Retina Desgastada
Idéias, opiniões e murmúrios sobre os jogos eletrônicos
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18 de setembro de 2010

A Revolução Caminha

Agora eu sei a verdade. Agora eu conheço Deus Ex. Junto-me, então, às fileiras desta elitizada cabal de connoisseurs que anseia secretamente pelo controle da indústria dos jogos eletrônicos. Ou pelo menos, uma continuação decente, se o plano principal não for possível. De posse deste conhecimento, o que pode ser dito em relação ao hype para com Deus Ex: Human Revolution?

A Tokyo Game Show nos trouxe um novo trailer do jogo, que reapresenta diversos segmentos do primeiro (e já lendário) primeiro trailer e mostra mais um pouco da jogabilidade vista antes. O que há de novo neste vídeo, afinal? Uma assassina que é um clone selvagem de Rihanna? Uma estranha sugestão de viagem para o espaço? Um enigmático complexo industrial submarino? Tire suas próprias conclusões, antes de eu expor minhas próprias impressões:

Primeiro de tudo, gostaria de ressaltar que o tom imposto pela Square-Enix é mais do que bem-vindo. Há algo claramente japonês neste novo jogo e não estou falando apenas da dublagem do trailer. O padrão de qualidade das animações, o clima de Ghost in the Shell e Akira, tudo isso impressiona. Com toda sua tecnologia de ponta, o Japão sempre foi romantizado como a Meca dos cyberpunks e chega a ser um sinal do destino que uma empresa tão significativa para a história dos jogos no país tenha adquirido a Eidos e esteja bancando uma continuação para o clássico.

Segundo, e mais importante: onde está o RPG? Onde está a interação com NPCs complexos, onde estão os diálogos filosóficos, a caracterização das pessoas comuns da rua, as escolhas de furtividade para a ação? Deus Ex: Human Revolution carrega um bocado de expectativas em suas costas e, se não atendê-las, corre o risco de ter o mesmo fim de Invisible War, um título considerado por muitos como um bom jogo, mas uma péssima continuação.

Criar uma sequência não é apenas pegar alguns conceitos do jogo original, colocar um logo em um espaço da tela e mandar para as prateleiras das lojas. Diante do que já foi mostrado, eu tenho certeza de que Human Revolution será um título fantástico, com altíssimo padrão de qualidade. Resta ainda saber se Human Revolution merecerá ou não o título de Deus Ex 3.

Deus Ex: Human Revolution

A Voz do Revolucionário

O site Rock, Paper, Shotgun conversou com Jean-François Dugas, designer chefe de Deus Ex: Human Revolution. Seguem alguns trechos abaixo:

Deus Ex: Human Revolution RPS: O que o jogo original significa para você?

Dugas: Para mim, Deus Ex 1 foi... bem, foi avassalador. Para mim, foi um jogo que me fez sentir esperto, pela forma como eu estava jogando com as ferramentas que tinha disponíveis. Isso foi muito satisfatório. Não foi o primeiro jogo a fazer este tipo de coisas, eu diria, mas foi um dos primeiros onde esse senso particular de realização estava em evidência. Uma das coisas importantes para mim naquele momento, uma das coisas que ficou comigo, era o fato de que o jogo iria refletir suas ações. Dessa forma, dependendo de como você agia, diferentes personagens iriam dizer coisas diferentes para você. Para mim isso tinha ressonância, por que eu não me sentia como um fantasma no jogo, eu era parte dela. Este foi um aspecto super-forte no jogo, e importante.

RPS: Um assunto que sempre vem à tona quando falamos de Deus Ex é que se Invisible War não tivesse o nome Deus Ex vinculado a ele, pode ser que ele não tivesse sido julgado tão duramente. Mas também existe a questão de que o jogo foi pensado para os consoles, o que torna isto interessante, e possivelmente relevante para você?

Dugas: Antes de nós realmente começarmos a desenhar Deus Ex: Human Revolution, nós voltamos atrás para os dois primeiros jogos e os jogamos novamente. Ainda que o segundo não tenha sido tão bem recebido, é importante retroceder e ver o que foi feito. Nós também tivemos que retroceder ao jogo original, por que você não ter jogado um jogo como este por anos e você termina como memórias de souvenir de tudo. Jogando de novo agora permite que você volte e veja o que era forte e o que não era forte. (…) Dito isto, nosso jogo é mais baseado em Deus Ex 1 por que o aspecto de RPG é mais forte. A forma como as coisas eram utilizadas, a lista de funcionalidades, isto é mais forte. Mas, de uma forma geral, é sobre entender os valores existentes nos dois jogos. Nós queremos reviver isto para um terceiro jogo, compreendendo a franquia através de ambos os jogos anteriores foi a melhor forma de fazê-lo.

RPS: Voltando ao que você estava estava dizendo sobre valores, jogando DX outra vez recentemente, eu notei que, assim como em System Shock e Thief, que todos estes jogos basicamente deixam você se sentindo um bocado vulnerável. Você tem que fugir de múltiplos adversários, precisa se esconder e por aí vai. Human Revolution terá um senso de ameaça ao seu personagem similar?

Dugas: No início, você não tem muitos implantes, então você não tão poderoso. Mas na medida em que você avança e explora algumas áreas fora do caminho principal, então você irá aperfeiçoar seu personagem. Você não será invencível de forma alguma, em nenhum estágio, mas no fim do jogo você será mais como um Robocop do que um ser humano.

Dugas: Agora, nós estamos balanceando o jogo. Eu estava jogando com os novos ajustes esta semana e se houver mais de dois ou três inimigos na tela, você irá ser derrubado rápido, principalmente se você não prestar atenção ao seu redor. Nós planejamos tornar possível a abordagem do assalto frontal, como qualquer outro método no jogo, como hackear, mas o assalto frontal vai exigir um pouco de raciocínio. Se você quiser jogar como se estivesse em Serious Sam, você vai descobrir que este jogo não é o que você estava procurando.

RPS: Em relação ao armamento não-letal, ele será central para o jogo? Haverá alguma ocultação de corpos inconscientes e outros detalhes?

Dugas: Com certeza. Se nós considerarmos como exceção alguns poucos encontros forçados, você poderá jogar todo o título sem matar ninguém. Ou, se você decidir matar todos eles, fica ao seu critério. Com armas não-letais, se você não esconder os corpos, você descobrirá que outro guarda irá aparecer, irá acordar seu companheiro e os dois juntos vão procurar por você. Não será sempre necessário, por que alguns inimigos estará sozinhos e isolados, mas isto é sobre gerenciamento de riscos. Você terá que arrastar corpos para esconderijos.

RPS: OK, esta é uma pergunta desagradável. Em DX 1 havia animais mutantes. Os greasels, e uns bichos meio crocodilos. Haverá algum tipo de animal mutante em  Human Revolution?

Dugas: Uh, não.

RPS: OK, vamos falar de tamanho e linearidade. O quão aberto serão os níveis? Esta era uma das forças de DX1, na minha opinião, que você poderia encontrar sua própria rota através de vários níveis…

Dugas: Teremos uma mistura de áreas abertas e espaços mais confinados. (…) Mas também haverá missões onde nós iremos para atrás das linhas inimigas e estas são mais comparáveis com a Area 51, se eu puder compará-las com o Deus Ex original.

Dugas: Então, você terá áreas urbanas onde você terá que explorar, e dentro destas haverá interiores que você precisará invadir, e então você irá voar para locações onde as coisas são mais restritas. E vice-versa. A história é linear no sentido em que você revelará uma camada de cada vez, mas as escolhas que você faz irão revelar a história aqui e ali, explore isto e aquilo. O jogo lhe dirá quando é hora de ir para dentro de um complexo ou algo assim. É uma estrutura linear com muitas possibilidades dentro da estrutura.

Deus Ex: Human RevolutionRPS: Finalmente, Deus Ex foi um jogo de certa forma filosófico e político. Estava repleto de ideologias e tentou lidar com elas dentro do jogo. Com o que você está lidando, ou tentando lidar, em  Human Revolution?

Dugas: Nós temos alguns temas. Transumanismo está no foco da experiência. Nós estamos perguntando a questão sobre nossa própria evolução, e perguntando onde nós devemos chegar. Isto é bom para a humanidade ou não? Estas mudanças são importantes, e reais.

Dugas: Mas um dos objetivos finais em que nós estamos interessados em explorar é o fator humano. Por que as pessoas fazem o que elas fazem? Personagens no jogo acreditam em alguma coisa, então qual é o fator por trás de sua racionalização? Nós queremos dar um elemento humano a isto, explorar os motivos por trás de suas ações. Na vida real nós iremos demonizar pessoas porque suas crenças não combinam com as nossas, mas quando você tenta entender estas pessoas você vê que elas simplesmente vem de um diferente contexto, uma vida diferente. Isto é que nós estamos tentando alcançar em  Human Revolution, dar uma terceira dimensão para as maquinações de nossos personagens e não apenas dizer "Bwaha, eu sou mal por que eu gosto de fazer estas coisas!".

Você pode conferir a entrevista completa (em inglês) em http://www.rockpapershotgun.com/2010/09/13/deus-ex-3-jean-francois-dugas-interview/

Ouvindo: Silent Hill - Until Death
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4 comentários:

Anônimo disse...

AQUINO,ESTOU CONTENTE E AO MESMO TEMPO UM TANO DECEPCIONADO COM AS DECLARAÇÕES.NÃO HAVENDO CRIATURAS MUTANTES EM DEUS EX DIMINUI A SUA VARIEDADE , E EU PENSANDO QUE EM DEUS EX 3 IRIA TER MAIS CRIATURAS QUE NO PRIMEIRO GAME!ACREDITO QUE OS FÃS ,ASSIM COMO EU, IRÃO SENTIR FALTA DESSA REALIDADE FANTASTICA DE DEUS EX 1, ONDE APARECIA CRIATURAS MUTANTES EM LABORATORIOS E CAVERNAS.ISSO JÁ NOS DEIXA CLARA A IMPRESSÃO DE QUE DEUS EX 3 NÃO TERA CONSPIRAÇÕES TÃO FANTASTICAS COMO NO PRIMEIRO.MAS SE DEUS EX 3 NÃO TIVER ALIENIGENAS,ENTÃO O JOGO FICARÁ MUITO CHATO!POR OUTRO LADO ESPERO QUE ELES VARIAM NOS CENARIOS DO GAME,COMO VIAJENS AO ESPAÇO E,PORQUE NÃO,A OUTROS PLANETAS,COMO MARTE OU A LUA OCUPADOS POR COLONIAS.ESPERO QUE ESTE TITULO TENHA MAIS LIBERDADES DE ESCOLHAS QUE O PRIMEIRO E FINAIS ONDE VOÇE MESMO POSSA FAZE-LO!É ESPERAR PARA VER...

Bruno disse...

Cacete...
Estou tentando não sucumbir ao hype, mas está cada vez mais difícil.

Racionalmente, não consigo deixar de sentir uma certa preocupação ao ler certas declarações, como o fato de o personagem recuperar energia automaticamente, o fato do tal Dugas dizer que buscaram inspiração em todos os cantos e mídias, o que me faz temer que DX 3 acabe saindo uma salada de frutas sem sentido assim como DX 2 e etc etc etc, mas a parte fã fanático está sempre por perto gritando.

Quanto ao comentário do anônimo, lembre-se que DX 3 não é sequel, é uma prequel. Os eventos acontecem antes do primeiro DX, onde os experimentos genéticos necessários p/ a criação de greasels e karkians (ou krakians, não lembro exatamente), ainda estavam nos primeiros estágios, portanto não faz sentido algum ter estas criaturas rondando por aí. Sobre as viagens espaciais, há uma notícia (ou livro) no primeiro DX que relata grupos de pessoas que não acreditavam que o homem havia ido à Marte, assim como muitos hoje não acreditam que um ser humano já foi à lua, apesar das toneladas de provas. Uma piadinha sagaz que torna simplesmente impossível DX 3 ter viagens espaciais. Isso, claro, caso os devs se importem em manter a história e universo criados, como parece ser o caso.

E, não me leve a mal, mas simplesmente jogar todo tipo de conspiração, mutantes, alienígenas e viagens espaciais, bater no liquidificador e colocar num DVD apenas tornaria DX 3 numa bomba ainda pior que DX 2.

A Square tem uma grande responsabilidade nas mãos. Se DX 3 não for melhor ou pelo menos de igual qualidade ao primeiro, a série estará morta p/ sempre. E depois do fracasso do FF XIII, se a Square destruir DX, o que é muito fácil de se fazer levando em conta a legião de fãs do jogo atentos aos mais insignificantes detalhes, a empresa vai levar um golpe que vai demorar bastante p/ curar. Fazer feio com duas franquias com tantos fãs mataria qualquer empresa menor.

Alex Souza disse...

Bruno, pois eu ja sucumbi ao hype.
Ate hoje nunca testei Invisible War por ver tanta gente criticar, e ter medo de me decepcionar. E as vezes eu me pergunto: e se Invisible War for de fato um bom jogo, mesmo sendo uma péssima continuação? Nunca joguei, e nem tenho mais entusiasmo pra tentar hoje em dia. Infelizmente, a má impressão ficou.
Algo parecido ocorreu com a serie Fallout. Sou fã dos dois primeiros jogos, e torci o nariz quando Fallout 3 saiu. Mas ao contrário de IW, eu joguei Fallout 3, e consegui gostar, mesmo sendo uma fraca continuação, no sentido de que mudou radicalmente a serie. O problema ta em associar o "3" à série.
E vendo o trailer deste novo Deus Ex, nao consigo acreditar que eu nao va gostar deste jogo, mesmo que se torne uma "ma continuação" (ou melhor, prequela).

edmenezes disse...

Gostei do que li, ainda bem que não teremos mutantes... kkkk.
Agora é aguardar, que venha logo!

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