Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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13 de dezembro de 2011

A Conquista da Honra

7554

Antes do Vietnã se tornar um clichê no cinema de ação americano e uma obsessão para o diretor Oliver Stone, o país foi colônia da França. Os simpáticos colonizadores substituíram séculos de uma civilização rica e exuberante com templos magníficos por uma imensa plantação de tabaco e bananas, porque, afinal, é para isso que servem colônias tropicais, certo? Não foi o que os vietnamitas pensaram e entre 1941 e 1954 eles lutaram uma ferrenha guerra de independência. O que começou com um punhado de guerrilheiros comunistas liderados por Ho Chi Minh terminou em uma larga batalha campal entre os exércitos franceses e as mais de 70 mil soldados vietnamitas em Dien Bien Phu, onde o país deixou de ser colônia. A data histórica de 7 de Maio de 1954 se tornou o nome do primeiro FPS produzido no Vietnâ: 7554.

Desenvolvido pela iniciante Emobi Games, o jogo bebe fundo na fonte de Call of Duty: World at War, mas desta vez os asiáticos são os mocinhos. Usando tecnologias como Havok e PhysX, o jogo exclusivo para PC traz a visão de dentro do mais importante momento histórico do povo vietnamita. Apesar de usar personagens fictícios e tomar certas liberdades poéticas em prol da jogabilidade, 7554 apresenta a trajetória do movimento revolucionário e culmina com a Batalha de Dien Bien Phu.

O objetivo da Emobi Games é permitir que o povo vietnamita jogue jogos vietnamitas. Nas palavras do diretor Nguyen Tuan Huy:

"Nunca houve um jogo com este tamanho e escopo vindo do Vietnã e este fato somente já nos dá um bocado de orgulho nacional. É nosso privilégio e nosso desafio criar um jogo de tiro em primeira pessoa que os jogadores irão gostar de jogar. E ainda que 7554 seja baseado em eventos históricos, não é uma tentativa de recriar o passado, mas um veículo para o entretenimento."

Depois de salvar o mundo de terroristas e nazistas repetidas vezes na pele de supersoldados americanos, 7554 pode ser uma bem-vinda quebra de rotina e até um incentivo à produções similares por aqui. Um título baseado em nossa independência seria tedioso, mas eu particularmente adoraria ver um filme ou jogo baseado na resistência do quilombo dos Palmares, uma história repleta de heroísmo e de apelo universal que aparentemente ninguém lembra mais.

7554 chega nas lojas vietnamitas agora no dia 16 de Dezembro, mas o jogo também será lançado no Ocidente. Em fevereiro de 2012, 7554 estará disponível nos Estados Unidos e dará uma chance aos americanos de conhecer mais a história que antecedeu a mal-sucedida intervenção americana no Vietnã.

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Ouvindo: Hexen 2 - The Enchanted Cathedral
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11 comentários:

Poa Kli-Kluu disse...

Jogos como esse, assim como metro 2033, são logo pelo conceito já interessantes. É a história contada por outro ponto de vista além do americano. Estou cansado desse mercado saturado de nazistas "malvados" e desses zumbis razos ( e olha que eu amo zumbis); Quero algo concreto, formulado por outros outros, com outro ponto de vista, nos contando os fatos que foram todos maquiados pelos ganhadores da guerra - Pois como sabemos a história é contada por quem ganha. E a guerra após essa, os americanos não ganharam. Seria ótimo ver a guerra de outro ponto de vista e não do "american way" manipulado.

Jimmy666 disse...

Tenho a biografia de Hoh Chi min aqui e sou filiado ao Partido Comunista, mas outro jogo de guerra?
Não, obrigado!

Bruno Gurgel disse...

"(...)uma história repleta de heroísmo e de apelo universal que aparentemente ninguém lembra mais."

Acredite se quiser, Saints Row: The Third está me fazendo pensar muito nisso. O jogo é escrachado, cheio de humor negro e nonsense e tudo mais, mas... Não me sai da cabeça que, apesar de tudo isso, o jogo não deixa de ser uma crítica pesada ao mundo atual onde assassinos, traficantes e bandidos em geral se tornam heróis e modelos de vida para a juventude.
A primeira coisa que me veio à cabeça quando li sua frase acima foi que um jogo com "heróis" brasileiros incluiria Fernandinho Beira-Mar ou o maníaco do parque, que por algum motivo que jamais entenderei, chegou a ter fãs. Incluindo mulheres.

Enfim, como o Jimmy666, não tenho mais paciência para jogos de guerra, seja ela qual for. Mas é bom ver que mais um passo para sair da mesmice hollywoodiana foi dado.

Jimmy666 disse...

Um dia desses baixei o RED ORCHESTRA 2 pra ver como é que é...
Instalei o jogo e dei "start game"...
Eis que me deparo com aquele mesmo riflezinho que tem em todo jogo de guerra, e aquele tutorial inútil que tem em todo jogo de guerra(e em outros até).
Fechei o jogo e desinstalei, não tenho mais saco pra isso!

LocoRoco disse...

Sobre o RO2, que o Jimmy666 comentou, realmente o singleplayer dele é muito fraco, eu diria desnecessário, mas o que faz ele ser realmente um jogo diferente, igual o seu antecessor RO1, é o multiplayer, embora eu acho que deixou muito a desejar, visto a qualidade do primeiro. Mas esse multiplayer é diferente dos jogo que já pude jogar. Sim, é aquelas mesmas armas de todo jogo de segunda guerra, porém acredito que sua proposta de jogabilidade fala mais alto. Onde o MW3, tem armas diferentes da segunda guerra, armas modernas, mas esse sim é aquele mesmo joguinho de "tiro".
E por falar em mesmas coisas, o que estamos estagnados é na época medieval, é incrível a quantidade de jogos com essa medievalidade. Esse sim eu passo longe, só de pensar em entrar em uma dungeons e ter que matar aquelas aranhas ou esqueletos, me sinto entediado. E qualquer empolgação acaba nesse pensamento.

Jimmy666 disse...

Realmente em termos de "enredo" os jogos pecam muito!
É pra isso que de tempos em tempos temos jogos que revolucionam isso!
Bioshock por exemplo, história perfeita, diferente, ambientação magnifica!

Marcos A. S. Almeida disse...

LocoRoco , eu tenho o RO1 e o achei muito bom!Apesar da temática estar batida o componente estratégico o deixa muito interessante.Sempre joguei no modo batalha homem á homem (tinha mapa só de snipers) e via com um certo preconceito a batalha entre tanques.Mas depois que experimentei...só jogava nesse modo.Infelizmente comecei numa época em que o RO2 estava próximo e os poucos servidores que existiam migraram para ele.Acredito que a Tripwire vai baixar o preço e provavelmente comprarei.

Breno disse...

Fazendo papel de advogado do diabo,eu discordo da posição de Aquino quando ele retrata jogos de guerra ocidentais como super soldados americanos(o que faz agente pensar isso são as mecanicas,como saude regenerativa,entre outros). No medal of honor underground para ps1 nos jogamos com uma guerrilheira francesa,e na serie Call of Duty(pelo menos,que eu saiba,até o primeiro Mw)existe a tematica das forças multinacionais(na campanha principal do primeiro vc joga com americanos,ingleses e russos)!

Jimmy666 disse...

Bom, o Irã baniu Battlefield 3 de seu território e o país acionou uma repartição do governo para desenvolverem um jogo iraniano de guerra!
Se for pra invadir os EUA to dentro!

Kiosia disse...

Há um tempo tive a idéia de fazer um Call of Virgulino. Participei de um grupo de desenvolvimento de jogos, mas não houve muito interesse em levar pra frente.
Apesar de tudo, ainda pretendo amadurecer a idéia e, quem sabe, fazer esse jogo ir pra frente. =D

Seria interessante fazer algum jogo baseado na coluna prestes...

Lucs disse...

Call of Virgulino xD
Com batalhas no semi-árido brasileiro e equipamento limitado.E ainda a historia poderia trabalhar a visão de "Robin Hood" dos cangaceiros.
hahaha.
Seria legal o brasileiro também jogar jogos brasileiros como brasileiros em locais que sejam devidamente brasileiros.

Isso me fez lembrar como gostei das duas missões do Modern Warfare 2 que se passam numa favela.

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