Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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26 de outubro de 2018

Eu Fui Um Prisioneiro de Cthulhu!

A abertura acima era impressionante quando foi lançada originalmente em 1995 e três anos depois ainda impressionaria minha nem tão desgastada retina. Era o jogo Prisoner of Ice, desenvolvido pela finada Infogrames e distribuído pela finada(?) Atari.

prisoner-of-ice-dos-front-coverPara mim, foi uma experiência única em diversos aspectos. Foi meu primeiro contato com um adventure e me ensinou de imediato que eu e o gênero teríamos uma longa e conturbada relação. Se por um lado eu até hoje me sinta atraído pela jogabilidade que convida a boas histórias e uso do raciocínio, a utilização de enigmas que jogavam a lógica para o alto me fizeram utilizar um guia pela primeira vez, frustrado pelas sucessivas dúvidas sobre o que fazer a seguir. O fato de Prisoner of Ice adicionar um limite de tempo muitas vezes mortal a cada desafio acentuava o terror do jogo, mas também minha raiva contra seus criadores.

O título também serviu como minha porta de entrada para os mitos de Cthulhu e me questiono como foi possível que eu tenha permanecido alheio a tão fascinante universo por tanto tempo antes. É lamentável que o clima claustrofóbico de horror das primeiras cenas, ambientadas à bordo de um submarino que transporta uma carga maldita em plena Segunda Guerra Mundial, seja logo substituído por paisagens mais tranquilas e uma forte guinada para a ficção-científica, perdendo o impacto inicial. Seria preciso redescobrir as obras originais de Lovecraft tempos depois para apreciar o pleno valor de sua mórbida imaginação.

Prisoner of Ice também foi o primeiro jogo completo que adquiri (e legalmente!), cortesia de uma revista de jogos que vendia nas bancas de jornais. Até então acostumado com demos de vida curta, estava diante de um fenômeno: uma narrativa que eu acompanhei do início ao fim, quase um filme interativo que passava ali na minha tela. Que fascinante e promissor parecia esse mundo dos jogos eletrônicos então e quantas jornadas foram realizadas depois daquele primeiro contato?

prisoner-of-ice-sub

Finalmente, seria injusto não mencionar que Prisoner of Ice também foi o primeiro jogo que testei com dublagem em Português! Em um momento que meu domínio do idioma da Rainha ainda estava longe da perfeição, a dublagem era um combustível extra para incendiar minha imersão naquele intrigante universo. Ao relembrar os detalhes do jogo para escrever essa postagem, algumas palavras soaram na minha mente exatamente como eu as havia escutado, vinte anos atrás, provando que um bom trabalho de dublagem é perene.

Uma conjunção de fatores como esses dificilmente irá acontecer outra vez. Mas, em 1998, Prisoner of Ice alinhou as estrelas e eu atendi seu chamado.

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3 comentários:

Marcos A. S. Almeida disse...

Uma coisa que sempre me irritou nos adventures era justamente a necessidade de entender os diálogos para decifrar enigmas ou compreender a história.Sim,irritava não pelo diálogo em si mas porque eu não sabia quase nada de inglês."Prisioner of Ice" foi um raro exemplo (pra época, claro) de jogo dublado e legendado em português e que desfrutei com muito mais prazer por esse motivo.Apesar da dublagem ser um tanto amadora ( essa era a minha impressão já que não eram as vozes conhecidas da "Sessão da Tarde") ela ficou muito boa e por 1 segundo cheguei a pensar que o jogo era brasileiro!Ainda assim confesso, Aquino, que Cthulhu ou Lovecraft não me chamaram a atenção nesse jogo.Fechei-o prazerosamente por conta da jogabilidade e da dublagem.

Unknown disse...

Nossa, que saudades deste jogo! lembro que eu e meu primo passávamos horas jogando, fisgados pela história muito bem contada. até hoje tenho saudades de jogá-lo novamente. obrigado pela lembrança.

Éder R M disse...

A edição da Big MAX com esse game foi a 2ª edição que comprei dessa incrível revista.

Bons velhos tempos. :)

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