Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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29 de agosto de 2018

"Temos que Pegar Todos!"

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A "inovadora" e "simpática" Nintendo declarou guerra aos emuladores. Mais do que isso, declarou guerra também a toda e qualquer produção criativa que não saia de suas paredes e provocou o fim de Pokémon Essentials, uma das mais antigas e completas ferramentas de criação de fangames de Pokémon.

Embora a Nintendo tenha conquistado seu lugar no coração de mais de uma geração de jogadores com sua família de personagens cativantes para todas as idades, a empresa possui uma forte mentalidade fechada em prol de seu ecossistema. Ou seus personagens são publicados em suas próprias plataformas ou não podem existir em outras circunstâncias. A gigante japonesa possui um notório desprezo pelo PC, assim como por outros consoles.

Desta forma, não escondo que Mario, Pikachu e Zelda apareceram por aqui através de emuladores ou trabalhos de fãs.  Ter um console em casa, ainda mais uma máquina limitada ao portfólio de uma única produtora, era e ainda é uma alternativa economicamente inviável para mim. Causa-me tristeza que precise ser assim, que o único contato que meu filho teve com personagens tão carismáticos seja por vias que infrinjam os direitos autorais de seus criadores.

Entretanto, trabalhos criados por fãs são um dos alicerces de qualquer fandom. Se tais personagens não tem uma representação oficial no PC, se não representam concorrência para a Nintendo nessa plataforma, se não há lucro sendo aferido, se tudo é um trabalho de paixão de criadores que apenas desejam declarar seu carinho, por que não? Na fria letra da lei, nada disso importa.

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Na fria letra da lei, não foram os jogos "proibidos" de Pokémon que retro-alimentaram a adoração de meu filho pelos monstrinhos, que o fizeram consumir ainda mais empolgado os desenhos ou comprar os bonecos. Mentira.  Pokémon Island e Pokémon Uranium foram fundamentais para ele aprender os nomes dessas criaturas, suas habilidades, suas interações. Mesmo em um PC. Mas, se ele não está jogando em um console da Nintendo, então não tem validade, na fria letra da lei.

Em algum porão da internet, Pokémon Essentials continuará existindo pelo tempo que aguentar. Mas a Nintendo cravou hoje mais um espinho no peito daqueles que deveria abraçar.

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4 comentários:

Shadow Geisel disse...

Faço minhas as suas palavras. Eu desisti de comprar um Nintendo Switch por causa da postura da Nintendo. Não apenas economicamente inviável comprar um console tão fechado ao resto do mundo, mas seria incentivar o reinado de uma empresa que enxerga o consumidor de seus produtos como um infrator da lei. Com o Switch eu não posso gravar vídeos de gameplay, fazer lives de jogos da Nintendo e as fotos capturadas são em baixa resolução. No PS4/Xone eu publico uma live no Youtube com dois toques no botão de Compartilhar. Escolha difícil pra um criador de conteúdo...

Bolívar D'Andrea disse...

Aquino, tu acredita que o desastre do filme do Super Mario tenha contribuído pra essa postura tão fechada da Nintendo? Uma das pouquíssimas vezes que um produto dela "saiu do seu mundinho", por assim dizer, e fracassou feio. Talvez traumaticamente. E aí só "abriram as portas" de novo uns 20 anos depois com o Pokémon GO. Acha que tem relação ou nem?

C. Aquino disse...

Bolívar, pode até ter contribuído, mas não explica totalmente. Vemos agora a Nintendo finalmente publicando jogos em dispositivos móveis que não são dela, preparando um longa de animação do Mario e até fazendo uma parceria com a Ubisoft para lançar Mario + Rabbids (nos consoles dela…), enquanto nos bastidores desencadeia a maior caçada aos emuladores e fangames de sua história.

Shadow Geisel disse...

Sem contar que as pessoas que tomam decisões sobre expansão das marcas da Nintendo não são as mesmas da década de 90. Mesmo a mentalidade arcaica dos executivos da Nintendo acaba cedendo às tentações do mercado. A empresa execrava jogos "incompletos", seja por meio de demos ou DLCs. E em pleno 2017, vejam só, a Nintendo lança um Zelda com DLCS...

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