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1 de dezembro de 2010

Facetas de Halo

Halo Evolutions O livro Halo Evolutions tem o pretensioso subtítulo de "Contos Essenciais do Universo Halo". Não se deixe enganar: não há nada de "essencial" nestes contos, ainda que seja possível encontrar umas três histórias ou mais que sustentam a coletânea inteira. A esta altura da popularidade, com tantos jogos lançados, animes, livros, quadrinhos e outros derivados, é de se esperar uma certa dose de megalomania por parte dos envolvidos, mas o adjetivo "essencial" vai ficar atravessado em minha garganta durante toda esta análise...

Coletâneas de contos também tem a maldição de serem todas irregulares. Seja por que foi preservada a liberdade criativa de cada autor, seja por apresentar estilos diferenciados, seja por nem todos os participantes estarem motivados da mesma forma ou terem discrepantes níveis de domínio do tema, a verdade é que é impossível se gostar de todos os contos de qualquer coletânea, por melhor que seja o trabalho do editor. Este fator é agravado aqui por que nem todos os escolhidos para escrever são escritores profissionais. Parte do elenco de Halo Evolutions é membro ativa do desenvolvimento do jogo, vindos da Bungie ou da 343 Industries, e não tinham experiência prévia com a arte literária. Profundo conhecimento de um contexto ficcional e boa-vontade raramente é substituto de talento narrativo, ou o mercado editorial já teria sucumbido diante do poder dos fanfics.

Para ficar apenas em um exemplo, Robt McLees, da Bungie, deveria se ater a criar jogos. Seu conto Palace Hotel é uma enfadonha descrição de rápidas escaramuças envolvendo Master Chief durante os eventos de Halo 2. Como se ser chato não fosse pecado suficiente, ele larga subitamente ao final da história uma improvável aparição de uma amiga de infância (!!) do Spartan no meio do caos da guerra. Considerando que, segundo o cânone, John-117 entrou para o programa Spartan aos seis anos de idade, forçar uma coincidência para resgatar alguém que o personagem não via há décadas é subestimar a inteligência do leitor.

Em Halo Evolutions temos uma boa dose de histórias clichê que invariavelmente envolvem o sacrifício de alguém em prol da preservação da Humanidade. Grandes momentos da ficção militar, seja futurista ou realista, ou mesmo da História, envolveram abnegados sacrifícios, mas quando você reúne tantos contos com a mesma espinha dramática no mesmo volume, o resultado é catastrófico...

Mas há boas histórias.

Tobias Buckell (de Cole Protocol) retorna ao universo de Halo com Dirt, uma bem-escrita saga de... sacrifício. Porém, seu texto é tão agradável e seus personagens tão humanos e plausíveis, que a inevitável conclusão é perdoável. No conto, acompanhamos um grupo de amigos oriundos de Harvest, uma colônia humana afastada, desde seu passado em fazendas até seu alistamento nas forças coloniais, passando por sua absorção na Marinha até seu envolvimento na guerra contra a Covenant. A mudança de personalidade do protagonista, que antes desprezava seu planeta natal, é muito bem arquitetada.

O conto The Mona Lisa é a prova viva de que é possível misturar terror, uma nave-prisão infestada de monstros e uma equipe de resgate com arrepiante sucesso. Com 120 páginas e a mesma premissa do patético Death Troopers, Jeff VanderMeer e Tessa Kum conseguem o que Joe Schreiber não conseguiu fazer em 265 páginas e o universo de Guerra nas Estrelas. Tensão da primeira até a última página e personagens marcantes garantem uma excelente história.

Preston Cole Eric Nylund volta triunfante para o universo que ele ajudou a forjar na literatura com o conto The Impossible Life and the Possible Death of Preston J. Cole. Ele nos apresenta a biografia "não-autorizada" de um personagem fundamental de Halo: Preston Cole. Pela primeira vez é possível ver também um Nylund mais descontraído, incluindo algumas passagens mais leves e pitorescas para narrar a estranha vida do oficial que criou os Protocolos Cole. E, como que para provar que continua o mesmo, Nylund nos presenteia com fantásticas batalhas espaciais entre a frota da UNSC, a Insurreição e a Covenant.

Fechando a coleção, Kevin Grace (da 343 Industries) limpa o nome dos não-escritores com o conto The Return. É o único do livro a mostrar o ponto de vista da Covenant e, até agora, o único a mostrar o ponto de vista da Covenant depois do fim da própria Covenant. Ao seguir a peregrinação de um Elite através de um planeta obliterado, Grace nos revela o que se passa na mente de uma raça cujo destino "sagrado" foi negado e o que o futuro pode lhes reservar.

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