Retina Desgastada
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4 de maio de 2010

Coração de Caçador

Carnivores Eu não consigo entender a motivação dos caçadores. O que leva um ser humano a vestir uma roupa de camuflagem, binóculos termais, rifles de precisão e outros apetrechos para matar um... veado campeiro?! Qual é o prazer de reunir uma matilha de cachorros e uma tropa de cavaleiros para perseguir uma... raposa? Por que usar uma espingarda de chumbinho para acertar um... coelho? Não estou questionando a legalidade ou a moralidade destes atos, mas qual é a graça de brincar de Predador com animais indefesos? Apesar de não ser a minha idéia de diversão e eu acreditar que os animais não estão no mundo com esse propósito, eu posso pelo menos compreender a adrenalina por trás da caçada a um leão ou a um elefante. Ou a um bom Tiranossauro Rex.

Em Novembro de 1998, a pequena e praticamente desconhecida Action Forms lançou no mercado o jogo que viria a ser sua franquia mais famosa: Carnivores. Um ano antes, a Sunstorm Interactive tinha conquistado o dúbio mérito de inventar um gênero, o dos simuladores de caça com seu mundialmente famoso Deer Hunter. Mas, o jogo da ucraniana Action Forms tinha um grande diferencial. No lugar de veadinhos graciosos, o jogador tentava emboscar e derrubar poderosos dinossauros.

Em um futuro distante, após ter colonizado a galáxia, a raça humana esbarra em um planeta cuja fauna é uma réplica exata da vida na Terra durante o período jurássico. Como a raça humana não vale nada, o planeta é comprado por uma grande empresa e transformado em uma reserva de caça para os endinheirados interessados em testar suas habilidades contra os maiores e mais perigosos herbívoros e carnívoros da existência.

A partir desta premissa simples, a equipe da Action Forms manteve-se fiel à fórmula consagrada de outros simuladores de caça. Existe um amplo equipamento disponível para o jogador que precisa ser comprado com pontos. Existem diversos cenários onde as caçadas podem acontecer, que precisam de pontos para serem "desbloqueados". Existem vários tipos de criaturas para serem caçadas, mas você irá precisar de uma licença para ter autorização de abatê-los. E estas licenças são compradas com pontos. Mas como se adquirem pontos? Caçando, é claro.

Se as regras são claras, o jogo esconde camadas e mais camadas táticas que irão desafiar o mais paciente jogador. Apesar da perspectiva em primeira pessoa, Carnivores não é um título onde você empunha uma metralhadora, se embrenha no mato e atira em tudo que se move. Primeiro, a munição é contada. Segundo, a Inteligência Artificial dos dinossauros é assustadora: os herbívoros irão fugir de você se sentirem o seu cheiro, por centenas de metros, se for necessário; os carnívoros irão atrás de você se sentirem o seu cheiro e persegui-lo por centenas de metros, se necessário. Terceiro: como deu pra perceber, o próprio vento é seu inimigo. Quarto: muito antes do termo sandbox ser cunhado, Carnivores já apresentava cenários vastos e abertos para exploração. Quinto: Velociraptores tinham uma perturbadora tendência de preparar embosc...

Ataque Uma caçada em um dos territórios poderia terminar abruptamente ou se estender por longos e calmos minutos. Muitas vezes, me flagrei caminhando pela praia, apreciando o movimento da água e a visão exuberante dos Brontossauros. Ocasionalmente, um pterodátilo sobrevoava minha cabeça. A floresta era povoada de pequenas criaturas que não valiam nada no grande esquema de pontos, mas adicionavam vida e credibilidade à aventura. Passeando por estes lugares, encontrei ruínas de alguma tentativa frustrada de implantar uma base no local: uma história secreta que jamais seria contada. Encontrei pontes e outras instalações abandonadas. Encontrei ruínas que deviam ser mais antigas que a presença do Homem no planeta; outro mistério que o jogo não pretendia resolver, mas que atiçava a curiosidade. O que mais seria possível encontrar além daquela colina, depois daquele rio ou embaixo daq... Velociraptores!!!!

CenárioCenário 2 Menos de um ano depois, a Action Forms lançou Carnivores 2. A continuação utilizava rigorosamente a mesma engine gráfica e não inovava em absolutamente nada. Alguns detalhes foram acrescentados, como uma galeria de troféus virtual, novos cenários foram criados, uma criatura ou outra foi adicionada e só. Era o mesmo jogo revisitado ou o jogo que eles gostariam de ter lançado desde o início se tivessem o dinheiro que tinham agora.

Ice Age Dois anos depois, a Action Forms acreditou que tinha descoberto uma mina de ouro e lançou o terceiro título da franquia: Carnivores – Ice Age. Mas animais da Era Glacial não tem o mesmo apelo de dinossauros, com todo o respeito aos tigres-dentes-de-sabre e mamutes. E a "criatura" final a ser caçada no jogo era uma afronta ao bom-senso: o nosso querido antepassado, o Homem de Neanderthal. Se os primeiros jogos da série traziam cenários variados, esse terceiro exemplar só trazia neve, neve e gelo. A engine utilizada também já demonstrava sinais de cansaço após tantos anos. O jogo foi mal-recebido pela crítica e pelo público e decretou o fim da franquia.

Ou será que não? Em 2002, a mesma Sunstorm Interactive que inventara o gênero dos simuladores de caça, comprou os direitos da franquia para desenvolver seu próprio capítulo. Pegando o poderoso motor gráfico de Serious Sam, o novo jogo apresentava os dinossauros fugindo de um cargueiro espacial e atacando uma cidade repleta de inocentes. Se tudo isso parece a receita para um sucesso instantâneo, a triste verdade é que Carnivores: Cityscape foi um dos piores jogos que eu tentei jogar e o ponto mais baixo de toda a série.

Cityscape A Action Forms seguiu em frente, sem nunca olhar para trás ou lançar outro título com dinossauros. Seu jogo mais recente é Cryostasis, um título de terror pouco conhecido ambientado em um barco preso no gelo.

Nunca mais me aproximei de outro simulador de caça. A menos que eu possa ver a Fúria no olhar da presa e os limites de quem está caçando quem se tornem tênues, permanecerei com meu rifle virtual guardado. Guardado em uma sala cheia de dinossauros empalhados.

Troféus Ouvindo: Bigod 20 - Retortion 003

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2 comentários:

Bruno disse...

Realmente não entendo essa onda de simuladores ridículos dos últimos tempos. Tenho um ódio pessoal pelos de pesca. Pessoas que tiveram a oportunidade de pescar de verdade quando crianças, que passaram meia hora fazendo força e dando linha p/ descobrir mais tarde que havia fisgado um tronco, que passaram horas sentados num barranco, sujos da cabeça aos pés de barro, esperando uma fisgada, que sentiram aquele sentimento de realização ao comer aquele peixe que brigou por quase uma hora até desistir, ficar num barquinho com seu pai e algum residente local/guia ouvindo histórias apavorantes (pelo menos p/ uma criança) sobre monstros do nosso folclore e sobre jacarés virando barcos (iguais ao que vc está) e devorando pessoas... Enfim, pessoas que experimentaram essas coisas e gostaram jamais acharão esse tipo de simulador divertido.
Hoje em dia se tem até simulador de motorista de ônibus! Não estou querendo desmerecer os motoristas de ônibus, mas isso é ridículo. Daqui a pouco vão inventar um simulador de suporte técnico, onde vc deve atender e resolver problemas de pessoas que não sabem sequer onde fica o Caps Lock.

Anônimo disse...

Nostalgia é esse comentário que o Bruno fez aí em cima, KKKKKK muito bom, acontecia o mesmo comigo quando eu ia pescar com o meu pai. Bons tempos... E simuladores são legais pra quem tem uma certa curiosidade sobre o assunto né, eu acho.

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