Retina Desgastada
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15 de outubro de 2011

Jogando: Fallout 3 - Point Lookout

Point Lookout, enterrado no interior do estado americano de Maryland, é uma terra esquecida por Deus.  Neste DLC para Fallout 3, a Bethesda tomou o cuidado sádico de criar um detestável pedaço de inferno: um pântano abandonado, com o céu constantemente nublado, tons opacos e sem um único assentamento que possa ser chamado de civilizado. Em todo o território percorrido tampouco encontrei um único indivíduo que valesse uma tampinha de garrafa. Mesmo os NPCs que supostamente deveriam ser pessoas de bem ou guardavam um segredo escuro ou eram movidas por sentimentos menos nobres como vingança cega e ganância. Quem espera encontrar em Point Lookout um pouco mais de esperança do que os arredores de Washington irá se arrepender amargamente. É o tipo de lugar que eu espero jamais retornar.

Point Lookout - My Screenshot 01

O mais irônico é que dentro da meta-narrativa que eu criei para o meu personagem, ele se dirige para a remota região para esquecer o banho de sangue de Broken Steel. O resultado não podia ser mais chocante. Ao contrário dos outros DLCs que eu analisei, em Point Lookout não existe uma espinha dorsal que conecte todos os enredos. Na verdade, o jogo em si não oferece motivação alguma para se estar lá. Explorando por iniciativa própria, o jogador irá esbarrar em algumas tramas: um secular feudo entre dois desagradáveis personagens que clama por uma crescente quantidade de confrontos até sua sangrenta conclusão, uma antiga trama de espionagem envolvendo agentes chineses, uma inocente busca por amostras de solo e até uma arena de ghouls. Há momentos inspirados nesta expansão, como as alucinações provocadas por uma certa substância, a estranha intervenção cirúrgica sofrida pelo protagonista ou a resistência encarniçada contra os invasores dentro de uma mansão vitoriana. O clima macabro tenta emular determinadas convenções do gênero "horror no interior", pegando inspiração em Sexta-Feira 13, Massacre da Serra Elétrica ou Amargo Pesadelo.

Point Lookout - My Screenshot 03

Infelizmente, a Bethesda comete graves deslizes de jogabilidade. O primeiro deles é a limitada oferta de oponentes. Em toda minha aventura, basicamente enfrentei apenas três tipos de inimigos: tribais, contrabandistas e caipiras deformados canibais. Os pântanos estão lotados de Ghouls também, mas desde a obtenção de um certo artefato no jogo principal, eles se tornaram neutros para mim. Ainda que os caipiras sejam a mais interessante aquisição ao universo de Fallout oferecida pelo DLC, eles aparecem bem menos do que os demais e parecem não estar ligados a nenhuma missão em específico. É uma pena, porque são o grande "sabor local" da região.

O segundo problema é o balanceamento dos inimigos. Tanto os tribais quanto os contrabandistas não apenas são onipresentes, como surgem de surpresa vindos de lugar algum e são poderosos de forma irreal. Quando você atira três rajadas de um rifle de assalto na cabeça DESPROTEGIDA de um tribal e ele continua ativo, você desconfia que abandonou qualquer compromisso com o mundo real. Quando o mesmo tribal, armado com um machado, consegue fazer dano pesado em um indivíduo protegido por uma armadura militar, você passa a ter certeza de que o realismo se tornou outra vítima de Point Lookout. Danos incapacitantes em membros ou mesmo na cabeça não surtem o menor efeito, como acontece no jogo principal: um inimigo com o braço destruído continua operando um rifle, um desafortunado com a perna mutilada não tem sua movimentação prejudicada. Este artificialismo torna Point Lookout um lugar ainda mais hostil, mas é um truque barato (e ilegal) que esvazia o prazer proporcionado pela ambientação.

Point Lookout - My Screenshot 02

Ao final de tudo, desgastado, humilhado e odiando o momento em que embarcou para esta viagem, meu personagem confronta um NPC que se mostrou ser tão perturbado quanto os demais. Ele afirma que há pouca diferença entre eles: vagando de lugar em lugar, coletando troféus. A exceção é que certamente o protagonista matou mais gente do que ele. A lógica distorcida do NPC atinge meu personagem com mais impacto do que tudo. Sem forças para discutir, digo adeus para Point Lookout. Que se exploda.

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22 comentários:

Marcos disse...

particularmente eu gostei dessa DLC, mesmo que ela seja bem desbalanceada. Mas pelo que eu sei, ela é pra galera de nível 35 pra cima, mas que eu saiba a motivação de você visitar a ilha é por causa de um pedido de ajuda, da mãe de uma das npcs da ilha..

esse problema de membros machucados aparentemente é resolvida no New Vegas, por sinal um membro quebrado é um problema chato quando não se tem o item adequado pra se cuidar

Breno disse...

Marcos:que eu saiba o limite e nivel 30 não?
Aquino:As screens que vc tirou estão melhores que as minhas lembranças desse DLC(na minha época a minha maquina não era tão boa).é versão vanilla ou vc ta usando mods?
Quanto a disparidade com a realidade:bom temos soldados da BoS que deixa corpos dos seus camaradas com armaduras no chão(lembro que peguei rapidamente essas armaduras só para descubrir que preciso de treinamento);temos agua encanada e luz em predios destroçados pela guerra;crianças e npcs imortais;roupas magicas que te dão inteligencia e te deixam mais adepto da medicina so pelo fato de se vestir com elas,etc..Mas nunca é tarde para se reclamar da falta de consistencia no mundo de fallout 3.

Marcos disse...

na verdade a cada DLC que lançam o número de níveis aumenta, pelo que eu sei vai até 50.

C. Aquino disse...

Marcos, a busca por Nadine é secundária e ela pode ser encontrada rapidamente. O nível máximo em Fallout 3 é 30 mesmo, se você tiver Broken Steeel. Eu cheguei lá e a contagem de XP parou.

Breno, estou usando alguns mods. A terceira imagem é uma clara demonstração de um mod que torna o jogo bem mais sangrento. Vou falar sobre os mods que instalei mais pra frente. Quanto à irrealidade, de fato, Fallout 3 tem muitas liberdades "criativas". O que me chocou em Point Lookout é que depois de mais de 60 horas obedecendo a determinadas regras ter que vê-las jogadas ao espaço no DLC. O sistema de danos é muito discrepante: no Fallout 3 vanilla, se você acerta uma rajada na cabeça descoberta de um Raider, ele cai na hora, se você incapacita a perna de um Deathclaw, ele reduz o movimento. Em Point Lookout, os Smugglers e os Tribais são descendentes diretos do Wolverine!

Breno disse...

Por outro lado,em termos de combate na franquia fallout em geral, não é o que se pode chamar de realista.O caso dos caipiras e dos ghouls reaver é que esses estrapolaram os limites do sistema. É uma´pena que fallout 3 em ambos os casos(mundo e sistema)o jogo tenha tantos buracos criativos.
Cara vc ainda tá com a gforce 9400?por que FO3 era complicado jogar ate mesmo com uma 8600.

A primeira screen me lembra muito o jogo STALKER. Se não for vanilla,o modder esta de parabens.

Marcus Gonzallez disse...

Cara, Fallout 3 é um ótimo jogo, bem melhor que o New Vegas, na mionha opinião, mas os DLC's não gostei. Point Lookout nem joguei até o final. Terminei um dos DLC's, mas não me lembro qual, que achei + ou -, e também o Mothership Zeta. Esse consegue se superar no termo fracasso. Fiquei tão decepcionado com as DLC's de Fallout 3 que não comprei nenhuma do New Vegas.

Eder RM disse...

Em relação ao comentário do Marcus, gostaria de expressar que não acho o FO3 melhor que o New Vegas por uma questão bem pessoal mesmo. O FO3 é bem mais guiado por exploração do mundo do jogo, embora obviamente haja a quest principal e algumas secundárias. Já o New Vegas é bem mais guiado pelas quests, tanto a principal (curta, como sempre) quanto pelas dezenas de secudárias. De fato no NV não há muito locais "bacanas" explorar como FO3, mas isso não me faz falta, porque o NV tem toneladas do que realmente prezo em um RPG, muitas quests e muitos NPCs para interagir (em geral, muito bem escritos, por sinal.

Enfim, sobre DLCs de FO3, achei esse e o The Pitt os mais interessantes. Mothership não serve nem para mod! ;D

Valber disse...

Concordo contigo, Eder. Outra coisa: a distribuição do espaço em New Vegas é mais realista, pois o mundo nao é superpopulado por monstros, como em Fallout 3 ou Diablo 2. Isso faz com que muita gente prefira Fallout 3 por causa da ação ininterrupta, ao passo que os mesmos consideram New vegas "boring" pq gira mais em torno de role playing e dialogos.

Mas ainda assim eu acho a exploração em New Vegas mais interessante (minha opinião), pq transmite melhor essa sensação de solidão que se esperaria de uma "wasteland".

Sobre esse DLC, nunca joguei, mas muita gente o considera como o melhor DLC de Fallout 3. Gostei da análise. Vc precisa de motivação num RPG pra continuar explorando, entao se atinge o level cap e continua tendo a mesma dificuldade que se tinha com os primeiros deathclaws, ha algo de errado...

Marcus Gonzallez disse...

Eu não preferi o FO3 por causa da ação "ininterrupta", mas sim porque acho que ele tem umas sacadas mais interessantes que não encontrei em New Vegas. Por exemplo, a cidade que criou uma religião em torno da bomba que não detonou. A possibilidade de detonar a bomba ou não, e as implicações de cada decisão. O simulador de um "mundo ideal" comandado por um maníaco. A cidade onde todos parecem bonzinhos mas que esconde, literalmente nos porões, uma população canibal. A busca por seu pai e o final sem esperanças. Essas são apenas algumas dentre as histórias (ou estórias, se preferir) que me fascinaram tanto em FO3 e que não consegui deixar de buscar em New Vegas. Mas veja bem, New Vegas é ótimo, só não é melhor que FO3. Mas essa é só minha opinião, e me lembrei, The Pitt foi o DLC que joguei e achei razoável.

Breno disse...

O conceito da cidade em torno da bomba é interessante,mas a execução é desastrosa:Em primeiro lugar,porque alguem em sã conciencia iria construir uma cidade em torno de uma bomba:http://www.youtube.com/watch?v=_Gb0bu2vsuA

E mesmo com esse conceito explicado,a quest para detonar a cidade é motivada em torno de uma pessoa que quer ter uma vista mais limpa da paisagem(LOL)!O detalhe é que a cidade nem chega a ser visivel para o vilão. Ah.tem tambem os vampiros do jogo...mas isso é outra história!

New vegas é um pouco mais aceito pelos old timers pelo fato de esse ter sido desenvolvido pelos desenvolvedores da franquia original,e também pelo fato de sua história ser mais pé no chão,tentando retornar as origens em FO1.Ao que parece,a pior sacada de New Vegas foi a facção dos legionarios,que ficou muito caricata.

Em relação as DLCs da Bethesda e da Obsidian,mesmo a DLC mais lixo como Operation Anchorage está milhas a frente do que a industria coloca para vender como DLC.

Breno disse...

Para quem se interessar,o review de Fallout:New Vegas Feito por Vince D. Weller,desenvolvedor do RPG Age of Decadence e integrante da comunidade No Mutants Allowed: http://www.nma-fallout.com/article.php?id=57162

Embora eu tenha visto uma certa apreciação negativa entre uns comentaristas,quanto ao review feito por ele de Fallout 3,é necessário reconhecer o esforço feito pelo critico em tentar cobrir todos os aspectos do jogo. Até porque hoje em dia ninguem ve algum critico mainstream dedicar tres paginas inteiras ao review de um unico jogo.

Até que eu gostaria de saber sua opinião sobre os reviews e a comunidade NMA em geral Aquino!
E outra,não entendi que regra o DLC Point Lookout fez vc quebrar Aquino.Poderia explicar?

C. Aquino disse...

Breno, ainda jogo com a GeForce 9400GT. Estou usando alguns mods que alteram o clima (chuva e neve) e melhoram as texturas de uma forma geral. O framerate ainda está bom, mas de uns dias para cá (com mais mods), o jogo tem travado sem aviso. Quanto ao NMA, eu frequentava muito no passado quando queria me aprofundar nos universos de Fallout 1 e 2. Eles e o pessoal do Duck and Cover tem o mérito de ter mantido a chama acessa muito depois da Interplay chutar o balde. Tem alguns integrantes fanáticos por lá, mas a maioria é boníssima gente. Quanto ao Point Lookout, ele quebrou as regras de combate ao invalidar a incapacitação de membros para Smugglers e Tribais. E ser quase massacrado por um machado quando se está usando uma Power Armor é muito humilhante.

Marcus, até agora só detestei o Operation Anchorage. Mas também não recomendaria a compra dos outros DLCs do Fallout 3. Pagar 10 dólares em quatro, cinco horas de história não é para mim. Felizmente, comprei tudo no pacote GOTY, o que certamente farei com New Vegas quando sair esta versão (e baixar o preço, porque o cartão não é ilimitado). Meu próximo passo agora será The Pitt. Estou deixando o infame Mothership Zeta para o final.

Breno disse...

Dizem que mothership é um DLC bem fraco,aos moldes de Operation Anchorage(A premissa também não ajuda),pois é muito centrado no combate.Ao que parece,os ultimos DLCs acabam sendo os piores devido ao financiamento limitado(Para New vegas,os provaveis melhores são os DLCs Dead Money e Old World Blues).Acredito que vc vá gostar do DLC The Pitt,pois em termos de quest design eles fizeram um otimo trabalho. Vc vai se ver em uma situação dificil apresentado no jogo.
Voce leu os reviews Aquino?Se sim,qual a sua opinião dos reviews do NMA?
A proposito,em termos de fanatismo,o NMA é 1/10 em relação ao RPG Codex.

Poa Kli-Kluu disse...

Caraca, queria ter comentado antes pra poder participar desta discussão, espero que você leia esse comment, Aquino!

Antes de mais nada, gostaria de saber os mods que você usa, não precisa entrar em detalhes, só me diga por favor o nome dos que usa e dos que recomenda e uma fonte na qual eu possa procurar por eles, que eu ja ficaria muito agradecido.

Já com relação ao post, eu particularmente não joguei Point Lookout, mas estou entusiasmado justamente por este clima mais acinzentado e fúnebre. Também comprei a versão GOTY, mas só joguei o mothership zeta e estou jogando Operation:Anchorage.

Com relação à Mothership, sinceramente, eu achei interessante essa abordagem extrema caricata, mas se for colocar na balança e ponderar todas essas coisas, não vale a pena sacrificar o universo sombrio de FO3 por isso. Sem contar que há muitos poucos inimigos, e a DLC fica muito massante mais pro final. E no final, acabei por desgostar dessa DLC.

Já o Operation:Anchorage eu gostei muito mais por condizer mais com o enredo e ambientação do jogo, tendo um nexo temporal e de ambientação incomparávelmente maior. Porém o jogo também acaba se tornando massante depois de um certo tempo, mas como não terminei ainda o DLC, ainda tenho esperanças.

Até onde sei o nv máximo é 30. mesmo, 20 sem as exp.

Já Breno, com relação à seus comentários, eu também acho que em alguns sentidos, FO3 peca em ser surreal mesmo. Mas alguns dos pontos que evidenciou devem ser ponderados:
Àgua encanada e luz: Passaram-se mais de 200 anos após a queda das nukes, muita coisa poderia ter sido reconstruída.
Crianças imortais: Aconteceu um problema com FO2, que quando foi lançado em alguns países, o jogo foi proibido por que você podia matar crianças, e ainda havia um contador de quantas crianças você matou, logo depois lançando um patch que te proibia de matar crianças, mas gerou diversos bugs em cadeia.
NPCs imortais: Esses condizem com o enredo, se eles morrerem, o jogo não continua. Acho que faz sentido eles não morrerem o.o
Roupas mágicas: Isso é um tom sarcástico do próprio universo do jogo(assim como o pipboy), quase como uma piada. Parte cômica e também uma referência aos clássicos rpgs.

Já Marcus Gonzallez, são exatamente esses acontecimentos e descobertas do universo do FO3 que o deixa tão cativante. Essas descobertas dessas brutalidades, esse valor humano a ser ponderado, essas questões morais, e sua intervenção direta neles. É o que eu mais amo em FO3.

Ja em seu 3º comentário Breno, não acho que a idéia da religião seja mal executada, assim como não acho que alguém que quer destruir a cidade só por causa da vista e os vampiros, não acho que isso sejam pontos fracos. É justamente por isso que acho fascinante, pelo menos de minha parte, me fez ponderar: "Onde está a humanidade nas 'pessoas' que vivem em wastteland? Matar outros só por uma vista?", ou então "Meu deus! O quão doentes são esses moradores de Megaton pra viverem do lado de uma BOMBA!", eu só acho triste mesmo não dar pra ver Megaton da Tenpenny tower ;/

NV realmente oferece coisas que FO3 não têm, vejo isso nitidamente. Jogadores mais hardcores como eu amaram o modo de jogo que você precisa comer, beber com tons mais realista. Também fiquei muito chateado com a quebra desse sistema que era uma feature quase principal da mecânica de FO3. Queria poder atirar na cabeça das pessoinhas e realmente vê-las morrerem .-.

(caraca, acho que escrevi demais D:)

Marcus Gonzallez disse...

Aquino, só uma dica: http://www.uberkeys.com.br/produto-25-fallout_new_vegas - New Vegas/Steam por R$ 49,90. Super de confiança o lugar. Se quiser, pode comprar sem medo e ativar na Steam. Compro alguns jogos desses revendedores de Keys. Recomendo este e o Cd-key Brasil. Como eles conseguem esses preços? Isso não sei.

Poa Kli-Kluu disse...

Meu deus do céu Marcus, na boa, esses preços são surreais demais!
Não sei se eu que sou paranóico demais, sei lá, mas cara, 50 conto por um lançamento? Ta brincando.

Esses caras traficam orgãos? São hackers? Alieníginas? Dinossauros?

Na boa, por que raios e como raios eles conseguem esses preços? o.O

Breno disse...

Poa: Na questão da agua encanada e luz eu me refiro a predios completamente abandonados,exceto por um ou outro monstro que se encontra no local.
Na questão das crianças,a intenção dos desenvolvedores dos FO originais erá que elas poderiam morrer.O problema em questão foi a censura em alguns países.Os NPCs imortais previne bugs no jogo,mas também mostra as muitas limitações do jogo.
Roupas magicas:A intenção pode até ter sido boa,mas disso o inferno está cheio não XD?A função dos uniformes no universo de fallout seria oferecer proteção e resistência contra ambientes insalubres. Que eu saiba,só as Power Armos é que lhe davam maior atributos(a maioria fisicos)e mesmo assim,o personagem precisa ter os requesitos para usar a armadura.Particularmente achei sem sentido as roupas magicas de FO3.

Eu não comentei sobre a religião,mas sim sobre a falta de motivação para os NPCs construirem uma cidade em torno da bomba(pelo menos os que não fazem parte da religião). O problema nesses casos é que acabam não fazendo muito sentido.Os Super mutants são outro exemplo latente.Os desenvolvedores se preucuparam somente em colocar os elementos dos jogos anteriores,sem saber o quão interessante são esses elementos ou como eles se encaixam no universo.O caso de Fallout 3 está mais para maldade patologica(de loucura mesmo)do que pragmatismo(embora faça sentido a primeira vista,não se esqueça que o jogo se passa em uma sociedade em reconstrução e não uma sociedade em colapso).
E as questões de moralidade no jogo,em sua maioria, se resume a essas tres decisões:
1-salve o filhote(bom)
2-mate o filhote(ruim)
3-não se envolva(neutro)

Eder R M disse...

O que eu adoro no New Vegas é que ele é, em muitos pontos, extremamente sutil. Há várias coisas no jogo, desde itens a sidequests, de referências a explicações mesmo da motivação de NPCs e acontecimentos da históa principal que o jogador precisa ir atrás, precisa buscar. Isso sem falar nas quests dos companions, pois muitas necessitam de certos "triggers" um tanto difíceis de conseguir/se dar conta em um jogo só (outra coisa excelente no game, companios que têm sua história e diálogos com o jogador).

Digo isso em função do comentário do Marcus sobre as "histórias" que o marcaram no FO3 que ele não encontrou no NV.

Bem, IMO, há muitas, muitas histórias interessantes espalhadas por NV. A primeira coisa que vem à mente é a Vault 11. Uma vault que você só é "obrigado" a visitar durante uma sidequest para conseguir um item. Mas a história dessa Vault, que você descobre aos poucos, através de gravações de áudio, textos e e-mails (e através de posters nas paredes que a princípio não fazem muito sentido) até chegar a sua conclusão na "sala secreta" do Overseer, é uma das mais contundentes e inquietantes análises da condição humana que já tive contato.

E é apenas uma história "esquecida", que não faz alarde nenhum perante o jogador. Pelo contrário, é um conto que está à espera de ser descoberto por um intrépido explorador.

Marcos disse...

o que é foda no Nv é que tu ta num fogo cruzado entre as facções, mesmo tu sendo bonzinho, e tendo personagens bons entre as facções, tu nunca vai agradar a todos, por que cada um tem uma motivação antagônica.

além disso, uma atmosfera mais caótica e irônica que resgataram dos jogos anteriores.

Poa Kli-Kluu disse...

Breno - Eu achei legal as roupas mágicas justamente por isso XD
Se você usar Naughty Sleepwear, por deixar-se mais "à mostra", e justamente por isso, você se torna mais... "carismático", assim como beber um pouco de vinho te deixa mais solto e desenvolto. Já aquelas roupas que aumentam skill, como a de médico que aumenta First Aid, bem... Achei legal mesmo não fazendo muito sentido, é um recall aos velhos tempos lol
Já os prédios antigos, anguém pode ter passado por lá, mas é engraçado mesmo que muitos funcionam estranhamente.

Já os mutantes são bem abordados depois, há até o sentido deles na história, mas se explica em quests secundárias, se não estou enganado. Já para as pessoas de Megaton, bem, eu não consigo ver como algo ruim. Como o guarda mesmo disse na entrada da cidade, as pessoas queriam entrar na vault 101, e acabou que ficaram por ali mesmo, afinal de contas, é complicado e loucamente mortal simplesmente 'sair' por aí procurando um lugar pra ficar, afinal de contas "a bomba não estourou mesmo, nem vai mais estourar", acredito que os moradores de lá devem pensar, e simplesmente seguem a vidinha deles.
Já nas decisões morais, mesmo sendo ligeiramente limitadas, em algumas ocasiões há como ir além, e em outra é mais limitada as escolhas. Mas mesmo assim é significativo o poder de escolha em suas mãos.

Algum dia FO3 ainda vira realidade virtual!

Eder R M disse...

Só mais um comentário sobre o NV (em função do coment. do Breno sobre a Legião ser caricata).

Pessoalmente, por mais que beire o absurdo, acho a Legião (sendo inspirada no Império Romano) um contraponto brilhante à tentativa do NCR de emular a democracia pré-guerra/apocalipse nuclear, o que cai como uma luva na temática fortemente política da main quest do NV.

Claro, os métodos da Legião são execráveis, mas a conversa que é possível ter com o Caesar (líder da Legião) sobre suas motivações não deixa de levantar questões que merecem relfexão.

Aliás, isso é algo que me fez ficar fascinado com o NV: ele é, desde o Deus Ex original, um dos pouquíssimos jogos que me fez pensar sobre temas que também dizem respeito ao nosso dia a dia atual, como democracia, liberdade, a sociedade etc.

Breno disse...

Eder:interessante sua explicação.Tenho essa ideia pois escutei muito essas criticas sobre os legionarios(ao que parece,as ações que o jogador ve deles é sempre cruel).
Poa:Até entendo as suas ponderações, só que o problema é que os desenvolvedores deixaram muitas coisas para a imaginação do jogador,o que poderia ser resolvido com algumas simple linhas de conversas.Isso se da o nome de fandom,quando os fãs tentam explicar as pontas soltas de um jogo(vide squall is dead de final fantasy 8)

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