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26 de junho de 2012

A Lei de Moore

Peter Moore Se a EA não admite e jamais admitirá publicamente que suas ações não estão indo bem na Bolsa de Valores e a crise é iminente, ela não se esforça nem um pouco em deixar claro que suas práticas de mercado estão mudando e estão mudando para um cenário que pode não agradar aos jogadores. Durante a última E3, o Kotaku teve a oportunidade de entrevistar Peter Moore, ex-homem forte da divisão de entretenimento da Microsoft e atual Chief Operating Officer da Electronic Arts. Se você não lembra de Moore, ele é o cara que fez uma tatuagem (falsa) de GTA IV e uma tatuagem (verdadeira) de Halo 2 para revelar jogos disponíveis no Xbox.

Durante a entrevista, Moore não esconde os planos da EA: DLC, DLC, DLC. Sua visão de futuro é um mundo repleto de jogos F2P com conteúdo desbloqueado mediante uma compensação financeira. Destaco alguns momentos:

"Eu acredito, definitivamente, que estas microtransações estarão em todos os jogos, mas o jogo em si ou o acesso ao jogo será gratuito.

(...) Eu acredito que há uma inevitabilidade que acontecerá cinco anos pra frente, dez anos pra frente(...) Não é diferente de... é gratuito para mim entrar em uma The Gap no meu shopping local. Eles não me cobram para entrar lá. Eu posso entrar em uma The Gap, curtir a música, dar uma olhada nos jeans e o que mais tiver por lá, mas se eu quiser comprar alguma coisa eu terei que pagar por isso".

A analogia é completamente incorreta. A loja The Gap seria mais equivalente, na verdade, a uma loja virtual como o Steam: você não paga para entrar, você olha as novidades, assiste trailers, discute nos fóruns, experimenta os produtos (no caso, demos). E só compra se quiser. Comparar um jogo a uma loja de moda é o que se passa dentro da cabeça de Peter Moore, um dos grandes nomes dentro da EA. E ele manda um recado para os jogadores mais obstinados:

"(...) Eu acredito que o crescimento real está em trazer bilhões de pessoas para a indústria e chamá-los de jogadores. Jogadores hardcore  não vão gostar de ouvir isso.

(...) os jogadores precisam entender que nós precisamos abrir nosso caminho através disso. Eles precisam ser pacientes conosco enquanto nós tentamos adivinhar quais são os modelos de negócio do futuro. Eu sou o COO de uma empresa que tem escritórios em 70 países e é responsável pelo emprego de mais de 9000 pessoas talentosas muito criativas e trabalhadoras.

Como Jameson Durall, Moore pede paciência e compreensão de seus clientes, esses eternos insatisfeitos. E desabafa:

"Eu quero que as pessoas entendam que os funcionários da EA e as pessoas que criam os jogos estão trabalhando duro para pegar um caminho através desta transformação da melhor forma que pudermos. Nós somos uma empresa de capital aberto. Nós temos uma obrigação para, francamente, fazer dinheiro para que possamos reinvestir este dinheiro em produzir grandes jogos outra vez. Os jogos que vocês viram ontem [durante a conferência da E3, como Dead Space 3 e Crysis 3] foram pré-pagos, por assim dizer, por nós do ponto de vista do desenvolvimento. E ainda falta um ano ou um ano e meio de estrada até que nós comecemos a ver um retorno. É por isso que, para continuarmos a fazer aquilo que fazemos e construir as marcas e construir o modelo de negócios, novamente, eu peço paciência.

Crysis 3 É, de fato, notável que a máquina de hype em cima de um título já comece com um ano, um ano e meio antes do lançamento, apresentando trailers de produtos que já parecem prontos, mas foram montados às pressas para gravar um vídeo, excitar a massa, agradar os investidores e coletar pré-vendas. Moore esqueceu-se de mencionar boa parte dos jogos apresentados na E3 já estão com pré-venda a perder de vista, sendo que Crysis 3 inclusive com Edição Especial que desbloqueia conteúdo, agrega DLC e libera bônus para o multiplayer. E o novo FPS da Crytek não tem data de lançamento e nem classificação etária ainda. Moore também não menciona que a EA foi criada trinta anos atrás e os jogos de hoje estão sendo financiados com o dinheiro dos jogos de ontem.

Mas Moore finaliza, deixando claro quem são seus reais patrões (negrito por minha conta):

"Nós nem mesmo nos vemos mais como uma produtora tradicional. Nós somos uma empresa de entretenimento digital. E dentro disso existem diferentes formas disponíveis para gerar nosso faturamento, manter nossos investidores felizes e ter certeza de que estamos providenciando compensação para nossos funcionários na forma de preço de ações que eles estão felizes de que façam parte de seus pacotes de benefícios. E tudo isso é parte de ser uma empresa de capital aberto".

O repórter do Kotaku não perdoa e manda na lata para Moore: "Você não mencionou em suas prioridades: fazer grandes jogos". Moore não se abala e responde categórico: "Isso é garantido com a EA. É o que nós fazemos".

Então, tá.

Ouvindo: Ace Combat Zero - The Stage of Apocalypse

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4 comentários:

Shadow Geisel disse...

Cara, eu acho esse sujeito um hipócrita desprezível. no começo do 360, quando só saíam ports de jogos da geração anterior, ele negava o óbvio dizendo que os jogos eram a oitava maravilha do mundo (o cretino chegou a elogiar Kameo). bem observado pelo reporter: cadê a preocupação em fazer bons jogos? esse cara deve dormir com uma calculadora embaixo do travesseiro.

sabe o que mais me tranquiliza nisso tudo? é que são justamente os desconsiderados jogadores "hardcore" (leia-se: quem bota dinheiro no bolso desse tipo de cretino) que vão decidir que se cansaram dessa bosta toda e arranjar um jeito melhor de se divertir.

o engraçado sobre essa coisa de DLC é que muitas vezes nem o jogo principal é digno da compra (como o Amalur), quanto mais conteúdo extra. será que alguém acha que tem como esse modelo profetizado por Moore dar certo? campanha principal gratuita (sem nenhum compromisso com a qualidade) + DLCs pagos?
o panorama é preocupante e desestimulante. o jeito é virar mais um retrogamer da vida...

Marcos A. S. Almeida disse...

Aquino,se você me permite, deixo aqui um link de uma análise feita sobre este mesmo jogo que você citou no Twitter - Revelations 2012 - mas de um site brasileiro.Não costumo considerar análises deste site,mas esta me pareceu bem explicativa e relevante. http://www.baixakijogos.com.br/pc/revelations-2012/analise.

Quanto ao post eu acho que a questão principal não é nem a qualidade dos jogos apesar de muita reclamação.A EA têm bons jogos, o problema é como eles estão sendo negociados.Só corrobora com o que eu comentei no post anterior.
" Esse cara deve dormir com uma calculadora embaixo do travesseiro", essa foi boa Shadow!

Breno disse...

Eu até vejo uma logica na frase "manter os investidores felizes"! Se os investidores estão felizes isso quer dizer que os jogos estão vendendo,e se os jogos estão vendedo isso quer dizer que os jogos tem qualidade pra eles(a unica qualidade que importa pra eles afinal)! No mais,tenham paciencia jogadores "hardcore",quando eles conseguirem seus bilhões de casuais eles voltam a se importar com vcs! Até parece...

Fernando Lorenzon disse...

Fugindo do tópico, é muito bacana ver que você anda ouvindo a trilha de Ace Combat Zero. Se ainda não ouviu a do 4, ouça que é a melhor.

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