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16 de abril de 2012

Jogando: Borderlands (Primeiras Impressões)

Borderlands - Box Borderlands é o novo Diablo.

Minha passagem pelo mundo de Sanctuary se resume ao primeiro título da franquia da Blizzard e meu tempo de estrada em Pandora não chega a seis horas, mas, no meu ponto de vista, Borderlands é o novo Diablo.

Primeiro, ele se pretende um RPG a partir do momento em que permite a customização da evolução de seu personagem, escolhido entre quatro classes iniciais. Mas deixa frouxa a narrativa principal assim como a presença de NPCs. Não há diálogos ou escolhas e a maior parte das missões é matar-matar-voltar. O enredo é o que menos importa, o que nos leva ao segundo ponto: o que realmente importa é o estímulo constante aos centros de recompensa do cérebro. Você não consegue passar vinte segundos sem receber uma recompensa, seja na forma de dinheiro, na forma de munição, novas armas ou pontos de experiência, o que só serve para impulsionar você a seguir em frente. Terceiro, para atingir a próxima recompensa, o sistema de combate é simples e viciante e, de certa forma, consiste em clicar em diversos inimigos ao mesmo tempo até eles tombarem. Para complicar as semelhanças, Borderlands também tem um modo online cooperativo, muito frequentado. Houvesse a Blizzard decidido ousar, jogado fora a perspectiva isométrica e tomado o caminho da Bethesda com Fallout 3, certamente o resultado seria algo muito parecido com este trabalho da Gearbox Software. Descontando o visual de desenho animado, é claro.

Borderlands

Apesar de ter derrotado Diablo quatro vezes, não me interessei em seguir o resto da série. Meus gostos seguiram em um caminho diferente das aventuras vividas em Sanctuary. Em Borderlands, tanto o aspecto divertido da experiência e a busca incessante pelo próximo item me trazem boas lembranças. Por outro lado, não me sinto imerso neste planeta alienígena como deveria e não consigo parar de enxergar os mecanismos em ação. São valores numéricos piscando de meus alvos a cada tiro disparado, são os marcadores luminosos de objetos largados no chão, a falta de NPCs (e a falta de atividade dos que existem): tudo isso prova que estou dentro de um jogo, um jogo que sacode uma suculenta cenoura na minha frente. Mesmo Diablo, com seus defeitos, tinha uma atmosfera que me sugou para estranhas catacumbas. Existe uma trama central em Borderlands, mas as missões tem uma relação mínima com o objetivo final.

E os inimigos dão respawn. Infinitos respawn. Saia do jogo e entre de novo e estarão todos lá de volta, menos os mini-chefes. Pior do que isso: avance 100 metros colina acima, suando para matar tudo que se move; volte para reabastecer sua munição ou comprar armas novas e você já terá que enfrentar 1/3 dos inimigos todos de novo perto do lugar onde quer chegar; retorne ao ponto onde estava colina acima e vai enfrentar 1/3 dos inimigos no caminho de volta. Isso inclui os pequenos skags, uns monstrinhos feiosos que dão apenas 1XP por cabeça. Para contextualizar, uma missão simples de ir até um lugar já vale uns 600XP. Então, matar os pequenos skags é uma tarefa sem propósito, mas os monstros não querem saber e avançam na sua direção sem temer pela própria vida.

Mas nada disso chega perto do problema do sistema de salvamento. Borderlands não permite salvar em qualquer ponto. O sistema de checkpoints é automático e não depende de minha ação. Pela lógica, deveria funcionar a contento. Mas tudo que joguei no Sábado não foi gravado e tive que repetir uma missão complicada no Domingo. Parece que é um bug conhecido, mas, tantos anos depois do lançamento do jogo, a Gearbox Software tinha a obrigação de ter corrigido. Um dia eu vou perder duas horas de jogo e vou desinstalar de raiva. Mesmo quando funciona, a distância entre os checkpoints me obriga a jogar um pouco além do que o tempo me permitiria ou correr o risco de perder meu avanço. Voltar para o checkpoint anterior, naturalmente, significa enfrentar um monte de inimigos por áreas em que já passei...

mordecai

Para os sádicos virtuais, categoria onde me incluo desde Blood, porém, Borderlands oferece um banquete de opções. Cada morte é muito bem animada e não falta sangue. Sabe aquelas recompensas que eu falei? Cada uma delas é resultado de uma morte muito bem-executada. Escolhi o personagem Mordecai, especialista em Sniper e Revólveres. Matar os inimigos a uma longa distância é excelente, mas o combate corpo a corpo com os revólveres está me deixando em maus lençóis. Tive a felicidade de descobrir uma nova funcionalidade que gostaria de ter em diversos jogos: um falcão alienígena treinado que ataca sob o meu comando; finalmente entendi a fixação em pets que alguns jogadores de MMO possuem. Bloodwing é seu nome e Mordecai sempre elogia um ataque bem-sucedido: "good boy!".

Com o conteúdo adicional de 3 DLCs e mais as inúmeras missões, Borderlands periga ser um título cansativo, onde o fiapo de história se arrasta a passos de tartaruga entre uma micro-recompensa e outra. Vamos ver por quanto tempo a cenoura me move para frente.

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9 comentários:

Jimmy666 disse...

Borderlands sempre está em promoção no STEAm pelo menos uma vez por mês.
Joguei umas 10 horas do pirata quando o jogo foi lançado e nunca mais me interessei por ele.
É muita chatice pra um jogo só!

José Guilherme Wasner Machado disse...

Confesso que Borderlands não fez minha cabeça, justamente pelos pontos negativos levantados por você. Esse negócio de ter que ir e voltar, e ir e voltar, e toda hora matar todo mundo de novo, e de novo, e de novo, e nem sequer poder salvar onde bem eu entendo, na boa, encheu meu saco! Larguei o jogo para lá. Prefiro perder meu curto tempo em jogos mais interessantes. Esse não me conquistou!

Abração!

Gyodai disse...

Eu vou e volto a esse jogo de três em três meses. Antes, porque o jogo insistia em dar problema com prodigiosa constância. Resolvidos os bugs (e tem bug essa versão mal portada pra PC), continuei indo e voltando porque acabava me cansando. Sou um rato de conquistas e a cenoura costuma me arrastar por kilômetros, mas mesmo assim... Borderlands tem uma quantia tão ridiculamente absurda de quests que eu acabava desistindo. E eu gosto do jogo. Talvez, o grande problema de Borderlands esteja no fato de que ele foi pensado pra ser jogado com os amigos. Mas o multiplayer não deu lá muito certo como se esperava. É o mesmo que eu sinto em relação ao Dead Island. Jogando com um amigo, era divertido pra caramba. Sozinho, a graça foi desaparecendo...

Loris Milloni disse...

Acho Borderlands um ótimo jogo mesmo com alguns detalhes apresentados, porém jamais teria cabeça para refazê-lo com todos os personagens, talvez, daqui uns anos, como faço com meu PSone tirando-o do armário.

Hawk disse...

Também achei o jogo chato, tedioso, cansativo e irritante. Além do final ser horrível.

Terminei apenas para ver se as coisas melhoravam mais para frente, tirando um ou outro momento, quando você encontra uma arma "diferente", o jogo todo se resume a este começo aí mesmo.

Aquino, não sei se você se expressou mal ou eu que não entendi, mas você sabe que tem pontos de save espalhados pelo mapa, não sabe? Eles ficam na parte onde você faz o teletransporte.

Caso esteja com dificuldades para matar um mini-chefe, basta matar os inimigos, até chegar em algum, voltar correndo, salvar e ir matar o mini-chefe, na maioria das vezes, os inimigos ainda não ressurgiram.

É extremamente chato, mas foi a única solução que encontrei.

Breno disse...

"Você não consegue passar vinte segundos sem receber uma recompensa" ... Bem vindo a era facebook...

Marcus Gonzallez disse...

Lixo!

estacado disse...

pelo jeito compartilho a opinião da maioria.

curtei pra continuar a jogar, não gostei dos gráficos (pra mim não combina com a premissa do estilo do jogo) e o respaw dos monstros começou a ficar irritante.

nao sei como é/vai ser o 2, mas passarei longe.

Dener disse...

Border não tem graça jogar sozinho, o povo jogam sozinhos acha o jogo chato e condena o game, mesmo hoje ainda em 2015 ainda é considerado bom.

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