Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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30 de dezembro de 2010

Top 10 Compositores de Música para Jogos

Na adrenalina da luta pela sobrevivência até a próxima fase, com disparos letais voando sobre nossas cabeças ou feitiços sombrios sendo conjurados na nossa frente ou legiões de oponentes surgindo por todos os cantos, raramente conseguimos nos concentrar em algo além dos próprios instintos. Mas, depois que o jogo é salvo e o aparelho desligado, sua música volta para nos assombrar e nos flagramos assobiando uma canção ou com um instrumental que nos persegue o dia inteiro. Essa é a função do compositor de músicas para jogos eletrônicos: criar uma trilha sonora que complemente sua narrativa e promova uma resposta emocional que pode durar por muito tempo, mesmo meses ou anos após o término do jogo.

Toda lista tem uma alta dose de polêmica e criar uma postagem dessas é um convite a comentários passionais. Mas, em homenagem aos grandes gênios eu coloco aqui seus nomes em letras garrafais, em uma ordem não muito exata de preferência e/ou relevância. Opine se você não concorda ou simplesmente aproveite a oportunidade de conhecer ou relembrar o trabalho destes mestres:

10) Chris Vrenna

Vrenna está fortemente ligado à cena do rock industrial. Além de fundador do grupo Tweaker, ele já foi baterista do Nine Inch Nails entre 1989 e 1997 e atualmente toca teclados com a banda de Marilyn Manson. Como produtor, engenheiro de som e remixer, Vrenna trabalhou com nomes como Rammstein, David Bowie, Megadeth, Metallica e muitos outros.

Na área dos jogos eletrônicos, Vrenna foi responsável por títulos como Doom 3, Quake 4, Enter the Matrix, Need for Speed Most Wanted e Tabula Rasa. Suas influências estão claras no seu trabalho, geralmente repleto de batidas pesadas e climas soturnos.

Confira abaixo a música "Village of the Doomed", para o jogo American McGee's Alice (2000):

 

9) Harry Gregson-Williams

Gregson-Williams é mais conhecido como compositor de trilhas sonoras para filmes. Ele foi o responsável por Cruzada, os dois primeiros filmes de As Crônicas de Nárnia, a série Shrek, A Rocha, X-Men Origins: Wolverine, entre outros. Entretanto, seu trabalho à frente da saga Metal Gear para a Konami garantiu o seu lugar na lista dos grandes compositores de jogos eletrônicos.

Ainda que Gregson-Williams não tenha sido o criador dos temas principais de Metal Gear, seu trabalho de composição e arranjo a partir de Metal Gear Solid 2 em 2001 acabaram por vincular seu nome ao audacioso épico de Hideo Kojima. Essa parceria já se estendeu por cinco jogos, incluindo último Metal Gear Solid 4: Guns of Patriots.

Veja abaixo a faixa-tema de Metal Gear Solid, executada durante a VGL:

 

8) Jeremy Soule

Soule já deixou o seu toque em mais de 60 jogos, em pouco mais de quinze anos de carreira. O artista aos 19 anos de idade preparou um portfólio de composições suas e enviou o material para a produtora Square. Duas semanas depois estava contratado e trabalhando no desenvolvimento da trilha do jogo Secret of Evermore. Dois anos depois, já fora da Square, Soule ganharia seu primeiro prêmio de "Melhor Música", pelo jogo Total Annihilation.

O compositor é mais conhecido pelas músicas compostas para as séries Elder Scrolls, Neverwinter Nights e Dungeon Siege. Em entrevista, o mestre declarou que prefere trabalhar com jogos de RPG, por serem jogos muito visuais em sua natureza. Soule sempre produz sua música baseado apenas em artes conceituais e storyboards, muito raramente vendo o resultado final do jogo antes de compor.

Ouça abaixo a música tema de Elder Scrolls III: Morrowind (2002), executada por uma orquestra sinfônica:

 

7) Tommy Tallarico

Tallarico se tornou mundialmente famoso por ser um dos co-criadores e apresentador do evento Video Games Live. Através deste projeto, a música dos jogos se popularizou fora das telas dos aparelhos e conquistou as casas de espetáculo, com eventos conduzidos por orquestras e repletos de efeitos multimídia.

Entretanto, Tallarico também possui um amplo histórico de composição de trilhas sonoras. Por suas mãos já passaram títulos como MDK, Unreal, Another World e Advent Rising. O compositor já acumula 25 prêmios pelo seu trabalho, incluindo a nomeação de Embaixador durante a Game Developers Conference pela sua contribuição à indústria dos jogos eletrônicos.

Tallarico também é primo de Steven Tyler, vocalista da banda Aerosmith!

Confira a seguir a faixa principal de Advent Rising (2005), executada durante a VGL:

 

6) Jesper Kyd

Kyd se interessou desde criança por gitarra clássica, leitura de notas, corais e composição clássica para pianos, sendo um auto-didata. Aos catorze anos, quando ganhou seu primeiro computador, um Commodore 64, passou a se interessar em criar músicas para a cena demo, onde programadores avançados tentam combinar os melhores efeitos visuais e sonoros usando o mínimo de código possível. A profissionalização veio logo em seguida.

Kyd alcançou a atenção do público por volta do ano 2000, quando três jogos com composições suas foram lançados simultaneamente: MDK Armageddon, Messiah e o sucesso instântaneo Hitman. Já a partir da continuação de Hitman, Kyd passou a utilizar corais e orquestras sinfônicas em seus trabalhos e uma longa e bem-sucedida parceria com a IO Interactive, desenvolvedora do jogo (formada por antigos integrantes do grupo de demos que Kyd participara). Além da série Hitman, o trabalho de Kyd pode ser encontrado hoje em jogos como Splinter Cell: Chaos Theory, Unreal Tournament 3 e a série Assassin's Creed.

Ouça abaixo a faixa principal do jogo Freedom Fighters (2003):

 

5) Martin O'Donnell

O'Donnell começou sua carreira criando jingles e músicas para rádio e TV. Apenas aos 32 anos, entrou no mercado de jogos eletrônicos, quando sua empresa foi contratada em 1997 para criar a trilha do jogo Riven, continuação do sucesso Myst. Este trabalho chamou a atenção de uma outra empresa que iria mudar sua vida para sempre. Naquele mesmo ano, O'Donnell passaria a trabalhar na trilha do jogo Myth II e em outros projetos da desenvolvedora Bungie, incluindo o embrionário... Halo. A parceria O'Donnell-Bungie continua ativa mais de dez anos depois e produziu em 2004 a trilha sonora de jogo mais vendida de todos os tempos: Halo 2.

Devido à diferença de idade, O'Donnell se diz admirador do trabalho de outros compositores de jogos, como Jeremy Soule, Koji Kondo e Nobuo Uematsu, mas que não se sente influenciado diretamente por eles. Como influências ele cita compositores clássicos como Brahms e Beethoven, além de grupos de rock progressivo como Genesis e Jethro Tull.

Confira a seguir a música "Finish the Fight", do jogo Halo 3 (2007):

 

4) Robert "Bobby" Prince

"Bobby" Prince lutou no Vietnã como líder de pelotão entre 1969-70. Como um homem que conheceu o inferno e voltou, nada mais adequado do que compor a trilha sonora do clássico Doom em 1993.

Como compositor independente, "Bobby" Prince ajudou a forjar uma geração de jogos de tiro em primeira pessoa, tendo  sido o responsável pelas trilhas e efeitos sonoros de Doom, Doom II, Duke Nukem 3D, Wolfenstein 3D e Rise of the Triad. Em 2006, ele recebeu um prêmio pelo conjunto de sua obra.

Ouça abaixo a música composta para o primeiro episódio, primeiro mapa de Doom (!994):

 

3) Nobuo Uematsu

Uematsu começou a tocar piano aos onze anos de idade como auto-didata e tinha como principal ídolo o popstar Elton John. Décadas mais tarde ele alcançaria a posição de um dos mais influentes e respeitados compositores da indústria dos jogos eletrônicos. Em 1985, aos 26 anos iniciou uma parceria com a desenvolvedora japonesa Square que iria durar vinte anos e vincularia seu nome para sempre à famosa série Final Fantasy. Seus trabalhos também incluem outros RPGs como Chrono Trigger, Lost Odyssey e The Last Story.

Com Final Fantasy e seus temas recorrentes, Uematsu se consagrou. O compositor foi responsável pela trilha de quase todos os títulos da série, do primeiro, em 1987, até o recente Final Fantasy XIV (de 2010). A única exceção na trajetória foi a trilha de Final Fantasy XIII, criada pelo seu colaborador Masashi Hamauzu por problemas de agenda.

Entre 2002 e agosto de 2010, Uematsu fez parte do grupo de rock instrumental The Black Mages, junto com colegas de trabalho da Square-Enix. O grupo tocava versões das músicas de Uematsu e chegou a lançar três álbuns.

Confira abaixo o The Black Mages executando a música "One-Winged Angel", de Final Fantasy VII (1997)\;

 

2) Akira Yamaoka

Yamaoka é o gênio perturbador por trás das trilhas sonoras da série Silent Hill. Inicialmente, ele tentou carreira como designer, tendo estudado na Tokyo Art College, mas acabou seguindo sua vocação para a música. Entretanto, ele já declarou em entrevistas que sempre que está compondo ele tenta combinar Arte e Música.

Seu trabalho mais conhecido é a série Silent Hill, cuja trilha ficou em suas mãos durante oito títulos. Seu estilo mistura atmosferas sombrias, sons sobrenaturais e arranjos melancólicos. Yamaoka cita como influências os trabalhos do compositor de trilha de filmes Angelo Badalamenti, da banda Metallica e do grupo Depeche Mode.

Em 2009, Yamaoka rompeu uma parceria de 16 anos com a desenvolvedora Konami e o próximo jogo da série Silent Hill será o primeiro sem o talento do compositor. Atualmente, Yamaoka está trabalhando em um novo jogo de horror chamado Shadows of the Damned, para a a Electronic Arts.

Ouça abaixo a faixa "Theme of Laura", de Silent Hill 2 (2001):

 

1) Koji Kondo

Kondo é uma lenda viva da indústria dos jogos eletrônicos. Em 1984, atendendo a um anúncio publicado no mural da faculdade onde estudava Planejamento de Arte, ele foi até a Nintendo para ocupar o primeiro cargo de compositor musical oferecido pela empresa. Sem sequer apresentar um portfólio de gravações, Kondo foi contratado e entraria para a História ao criar temas inesquecíveis como a trilha de Super Mario Bros e Legenda of Zelda.

O gênio de Kondo não estava em sua capacidade musical, que ele mesmo admite ser limitada. Mas ele demonstrou um enorme talento para composição e edição, além da capacidade de superar a limitação técnica da época e produzir temas inesquecíveis. Sua intenção ao criar a trilha de Super Mario Bros em 1985 era criar pequenos segmentos de música que podem ser repetidos indefinidamente sem causar tédio ao ouvinte. O resultado foi uma canção-tema que já foi executada por mais de 50 orquestras e é um dos ringtones mais utilizados no mundo.

Veja abaixo o próprio mestre Koji Kondo tocando a música da série Mario:

Ouvindo: Ministry - Brick Window
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3 comentários:

Carlos disse...

Duas músicas que considero inesquecíveis: 'Stones' do jogo Ultima e 'Tristram' de Diablo. Não sei o nome dos compositores. :X Feliz ano para todos da Retinadesgastada!!! :D

Marcel C. Da Silva disse...

Lembrando agora, a trilha sonora de F-zero X(n64) é bem única e trabalhada, a do Killer Instinct também, é incrível saber quem está por trás de todos esses hits que marcaram a era de ouro dos consoles, saudades dos tempos em que a família se reunia na sala pra jogar alguma coisa em Versus no famoso Splitscreen.

Marcel C. Da Silva disse...

Ahh deve ser o meu zombie mode on que acabei esquecendo de desejar um Feliz Ano Novo!!(com as letras iniciais em maiúsculo mesmo).

Retina Desgastada

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