredo, inimigos criativos, armas interessantes ou qualquer outro atrativo para um FPS. Perde feio de vários outros mods para Half-Life gratuitos: Azure Sheep, Poke 646, Conundrum, They Hunger...

Plane Crazy
Lembra daquela corrida de aviões que aconteceu na orla do Rio de Janeiro? Plane Crazy é sobre corrida de aviões nos mais loucos cenários possíveis. Parece legal, certo? Seria muito divertido se fosse possível controlar as aeronaves com maestria e elegância. Não é o que acontece aqui. Na primeira corrida, tudo tranquilo. Poucas manobras, curvas abertas. Na segunda corrida, começam os problemas de direção. Na terceira corrida, já é impossível chegar inteiro ao final da primeira volta, quem dirá pontuar. Muito crazy para mim.

Garfield
Sem link desta vez. Não faço a menor idéia de onde veio esta abominação em forma de jogo de plataforma. Não é o meu gênero preferido, mas este exemplar não consegue ser salvo da mediocridade nem mesmo pelo carisma do personagem principal.

Crusaders of Might and Magic Crusaders of Might and Magic
Talvez eu tenha julgado mal este aqui. Em menos de cinco minutos ele foi desinstalado. Motivo? Gráficos estranhos, uma câmera que dava vertigens e controles que não faziam sentido. Ou talvez ele esteja na lista certa.

The Terminator: Future Shock
Como é possível que uma de minhas séries favoritas de ficção-científica não tenha gerado um único jogo de qualidade? O curioso é que eu adorei o demo deste jogo muitos anos antes. Mas até chegar na versão completa outros jogos melhores cruzaram meu caminho e descobri que não era qualquer FPS que era capaz de me cativar.

Os culpados mais uma vez eram gráficos muito ultrapassados, controles que não me deixavam controlar nada direito e dificuldade absurda. Doom, lançado dois anos antes, conseguia oferecer muito mais com uma engine mais antiga!

A Bethesda, desenvolvedora do jogo, vai ter agora, treze anos depois, uma nova chance de provar que é capaz de criar um jogo em um mundo devastado pela guerra nuclear: Fallout 3.

Starship Troopers Starship Troopers: Terran Ascendancy
”Tropas Estelares” foi um dos mais violentos e impactantes filmes de guerra espacial já feitos, temperado com altas doses de sarcasmo sutil. Receita certa para um jogo. Surge a brilhante idéia de fazer um jogo de estratégia baseado no livro que inspirou o filme. Se você viu o filme, sabe que um dos pontos fortes da história é a quantidade absurda de alienígenas em cena atacando punhados de soldados humanos que lutam desesperadamente pela vida. O que aparece no jogo? Oito ou dez insetos “gigantes” avançando contra dez soldados microscópicos em vastos cenários descampados, mal-texturizados e sem acidentes geográficos. Ouve-se o estalido das mini-metralhadoras, os insetos caem, a missão termina. Estratégia? Que estratégia?

Powerslave Powerslave
Invasores alienígenas mumificando vítimas no Egito? Criaturas com cabeças de chacal e serpentes gigantes? O mesmo engine de Duke Nukem e Blood? Este jogo tinha tudo para dar certo! Mas os desenvolvedores resolveram colocar tudo de ruim que podiam encontrar: uma versão preliminar da engine Build (com todas as limitações que isso significa), um sistema de que não permitia ao jogador salvar o jogo quando quisesse (os odiados save points), uma dificuldade galopante, controles pré-configurados que não permitiam alteração e puzzles, dezenas de puzzles, incluindo alguns envolvendo saltos inumanos.

Die Hard Trilogy
Eu gostaria de ter uma opinião mais objetiva sobre este jogo, mas a verdade é que ele foi um desastre tecnológico tão grande que não posso dizer se ele é bom ou ruim. No meu ancião Pentium 166, o jogo não rodava. Nenhuma das três partes. Gráficos fora do lugar, framerate ridículo ou simplesmente travava. No Pentium 233 de meu futuro sogro, o jogo rodava rápido demais! Como não consegui até hoje botar as mãos em um Pentium 200, o meio-termo, fico sem saber como seria Die Hard Trilogy.

Inconformado com o fiasco e fã de carteirinha do policial John McClane, anos depois, comprei Die Hard Trilogy 2. Ainda que não seja baseado em nenhum filme da série e apresente uma história nova, o jogo é muito bom e vale um post próprio um dia destes.

Codename Tenka

Codename Tenka - Mirando em Algo Indefinido

O pior. Jogo. De todos. Imagine um FPS com gráficos tão ultrapassados que você se esforça para entender no que está atirando, com o que está atirando e se está mesmo fazendo efeito. Um jogo com efeitos sonoros tão toscos que você decide desligar o som. Um jogo que eu tentei terminar, mas fiquei quinze longos minutos preso em uma câmara catando pixels para ativar uma saída, para que tudo aquilo que eu já havia jogado não tivesse sido em vão. Até o momento em que percebi que esta tarefa era impossível e a única saída daquela sala fechada era desinstalar o arremedo de jogo e mandar pro lixo.

Ouvindo: Jason Gervais - Abode of Condemned Souls (Movement Five)
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5 comentários:

Marcos A. S. Almeida disse...

Cara, á cada post seu que leio eu constato que você é realmente meu conteporâneo no mundo dos games!!!Tenka? Eu tenho! Blood? Eu tenho!Die Hard Trilogy? Eu tenho e enfrentei o mesmo problema que você: não rodava no meu Pentium 166 MMX ( isso mesmo eu me orgulhava da nomeclatura MMX! ). Pelo o que já li até agora de 04 posts seus, jogamos os mesmos jogos, nos irritamos com os mesmos ( vide Crusaders of Might and Magic que realmente é difícil e com controles confusos) , só não tenho competência para escrever um BLOG muito bom como esse. Parabéns e aos poucos vou relembrando bons momentos como gamer.
PS: só para matar a curiosidade: por acaso você teve o prazer de jogar QUAKE e seu Mod ACTION QUAKE on line? Abraços.

C. Aquino disse...

Olá, Marcos!

Tive o "prazer" de jogar Quake online sim, como postei em http://www.retinadesgastada.com.br/2008/04/memorias-de-um-looser-multiplayer.html. E também instalei o mod Action Quake, mas sem saber que era para multiplayer! Resultado: removi logo.

Abraços!

Anônimo disse...

Amigo, seu comentário sobre o jogo do Tenka é ridículo. Desculpa mas você é atrasado em questão de games. Esse game é muito antigo, da época do PS1. Claro que o grafico era de baixa qualidade, pro tempo dele o game estava muito bom, quando eu joguei esse jogo no PS1 eu tinha 14 anos, hoje tenho 28, entao faz as contas de quando é o jogo. Quando joguei adorei o jogo pela estrategia que tinha e pelo grafico que naquele tempo é muito bom. Vai pesquisar antes de criticar. ass. Alexandre Lunkes

C. Aquino disse...

"O lixo de um homem é o tesouro de outro"...

Marcos A. S. Almeida disse...

Joguei a versão PC - que segundo minhas pesquisas foi lançada um ano após a de PS1 - portanto no que diz respeito aos gráficos talvez eu tenha experimentado ele já com gráficos ultrapassados;mas se comparar-mos com o clássico Quake (1996) lançado 1 ano antes de TENKA , realmente é um jogo graficamente tosco.E foi essa a sensação que tive ao jogá-lo pela primeira vez.O fato de existir apenas uma arma poderia ser positivo - são acrescentados "upgrades" na mesma arma - mas acabou se tornando um desastre pelo fato dos upgrades serem tão toscos quanto o jogo.Criaturas bizarras, ambiente claustrofóbico e catacumbas em um complexo militar formam um dos piores jogos que joguei ( e não terminei, claro).Os pontos positivos são mira automática, jogo leve ( rodou tranquilo no meu PC na época) , jogabilidade simples e intuitiva. Talvez para o PS1 ele tenha sido algo maravilhoso na época, visto que no início de cada console os primeiros jogos são de qualidade gráfica bem abaixo do poder do aparelho porque os programadores ainda estão "aprendendo" á trabalhar com ele mas para o PC ele definitivamente foi passável.

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