Retina Desgastada
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27 de maio de 2018

Jogando: Defiance - Primeiras Impressões

Defiance 02

Quem procura, acha.

Era claro desde o começo de minha busca por uma nova experiência multiplayer que eu inevitavelmente esbarraria em algo que me fisgaria além de qualquer explicação (ou mesmo mérito, para ser honesto). No final das contas, não foi Conan ou Senhor dos Anéis ou Warhammer 40K, mas uma franquia multimídia sem nenhum passado, criada do zero: Defiance.

Demoraria praticamente seis anos desde a única vez que eu comentei no blog sobre o MMORPG, mas aqui estou eu jogando sem parar, explorando um novo mundo repleto de possibilidades. Se a prometida integração entre série de TV e jogo eletrônico não se consolidou como deveria e não foi muito longe, Defiance continua vivo, com uma boa população de jogadores, gratuito e com uma continuação à caminho.

Em seu universo, a Terra está se transformando em algo alienígena para seus habitantes originais. Restos de uma gigantesca espaçonave caíram em nossa superfície trazendo plantas exóticas, animais perigosos e raças inteligentes. Não é uma invasão no sentido direto, mas uma espécie de migração em massa e a tecnologia escondida entre os escombros é disputada à tapa por caçadores de tesouros, os ArkHunters, e grandes corporações.

Ou pelo menos, foi o que eu entendi sem ter visto uma único episódio da série. O jogo, em si, não é amigável nesse sentido e despeja situações, personagens, inimigos e jargões sem piedade em cima dos jogadores novatos. Basicamente, tudo que existe nesse vasto território de uma Califórnia devastada pelo impacto e pela guerra que se seguiu está disposto a me matar: alienígenas, insetos gigantes, mutantes, saqueadores, robôs e coisas que desafiam qualquer tipo de classificação. Em outras palavras, um típico MMO em um dia bom.

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Se o desenlace da história é confuso e suas missões seguem uma lógica bastante preguiçosa de vá até X, colete/ative três coisas, sobreviva aos oponentes que brotam do nada, pelo menos sua jogabilidade é deliciosa. Ao contrário dos MMORPGs clássicos, aqui quem manda é a ação: se você quer acertar um oponente, vai ter que mirar nele; se quer escapar da morte, vai ter que esquivar das balas. Embora existam habilidades ativas e passivas, elas não exercem grande impacto no resultado dos confrontos, com as armas que você escolhe sendo responsáveis pelo dano efetuado.

Felizmente, Defiance também é amigável com diferentes estilos de jogador e eu acabei me encontrando na combinação Sniper/Submetralhadora, com a primeira fazendo a diferença contra inimigos de longe, resultando muitas vezes em eliminações com um único tiro, e a segunda arma me protegendo em combates de perto, mesmo porque ela dispara uma grande quantidade de balas em várias direções e precisão na hora do sufoco não é o meu ponto forte. É uma jogabilidade que peca pela falta de tática, mas compensa no fator diversão e posso facilmente me ver fazendo os mesmos movimentos por dezenas de horas sem cansar. Tenha um segundo loadout formado por um lança-foguetes e uma arma exótica que infecta inimigos, mas quase não uso. Se o jogo se torna mais complexo com a evolução do personagem, espero que mantenha sua agilidade inicial.

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Uma das melhores características de Guild Wars 2 foi importada com sucesso para o jogo da Trion Worlds: os eventos paralelos. É muito comum estar dirigindo na estrada em direção a uma próxima missão marcada no mapa e esbarrar em uma situação de emergência no caminho, seja uma família de colonos atacada por Hellbugs ou soldados emboscados por mutantes e que precisam de ajuda. Além disso, de tempos em tempos novos pedaços de tecnologia alienígena caem do céu nos chamados Arkfalls e atraem uma grande quantidade de jogadores para o mesmo ponto para uma batalha campal contra facções de NPCs que também estão interessadas na queda. Ser o primeiro a chegar a um desses locais é um choque de vida ou morte, que vai se tornando mais prazeroso com novos jogadores entrando na luta ao seu lado.

Quando achava que já tinha visto de tudo em Defiance, sábado à noite me arrastou para o maior de todos os Arkfalls no alto de uma colina. Para o meu espanto não apenas havia mais de quarenta jogadores na mesma área como também havia um igual número de oponentes em um gigantesco fogo cruzado, assim como uma máquina de combate muito maior que qualquer coisa para a qual havia me preparado. O colosso alienígena saído das profundezas de Guerra dos Mundos era um inimigo que custou a todos nós uns bons quinze minutos de combate encarniçado.

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Ao final de tudo, fui surpreendido pela ausência de recompensas. Nenhum item especial, comum ou raro. Apenas pontos de experiência e a eufórica sensação de ter participado de um momento ímpar de glória e adrenalina.

Posso não saber o que estou fazendo em Defiance ou qual é a lógica desse mundo. Mas tem sido uma jornada de deslumbres até agora.

Ouvindo: Poesie Noire - Verge of Tears
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Um comentário:

Michel Oliveira disse...

Joguei esse jogo há uns anos atrás mas não me cativou. Vou esperar a sequência pra ver se melhora em alguma coisa.

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