28 de setembro de 2009
Você sabe que está levando esta história de blog de jogos longe demais quando você é capaz de identificar quatro desenvolvedores famosos a partir de suas versões em cartoon, sem nem parar para pensar:
E você? Você ainda tem salvação?
Ouvindo: Medal Of Honor European Assault - To Stalingrad
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27 de setembro de 2009
Para que o leitor que acompanha o Retina Desgastada não fique com a impressão de que eu só falo de Half-Life 2, resolvi reativar outra velha obsessão do blog: S.T.A.L.K.E.R..
Mesmo tendo concluído Shadow of Chernobyl, saqueado o cadáver e criado um post fechando as últimas pontas soltas do jogo, é claro que a GSC, desenvolvedora do título, não iria deixar o assunto morrer. Com o lançamento próximo da continuação Call of Pripyat, a Zona volta a entrar em evidência.
No dia 11 de Setembro, a GSC liberou uma bomba que reforça por que a continuação será imperdível. O trailer abaixo confirma que tanto a atmosfera, quando os excelentes gráficos e o clima de medo presentes no primeiro jogo estarão de volta com força máxima:
Para os felizardos proprietários de uma placa de vídeo e sistema operacional certos, Call of Pripyat promete apresentar melhorias visuais com o uso do DirectX 11. O site da Gamesbrasil fez um comparativo de telas entre o DirectX 10 e o 11 e o resultado... bem, a diferença só pode ser percebida mesma com uma lupa, mas, como o suporte ao DirectX parou na versão 9 para aqueles que como eu teimam em usar o Windows XP e, ainda assim, o primeiro jogo rodou graficamente impressionante por aqui, eu só posso esperar um bom resultado para a sequência.
Esperando Pelo Fim
Enquanto isso, os russos seguem em sua estranha mania de brincar de faz-de-conta com o universo de S.T.A.L.K.E.R. e outros títulos pós-apocalípticos. Mês passado, um grupo de aficionados por cosplay se reuniu nos campos desertos de Vyborg, na Rússia, para simular um passeio pela Zona. Com direito a uniforme completo, armas e aquele brilho no olhar de quem está aguardando a Terceira Guerra Mundial:



Mais imagens, algumas inocentes, podem ser vistas em http://star-tm.ru/ (site em russo, naturalmente). ATUALIZAÇÃO: Dezenas de fotos extras estão disponíveis em http://englishrussia.com/?p=5217.
É curioso perceber que, se os americanos preferem evitar falar sobre o pesadelo atômico a qualquer custo, a segunda maior potência nuclear do mundo encara esse tipo de possibilidade como um hobby de final de semana. E eu não sei qual das duas atitudes extremas me deixa mais preocupado na hora de dormir...
Ouvindo: Mass Effect - Final Assault
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25 de setembro de 2009
Quando eu me propus experimentar uma série de mods para Half-Life 2, eu imaginei que a experiência seria tão agradável quanto minha temporada com os mods do primeiro Half-Life.
Enganei-me redondamente.
Estou farto de atirar nos mesmos zumbis/combines/headcrabs com as mesmas armas pelos mesmos cenários de sempre.
Minha meta inicial era analisar (positivamente) nove mods para o fantástico trabalho da Valve, divididos em três posts. Duvido que eu atinja esta meta. Estou no quarto mod seguido que não me agradou e como um estúpido masoquista esperançoso, eu jogo até o final na expectativa de uma reviravolta, na expectativa da próxima injeção de adrenalina barata ou mesmo de algum lampejo de criatividade.
Guarde esses nomes, são mods com zero de criatividade, ou com qualidade abaixo da média ou ambos: Rock 24 e Riot Act são expansões ambientadas em Nova Prospekt, o mais chato cenário do jogo original. A primeira tem uma história confusa, puzzles sem sentido e um final patético. A segunda é simpática e bem-intencionada, mas naufraga na mesmice (vale, talvez, pelos dez minutos finais). Para que ninguém me acuse de ser tendencioso, há também um mod passado no melhor cenário de Half-Life 2 e que também não merece uma recomendação. Chamado pretensiosamente de Ravenholm, o mod peca pela cansativa extensão, pela história desinteressante e por algumas incongruências como Ant Lions correndo pelas ruas da cidade fantasma. Por outro lado, Ravenholm tem algumas sequências de arrepiar os cabelos. Com metade do tamanho e uma história melhor, talvez valesse o download. Fechando a onda de azar, ainda estou jogando Casuality Effect, que conta com uma premissa inventiva, envolvendo realidades paralelas e saltos temporais. Entretanto, entre uma cutscene bem bolada e outra, existem largos pedaços onde sou obrigado a jogar um mod tão sadicamente difícil quanto desprovido de novidades.
Onde estão os mods com novas armas para Half-Life 2? Onde estão as histórias criativas? Onde estão as criaturas inéditas? Onde estão aqueles capazes de pegar as ferramentas da Source e virar do avesso?
A procura continua...
ATUALIZAÇÃO: Dez minutos após esse post, o mod Casuality Effect provocou uma reinicialização em meu computador! Vai direto pra lixeira!
Ouvindo: Lycia - Clouds In The Southern Sky
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21 de setembro de 2009
MMORPGs são espaços virtuais para o encontro de amigos, para se vivenciar uma outra vida repleta de companheirismo, aventura e diversão, certo? Não é esse o espírito de um certo anunciante anônimo do serviço de classificados online Craigslist. O seguinte anúncio (já removido do site) foi publicado no último dia 17:
"Eu preciso contratar uma pessoa para jogar World of Warcraft comigo. Esta pessoa dever estar, pelo menos, no nível Rival+ em cura na arena e ser capaz de me ajudar a atingir a qualificação 2000+ na arena. Você deverá ser capaz de jogar 3hs por dia durante a semana e 5hs por dia durante o final de semana. Você também deverá ser capaz de jogar um DK para juntar honra para trocar por itens. Você *PRECISA* ser confiável, prestativo, ter um microfone e não ser arrogante. Eu tenho uma conta de clérigo mas talvez você tenha que mover seu curandeiro para Eitrigg PVE. Deve ter disponibilidade para começar o mais rápido possível (tipo AGORA)!
- Compensação: O pagamento é de 50 dólares por hora jogada, e sobe para 100 dólares por hora jogada depois de atingida a qualificação de 1850, mais um bônus de até 5000 dólares por uma qualificação de 2350.
- Sem problemas com trabalho remoto.
- Isto é um trabalho de meio período.
- Isto é um contrato de trabalho."
A tradução do jargão pode ter ficado um pouco comprometida, uma vez que eu não sou do ramo, mas você pode conferir abaixo um screenshot do anúncio completo:

Mesmo sem saber direito quais seriam as funções do contrato, eu diria que o valor impressiona. Sem contar com eventuais bônus, temos aí um salário mensal de quase dez mil reais por um trabalho de meio período como babá de newbie jogando o mais popular dos jogos online! Isso mesmo: DEZ MIL REAIS!! Pra que diploma? Pra que concurso público? Pra que ter pai rico? O emprego do futuro chegou!
Triste mundo em que um homem adulto com dez mil reais sobrando precise terceirizar talentos para inflar um ego inseguro em uma realidade digital efêmera. Em dez anos, World of Warcraft será uma pálida lembrança de sucesso da Blizzard e um certo clérigo sem amigos será apagado em um piscar de olhos ao virar de chave de um servidor aposentado. E algum jogador dedicado poderá contar ao seu filho como a poupança da faculdade teve início...
Ouvindo: Rammstein - Amerika
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19 de setembro de 2009
Recebi hoje um email do serviço de hospedagem onde está o Retina Desgastada, comunicando que o blog já atingiu 80% de sua capacidade mensal de transferência. Considerando que ainda faltam 11 dias para terminar o mês, cerca de um terço do período, a matemática implica que os visitantes depois do dia 25 iriam ter problemas de acesso, esbarrando no lendário erro 509.
O que provoca esse problema? Ele acontece quando a quantidade de visitantes de um site supera a previsão feita pelo webmaster pão-duro. Quando o limite é ultrapassado, o provedor desliga o site que fica "fechado" até começar o mês seguinte. E qual é a solução? Basta o webmaster se mexer e solicitar um upgrade de plano. Paga-se mais caro, mas o site continua operando. Pelo menos até atingir o novo patamar...
Em outras palavras, o Retina Desgastada está crescendo em número de acessos. Grato pela audiência!
Ouvindo: Jade Empire - Jade Empire Main Theme
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Quem acompanha o Retina Desgastada sabe que quando eu cismo com um jogo, eu publico posts e mais posts sobre ele. Já tem um certo tempo que estou falando sobre como a série Half-Life é maravilhosa, sobre como o Episode Two é o ápice da narrativa nos jogos eletrônicos, sobre aquilo que você não sabia sobre o primeiro jogo, sobre seus mods etc etc.
Mas... e quem não conhece nada sobre a franquia da Valve? E aqueles que já completaram tudo anos atrás e não se lembram direito da história? Apresento a vocês "Half-Life em 60 Segundos":
Eles esqueceram Ravenholm. E não abordaram os episódios extras. E, para ser matematicamente, preciso, são 63 segundos.
Mas os cientistas correndo e gritando são impagáveis!
Ouvindo: Jade Empire - Death's Hand Suite
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17 de setembro de 2009
Concluído Half-Life 2, Episode One e Episode Two e sem qualquer perspectiva de um Episode Three no horizonte, o que resta a um fã da série? Desinstalar tudo da máquina? Lembrando minha bem-sucedida época em que os mods do primeiro Half-Life sustentaram minha fome por jogos gratuitamente por um longo período, a resposta mais óbvia seria seguir o mesmo caminho. Naveguei pela internet, baixei e conferi alguns dos melhores mods criados para Half-Life 2.
Não considero o trabalho terminado. Tenho a impressão de que fecharei 2009 ainda atado ao universo de Gordon Freeman. Mas irei analisando os mods de três em três, na medida em que for concluindo.
Dawn
O primeiro mod testado é, na verdade, o mais simples de todos e o mais curto, contando com apenas dois níveis e um descartável e rápido passeio de barco no meio. Nem por isso, ele deixa de ter os seus méritos. Qualquer mod ou jogo que contenha a cena horripilante abaixo, merece uma conferida:
A história segue os passos de Gordon Freeman que, capturado pela Combine, escapa para uma região pantanosa após um acidente de trem e precisa reestabelecer contato com a resistência. A primeira parte do jogo mostra um tipo de paisagem não vista antes em Half-Life 2, durante o alvorecer, e constrói uma pavorosa atmosfera de sustos, zumbis e a sensação de impotência. Tem possivelmente uma das maiores concentrações de zumbis por metro quadrado de toda a série em determinado ponto. Após uma reviravolta inesperada e uma desnecessária sequência de barco, Freeman entra em um cenário que faz o hospital abandonado do Episode One parecer um jardim de infância. O hospital de Dawn é mais assustador, mais escuro e mais opressivo que seu antecessor. O fato de algumas partes estarem inundadas adiciona um molho extra ao ambiente.
O final da trama é um banho de água fria. Mas, após uma hora exata de jogabilidade, não me senti ludibriado. Foi uma hora muito bem estendida de Half-Life 2.
Dawn foi desenvolvido como um projeto de curso da Faculdade de Tecnologia da Informação de Copenhagen em 2006. Cinco estudantes de criação de jogos concluíram o mod em apenas dois meses.
Download (82,4MB)
Research and Development
Se você curtiu os puzzles de Half-Life 2 e a forma como o jogo utiliza física real para movimentar objetos, então esse é O MOD. Se você prefere combates frenéticos, armas pesadas e muita adrenalina, pule direto para o próximo, aí embaixo.
Em Research and Development você não utiliza armas, no sentido estrito da palavra. Você também não tem barra de vida. Mas pode morrer. Você é um cientista, mas não é Gordon Freeman, nem tem um traje HEV. Tudo que você possui para sobreviver ao ataque de tropas do Combine, zumbis, helicópteros e um ambiente hostil é a sua inteligência. E acredite: você vai usá-la muito.
Neste mod, você conduz um funcionário que trabalhava em um laboratório de pesquisas militares da Resistência. Após um ataque do Combine, você precisava escapar do complexo com vida, usando apenas aquilo que o insano designer do mod colocou para você. Você ficará impressionado com o que a engine Source é capaz de produzir nas mãos de alguém que tinha muito tempo em suas mãos e uma mente diabólica: labirintos, pêndulos, alavancas, contrapesos e o veículo mais simpático jamais visto. Seu criador conseguiu introduzir conceitos novos em Half-Life 2, como chapas de vidro à prova de balas e laptops utilizáveis.
Preste muita atenção aos detalhes e leia cada cartaz, mensagem, recado e placa que aparecer no cenário. A pista para seu próximo passo pode estar bem em frente de seus olhos. Assim como parte da história de fundo do complexo de pesquisas.
Como se o mod em si já não fosse digno de nota por sua inventividade, o senso de humor também está presente, seja nas referências ao clássico seriado Esquadrão Classe A ou na cena final impagável.
Download (54.5MB)
Minerva: Metastasis
Nada em Metastasis é o que parece. O personagem principal não é o típico herói e recebe instruções de um misterioso comandante que pode ter interesses mais escusos do que se imaginava. Ao investigar uma ilha ocupada pelo Combine, o jogador esbarra em uma operação de grande porte dos invasores, de proporções colossais, que precisa ser destruída. A qualquer custo.
Esse mod começa devagar em um cenário que parece não ter muito para onde se expandir. Ledo engano. Ele se expande por diversos níveis, sendo o maior dos três analisados. E termina em um corrida insana pela própria vida em batalhas épicas onde ninguém é está do lado de ninguém. Contar mais estragaria algumas surpresas, mas preste sempre muita atenção nas mensagens de seu oculto "controlador" para entender um pouco do que se passa nos bastidores deste estranho mod.
Em um determinado ponto do Minerva: Metastasis, minha barra de vida estava com um único dígito, em vermelho, marcando 4. Tenso até a raiz dos cabelos, consegui sobreviver, mesmo sabendo que o caminho que ainda tinha que percorrer era extenso e infestado de inimigos por todos os lados.
Apesar de sua obsessão por mitologia e enigmas, é uma pena que o autor não conseguiu cumprir sua promessa de lançar novos episódios de Minerva e Metastasis continua sendo um brilhante, e isolado, exemplo de um mod movido a combates frenéticos e fatos ocultos. Como o próprio Half-Life 2, de onde se originou.
Download (148,3MB) | Site Oficial
Ouvindo: Jade Empire - A Night Out
Marcadores: dica, FPS, mod
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15 de setembro de 2009
Com o sucesso de títulos como Left 4 Dead, Dead Rising e Resident Evil 5, os mortos-vivos provam que são capazes de ressuscitar no imaginário coletivo. Filmes como Madrugada dos Mortos, Terra dos Mortos, Diário dos Mortos, REC, Dead Snow, Extermínio 1 e 2 e tantos outros tomaram de assalto as telas de cinema como uma horda faminta. Nada escapa da sanha destas criaturas.
Mas tudo tem seu lugar.
Eu não falei nada quando a Marvel Comics lançou versões zumbificadas de seus personagens.
Eu fiquei quieto quando a DC Comics praticamente decidiu fazer a mesma coisa.
Quando Call of Duty World at War resolveu lançar mapas multiplayer com zumbis, eu até me empolguei.
Eu ri do Pateta Zumbi de Madeira.
A proposta de fazer um falso "reality show" com mortos-vivos periga ser uma crítica construtiva sobre a mitologia e sobre nossa saturada mania de assistir a vida alheia.
Entretanto... chegamos ao limite:
Eu sou fã de carteirinha de Guerra nas Estrelas. Do tipo que já assistiu os filmes da trilogia clássica mais de dez vezes.
Também sou fanático por mortos-vivos: jogos, livros, filmes, o que vier, eu curto.
Mas... zumbis no espaço?! George Lucas enlouqueceu.
"Eles estão vindo te pegar, Leia"
"Death Troopers" é uma expansão para o fracassado MMORPG Star Wars Galaxies a ser lançada em outubro. Pegando carona no sucesso do jogo de zumbi da Valve, a Sony tenta erguer o MMORPG de sua tumba a qualquer custo. Ou será que não?
Por mais bizarro que possa parecer, a expansão está atada à publicação de um livro oficial com o mesmo nome, onde o escritor Joe Schreiber ousa levar a franquia Guerra nas Estrelas a um estilo onde jamais esteve:
"Quando a nave-prisão Purge quebra em uma distante e inabitada parte do espaço, sua única esperança parece estar com um Star Destroyer encontrado a deriva, aparentemente abandonado. Mas, quando uma equipe de abordagem é enviado para vasculhar por peças, apenas metade dela retorna – trazendo consigo uma aterrorizante doença tão letal que dentro de horas, quase todos abordo da Purge irão morrer. E a morte será apenas o início.
De dentro do Star Destroyer, em meio a sua vastidão vazia que não está realmente vazia afinal, os mortos estão se erguendo, sem alma, implacáveis e indescritivelmente famintos."
A história do terrível destino da Purge se passará após os eventos do Episódio IV (o que explica a presença de Han Solo na imagem acima).
Enquanto isso, o próprio Star Wars Galaxies periga se tornar um morto-vivo. Com doze servidores a serem fechados no próximo mês e com a vertiginosa aproximação de seu sucessor, The Old Republic, o destino do primeiro MMORPG da franquia pode ser tão ou mais cruel do que o da tripulação da Purge...
Ouvindo: Vangelis - Wait For Me
Marcadores: literatura, multiplayer, polêmica
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14 de setembro de 2009
Cidade de Tristram. Meses após a morte do Rei Leoric.
Um terrível mal se abateu sobre o reino. Ninguém está seguro: demônios, zumbis, esqueletos, múmias e todo tipo de criatura das trevas vagam pelo mundo dos homens.
Da amaldiçoada catedral de Tristram, um guerreiro se arrasta coberto de sangue e vísceras de seus inimigos. Sua espada está marcada pela violência das batalhas, sua armadura exibe a fúria de estranhas bestas profanas, seus olhos cansados revelam uma carnificina que poucos puderam conhecer. Ele carrega uma sacola de itens para o ferreiro local.
- Boa noite, Ferreiro!
- O que eu posso fazer por você?
- Eu queria vender algumas coisas que eu encontrei e comprar aquele Elmo do Rei Esqueleto que eu fiquei de olho da última vez, lembra?
- Lembro, sim. Não está mais vendendo.
- Não está mais?!
- Não. Chegou coisa nova. Tive que abrir espaço no inventário.
- Como assim, "chegou coisa nova"? Chegou de onde? Por que sempre chega material novo quando eu subo de nível? Como você sabe que eu subo de nível?!
- Olha, eu não sei do que você está falando. Chegou coisa nova, está bem? Vem tudo junto em um malote, lá da matriz. Eu não tenho nada a ver com isso. Vai querer dar uma olhada ou não?
- OK. Vamos ver o que tem...
O guerreiro examina as novidades e se pergunta como todas aquelas armas e armaduras são entregues tão rápido. Ele passou apenas algumas horas lá embaixo, nas catacumbas...
- Essa Armadura de Horadrin é bem interessante. Sai por quanto?
- Cem mil moedas de ouro.
- Cem mil moedas de ouro?! Cem mil?!
- É.
- Você faz idéia de quanto são cem mil moedas de ouro?! Daria para comprar umas cinco aldeias inteiras como esta com este dinheiro!
- É tabelado.
- Bem... deixe-me ver... eu tenho 95 mil. Rola um desconto?
- O preço é cem mil.
- Escuta aqui, Ferreiro... Não existe ninguém mais em um raio de centenas de quilômetros com dinheiro para comprar essa armadura de você. Pelo menos, ninguém que queira gastar mais dinheiro do que um fazendeiro veria em toda sua vida somente com uma armadura. Se você não vender pra mim, ela vai encalhar na prateleira!
- O preço é cem mil.
- Será que eu preciso explicar que eu, com a maior boa vontade, vim aqui até esta aldeia para livrá-la das forças do mal? Preciso lembrar que eu estou arriscando minha vida enfrentando centenas de monstros para que pessoas como você tenham uma noite de sono tranquila? Eu sou o herói aqui! Não rola mesmo um desconto?
- O preço é cem mil.
- Eu desci até o Inferno por você, Ferreiro!!
- Veja bem, Guerreiro... se eu começar a dar desconto pra você, eu vou abrir um precedente. Todos os aventureiros de todos os jogos vão se achar no direito de pedir desconto também e aí, já viu, né? Nosso negócio entra em crise em dois tempos. E sem mercadores, vocês, "heróis", estão perdidos! Não é nada, pessoal, meu camaradinha. São negócios. Então, por que você não deixa de "mimimi", volta lá, mata alguns Seus Cubos e junta a grana que falta?
O Guerreiro olha estarrecido para o Ferreiro. E repara, pela primeira vez, no relógio de ouro em seu pulso, em seus cordões de ouro e na TV de plasma de 60 polegadas em um canto da loja. Ele se vira para ir embora.
Na porta, ele se volta para o Ferreiro e responde, com raiva:
- São Súcubos, seu analfabeto!
E sai para procurar o rapaz de uma perna só.
Ouvindo: Megadeth - Tornado Of Souls (Demo)
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12 de setembro de 2009
Para quem está com dinheiro sobrando e deseja conhecer a série que eu comentei alguns dias atrás, essa é a sua chance. Postal e Postal 2 estão em promoção no GOG, saindo pelo equivalente a menos de vinte e cinco reais. É um desconto de 25% em cima do preço normal, mas a promoção só vai até segunda-feira.
Há dois problemas, entretanto. O primeiro é que você precisa ser maior de 18 anos para comprar os títulos. Não que faça muita diferença, já que você vai precisar de um cartão de crédito internacional ou Paypal para fazer a compra e, até onde eu não sei, nenhum deles está disponível para menores de idade. O segundo problema é que a promoção só vale para a compra dos dois títulos juntos. Considerando que o primeiro jogo é um lixo insuportável, na verdade você vai mesmo é comprar o segundo jogo por um preço "matador".
Como todo jogo vendido no GOG, o material extra já valeria o investimento. O primeiro jogo, para reforçar sua má-impressão, vem acompanhado somente de papéis de parede, um manual em PDF e alguns avatares. Mas... Postal 2 vem em sua versão Complete, incluindo suas duas expansões (Share the Pain e Apocalypse Weekend), uma revista em quadrinho digital, tons para SMS, papéis de parede, manual, avatares e o conteúdo do raríssimo CD Music to Go POSTAL By, onde 14 bandas alternativas de variados estilos prestam homenagem à série.
Ouvindo: Megadeth - Breakpoint (Session take)
Marcadores: compra, dica
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9 de setembro de 2009
Vejam vocês: hoje em dia até trailer tem versão revisada e ampliada... pois um dos melhores trailers do ano acaba de ganhar um minuto a mais de pura adrenalina:
Outra boa novidade é que agora é muito mais fácil fazer o download do vídeo. A versão em alta-definição, para Windows Media Player, pode ser baixada aqui.
Ouvindo: Evanescence - Whisper 2002
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7 de setembro de 2009
TV não causa câncer. TV não prejudica a visão. Videogame não estraga a TV. Videogame não emburrece. Eu sei por que eu vivi tudo isso. Em mil novecentos e oitenta e pouco eu passava dez horas por dia de olho na tela da pequena TV a cores de meu quarto jogando jogos eletrônicos compulsivamente. Essa foi a Era do Atari.
O Globo está com uma nostálgica matéria sobre os primórdios desta era no Brasil, aproveitando que alguns títulos estão completando 30 anos este ano e muitos outros irão completar no ano que vem. O artigo se concentra nos fliperamas e no impacto que eles tiveram em várias pessoas daquela época.
Já falei aqui da minha curta mas significativa experiência com os fliperamas, então chegou a hora de falar dos anos mais intensos de minha vida de jogador.
Um Console em Cada Casa
O símbolo máximo desta era se chamava Atari 2600. Ter um destes em casa era o sonho de consumo de qualquer criança que ainda quisesse fazer parte da turma e o destino do décimo-terceiro de muitos pais. Quem tinha bala na agulha chamava os amigos orgulhosamente para exibir o seu console. Aqueles que não contavam com uma renda tão caprichada ou aqueles que tinham um pai que achava que videogame era tudo igual, terminavam com um dos incontáveis "clones" do Atari enfeitando a sala. O meu era um Dynavision, que nem verbete na Wikipédia tem. Mas rodava os jogos da Atari.
Pior destino do que ter um clone do Atari em casa era possuir um Odyssey. Tecnicamente inferior ao 2600, ele se aproveitou da febre emergente dos fliperamas e foi lançado no Brasil antes do produto da Atari. Aqueles que decidiram ser os pioneiros nos jogos eletrônicos domésticos terminaram com um console que todos desprezavam e que não era compatível com a avalanche de títulos que o Atari 2600 trouxe. Curiosamente, o Odyssey lançado no Brasil é o chamado Magnavox Odyssey 2. Como o primeiro Odyssey nunca fora lançado por aqui, visando não confundir a cabeça dos consumidores, decidiu-se trocar o nome.
Outras figuras mais exóticas do recreio tinham um Intellivision. Apesar da marca ter sobrevivido à própria queda da Atari, ninguém respeitava o proprietário de um console que tinha um "teclado de telefone" e um joystick sem alavanca...
Ataris, Dynavisions, Odysseys, Intellivisions. Todo mundo e seu vizinho tinham um console. E jogavam desesperadamente.
Subindo o Rio da Morte
Dois ou três anos de minha infância são um borrão. Um borrão multicolorido de luzes em movimento, sons frenéticos e cheiro de cartucho novo. Corridas na neblina, naves espaciais descendo em zigue-zague, tanques de combustível flutuando no rio, ursos polares com passos fortes e um sapo idiota tentando atravessar a rua. Enquanto adulto, tenho talvez dez vezes mais jogos na minha coleção do que tinha quando criança. Por outro lado, eu jogava vinte vezes mais do que jogo hoje.
É preciso entender que naquela época os jogos não tinham fim. Não tinham história. Não tinham personagens. Mario, Sonic e Link surgiriam uma geração depois. Mas mesmo sem um final, todo mundo era impelido para frente, para se superar, para alcançar uma marca mais alta do que o seu colega, para ser o melhor, para ser melhor que o próprio jogo. Todo mundo queria ver o que tinha no fim do rio de River Raid, cruzar a linha de chegada de Enduro ou repelir o ataque dos Space Invaders de uma vez por todas. Ainda que alguns destes títulos na verdade tenham um final, um ponto onde a programação não consegue mais resistir e zera o placar, poucos foram os seres humanos que, de fato, alcançaram este mítico Valhalla (e a maioria já estava com barba no rosto quando conseguiu).
Meu favorito era River Raid. Os cenários mudavam quanto mais se avançava e isso fazia toda a diferença. Nenhuma parte do rio era igual a outra. Desde pequeno já estava interessado em mundos abertos e variados... Mas minhas melhores marcas eram em Frostbite. Como se ser ruim no futebol não me classificasse como nerd o suficiente, eu tinha o duvidoso mérito de ser um mestre em um jogo que ninguém conhecia.
O Fim... Ou Apenas um Começo?
Da mesma forma que a febre veio, ela passou. Uma nova geração surgiu e minha família não tinha condições de comprar um Master System ou outro clone qualquer. O vizinho também não tinha. Aquele outro amigo também não. E aquele outro. E, de repente, não havia mais um console em cada casa. Um ou outro afortunado desfrutava de Golden Axe ou Sonic. Os jogos eram diferentes agora, exigiam mais do jogador. Em visitas esporádicas aos amigos privilegiados, não havia tempo para desenvolver os reflexos necessários e a humilhação aos poucos ia se tornando desinteresse. Veio a quarta geração em um intervalo de tempo muito curto e logo ninguém mais estava com cacife para seguir a vertiginosa crescida da indústria.
Nunca mais tive um console.
Mas, assim como antes, a semente do jogador inveterado já estava germinada. Criando raízes.
Anos mais tarde, pulando diversas gerações, o PC surgiu em minha vida. E, em seus primeiros minutos, já havia um jogo instalado nele.
E eu nunca mais parei.
Ouvindo: Evanescence - Understanding (Acoustic Version)
Marcadores: nostalgia
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5 de setembro de 2009
O termo "going postal" é uma gíria norte-americana para o ato de tornar-se subitamente violento e extremamente raivoso, ao ponto de praticar agressões no ambiente de trabalho. A gíria tem um origem justificada: entre 1983 e 1993, 35 pessoas foram mortas em 11 incidentes envolvendo funcionários dos Correios que surtaram em suas respectivas agências. Apesar da forte oposição da instituição, o termo caiu na boca do povo e passou a servir para designar o momento em que um maluco qualquer, por motivos que só ele compreende, junta um monte de armas de fogo e decide praticar tiro ao alvo em seus supostos colegas de trabalho.
Ao contrário do que algum censor possa imaginar, tais gestos de incompreensivel violência não foram "influenciados" pelos jogos eletrônicos. De fato, aconteceu o inverso.
Em 1997, uma pequena empresa do Arizona, cansada de produzir jogos infantis licenciados, trocou de razão social e lançou um dos jogos mais polêmicos já criados. Seu nome? Postal.
Isso é Sério?
Postal era um jogo de tiro isométrico, sem qualquer tipo de história, difícil de controlar e com gráficos capengas para os padrões da época. No "jogo", você controlava um personagem sem nome, mencionado como o "postal dude" ("carinha dos Correios"), que, com um arsenal de oito armas e bastante munição deveria matar indiscriminadamente policiais, civis e todos que cruzassem seu caminho. Apenas após eliminar uma porcentagem específica de vítimas disponíveis no cenário, a saída era desbloqueada e o jogador poderia avançar para o nível seguinte, onde a fórmula era repetida.
Se a descrição acima sugere um jogo de carnificina sem sentido, é isso mesmo o que eu quis dizer. Some à mistura grandes doses de sangue, feridos implorando por ajuda, pessoas sufocando com armas tóxicas, desmembramentos e você terá uma noção clara do motivo do título ter sido banido em dez países, incluindo o Brasil. Porém, como tudo aquilo que é alvo de críticas maciças ou proibido, Postal acabou ganhando uma publicidade inacreditável que acabou se transformando em popularidade.
Pessoalmente, eu acho que o jogo incomoda qualquer um que tenha um pouco de sensibilidade. A ausência de um motivo plausível para as ações do personagem principal agravam a sensação de vulgaridade. Desinteressado, não fui além do segundo nível do jogo.
Não é Sério!
Cinco anos depois do infame Postal, seus criadores, a Running with Scissors, surpreenderam-me com o lançamento de Postal 2. A perspectiva agora era em primeira pessoa, uma história foi criada (incluindo sutilezas!), os controles se tornaram o padrão de um FPS e os gráficos foram turbinados pela Unreal Engine 2.0. Novamente, o jogador controla o personagem "postal dude", desta vez casado, regenerado, empregado em uma empresa de jogos e morando em um trailer na modesta cidade de Paradise. O jogo se desenrola ao longo de cinco dias da aparentemente monótona nova vida do personagem, onde ele deve cumprir missões simples como comprar leite, pegar a roupa na lavanderia, descontar um cheque no banco etc. Infelizmente, como um tipo de resposta kármica do primeiro jogo, a violência persegue o desafortunado "postal dude" e ele precisa recorrer a meios extremos para cumprir seus objetivos ou morrer tentando.
Por ser uma continuação de Postal, o jogo foi banido em vários países, antes mesmo de seu conteúdo ser revelado. De fato, em Postal 2 você pode ter acesso a uma arma de destruição em massa e matar dezenas de pedestres com antraz, você pode incendiar pessoas vivas com um galão de gasolina, você pode urinar sobre as pessoas, você pode enfiar o cano de uma arma em uma extremidade pouco confortável de um gato, pode consumir drogas para recuperar energia, pode...
A palavra chave de Postal 2 é "pode". Ainda que todas essas grosserias tenham sido colocadas no jogo pela turma da Running with Scissors, elas são opcionais. Oficialmente, é possível concluir o jogo sem matar ninguém. Isso mesmo que você leu: Postal 2 é o único FPS onde é possível vencer sem matar nem uma mosca!
Com uma quantidade de humor negro capaz de fazer a série GTA parecer um sermão religioso, Postal 2 consegue zombar da cultura americana, da censura, dos jogadores, de Deus e de tudo mais sem perder a compostura. Possivelmente em um golpe de sorte, a Running with Scissors produziu uma das mais ácidas críticas presentes em um jogo eletrônico. Ao contrário do primeiro jogo, onde todos eram inocentes e o jogador era colocado no incômodo papel do algoz, em sua continuação ninguém é inocente e a história mostra que todos trazem a violência dentro de si, sejam eles policiais truculentos, "caipiras" pervertidos, terroristas e até mesmo ativistas contra a violência nos jogos! O potencial para defender com radicalismo suas "crenças" e o acesso fácil às armas estão enraigados na sociedade, como já avisou Michael Moore em seu genial Tiros em Columbine. Cabe ao jogador, e somente a ele, decidir qual o grau de agressividade de sua resposta às pressões do ambiente. Ao longo da história, o nível de tensão em Paradise City vai aumentando, à medida que mais e mais grupos de pessoas vão perdendo o controle e "going postal", até o episódio final, quando o fim do mundo literalmente se instala na cidade.

Ironicamente, o jogo parece ter obtido um apelo comercial imenso junto justamente àqueles que zomba: defensores do uso de armas de fogo, adolescentes com os hormônios à flor da pele, conservadores e toda sorte de freak. A falta de compreensão do sarcasmo não é um mal que afeta somente os críticos. Ou talvez eu esteja enxergando inteligência onde existe somente oportunismo e cinismo, afinal o site da Running with Scissors não é lá um primor do bom gosto... E Uwe Boll fez uma "adaptação" do jogo para o cinema.
Do ponto de vista técnico, Postal 2 indubitavelmente acrescenta novidades à fórmula cansada dos FPS. Paradise City é um mundo aberto, o tipo de cenário que já existia em jogos em terceira pessoa ou RPGs da Bethesda, mas ainda não havia marcado presença em um título do gênero. Existem missões a serem seguidas, mas a ordem e a forma em que elas são completadas ficam a cargo do jogador, o tipo de liberdade pouco comum em FPS. A inteligência artificial dos NPCs também está acima da média, com inimigos dando perseguição por longos períodos, táticas de emboscada e reações diferenciadas entre grupos de inimigos.
E o futuro?
No final do ano, a série Postal chega ao seu terceiro título. Postal III irá seguir a linha do humor negro de seu antecessor ou abraçar de vez a baixaria e a carnificina? A perspectiva do jogo agora será em terceira pessoa e o motor gráfico foi trocado pelo eficiente, mas antigo, Source, de Half-Life 2. Desta vez, o anti-herói "postal dude" se mudou para a cidade de Catharsis (!) e novas aventuras o esperam.


Em entrevista recente, dois de seus criadores revelaram mais detalhes do lançamento vindouro:
- O "postal dude" continua tentando levar uma vida normal. Mas, desta vez, ele precisará escolher se participa dos esquemas corruptos do prefeito ou se entra para a polícia! Haverá um foco ainda maior na história e muitas cutscenes.
- Entre as novas armas teremos um bumerangue de lâminas afiadas, um Texugo assassino, uma cólmeia de abelhas e uma M-60.
- Um sistema de cobertura foi implementado nos combates: o jogador poderá se esconder atrás de um muro, de um sofá, de um poste, e até de um transeunte qualquer(um escudo humano!).
- Uwe Boll foi digitalizado e estará presente em Postal III. Jogadores do mundo inteiro poderão finalmente tirar satisfação com o diretor da forma que acharem conveniente.
- Postal III terá expansões e conteúdo extra disponível por download (os populares DLC).
- O jogo também estára disponível para Xbox 360.
Que o lampejo de perspicácia que atingiu a Running with Scissors anteriormente se repita. Por enquanto, eles estão empatados. Postal III irá decidir se eles são gênios... ou medíocres.
Ouvindo: Kiss - God Of Thunder
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OK. Rendo-me ao hype. Apesar da Microsoft e da Bungie já estarem saturando a imagem do universo de Halo, sou obrigado a admitir que o trailer abaixo é um dos melhores que já vi este ano:
ATUALIZAÇÃO: Uma versão ampliada do trailer, com um minuto a mais, foi lançada logo em seguida.
Mais uma vez me pego pensando no filme de Halo que nunca veremos... ou será que veremos um dia?
Ouvindo: ECHO IMAGE - Listen To The Stars
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4 de setembro de 2009
Em 2003, eu já conhecia as chamadas modificações para jogos criadas por usuários. Blood tinha as suas, Shadow Warrior também. Antigamente, esse tipo de coisa recebia nomes diferentes: se o conteúdo extra não passasse de um nível extra, chamava-se map; se o criador do pacote juntava um monte de níveis juntos para serem jogados em sequência, ele não hesitava em chamar sua criação de add-on; se o programador conseguia alterar o conceito original do jogo, mesclando novas texturas, novos enredos, armas e inimigos, ele tinha todo o direito de chamar seu projeto de Total Conversion, com iniciais maiúsculas mesmo. Porém, foi somente em 2003, após concluir (tardiamente) o primeiro Half-Life, que eu conheci o que todo mundo estava dando o nome de mod.
Minha coleção de jogos e minha verba eram limitados em 2003. O mesmo não se pode dizer da quantidade de modificações que a comunidade de jogadores criou para o título da Valve. Então, juntando os dois contextos, 2003 foi um longo ano de experimentações com diversos mods, que entraram para o meu acervo pessoal de experiências. Apesar da antiguidade do material, acredito que a seleção abaixo ainda possa ser do interesse de alguém, quer esteja descobrindo agora as aventuras de Gordon Freeman ou revisitando Black Mesa. Tomei o cuidado de separar somente a nata dos mods, aqueles que mereceram ser guardados para a posteridade em CD-ROM.
Case Closed
Este mod se inspira na mesma idéia das expansões oficiais Blue Shift e Opposing Force. Se no primeiro você via os eventos de Black Mesa a partir do ponto de vista do segurança Barney e no segundo você era apresentado à versão dos eventos vistos do prisma do fuzileiro Adrian Shephard, em Case Closed você encarna Bob Dewey, um faxineiro do lugar.
Isso mesmo que você leu: um faxineiro. Mas não pense que você terá que varrer os corredores da instalação ou limpar latrinas. Apesar da premissa inicial que poderia descambar para o humor involuntário, seu objetivo no mod será sobreviver mesmo, abrindo caminho à força entre alienígenas e militares assassinos. Apesar do final fraco, os níveis são muito bem concatenados e o jogo não deixa o ritmo cair. Se até o faxineiro de Black Mesa é uma máquina de matar, não me admira que a resistência contra o Combine tenha nascido ali...
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Azure Sheep
Acredite se quiser, mas este mod supera Blue Shift. A estrutura é a mesma: o jogador encarna o guarda Barney enquanto as forças de Xen e os militares americanos se enfrentam em Black Mesa. Mas o mod apresenta uma história superior, novas armas, novos inimigos e até mesmo novos NPCs. O resultado é profissional.
Ao contrário da expansão oficial, em Azure Sheep, Barney desenvolve uma personalidade, tem amigos (e até um interesse amoroso) e contracena com Gordon Freeman e Adrian Shephard.
Se nada disso o convencer a experimentar gratuitamente esse mod, assista o vídeo:
Curiosidade: "Azure Sheep" vem do italiano e significa o mesmo que "Blue Shift", em inglês. Traduzindo para o português seria algo como "Turno Azul".
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Point of View
Do mesmo criador de Azure Sheep, desta vez o jogador revive a história de Half-Life a partir do ponto de vista de um alienígena, um Vortigaunt chamado Xonxt. Isso significa uma nova série de armas e inimigos e uma completa inversão de perspectiva. O jogador terá a oportunidade de revisitar lugares e situações do jogo original, de Opposing Force e até do Azure Sheep.
Talvez pela falta de empatia com o personagem principal, sua história e seu desenvolvimento não são tão envolventes quanto as desventuras de Barney. Entretanto, o mod oferece um alternativa inusitada ao saturado mercado de adaptações.
O que vem a seguir? Half-Life do ponto de vista de... uma cadeira?
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Poke646
Talvez um dos mais profissionais mods para Half-Life que não foram assimilados pela Valve. Poke646 apresenta uma nova história, um novo cenário, novos inimigos e novas armas. No papel de um jovem cientista que trabalha na organização que dá nome ao mod, o jogador precisa repelir uma invasão de criaturas de outra dimensão à cidade de Nation City. Durante sua jornada, visitaremos cenários urbanos (novidade no universo de Half-Life até o segundo jogo), uma estação espacial e um pequeno asteróide em Xen.
Poke646 apresenta 1500 novas texturas, 8 armas completamente inéditas e mais de 30 minutos de trilha sonora (de qualidade) exclusiva. Seu único defeito: a curta duração. Felizmente, anos depois, a mesma equipe lançou a continuação, chamada de Poke646:Vendetta, mas eu ainda não tive a oportunidade de jogar.
Confira um dos papéis de parede oficiais abaixo (clique para ampliar):
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Conundrum
Conundrum é o termo em latim dado a um problema cuja solução é extremamente complicada. O nome não poderia ser apropriado para este mod focado na resolução de puzzles de todo tipo.
No papel de Gordon Freeman, após a derrota de Nihilanth, o jogador precisa resolver os ainda mais estranhos eventos que começaram a ocorrer em Black Mesa. Conundrum tem a peculiar atmosfera de um sonho grotesco do qual não se consegue escapar: situações e cenários que desafiam a racionalidade surgem repentinamente, remetendo a antigos mistérios egípcios e outras realidades. Algumas partes não fazem sentido mesmo, mas acredito que esta era a idéia.
Existe uma continuação para o mod, mas tem pouca (ou quase nenhuma) ligação em termos de história e o nível de dificuldade aumenta para próximo do impossível.
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USS Darkstar
Desta vez a história se passa a bordo de uma nave espacial, a USS Darkstar. Mais do que uma simples nave cruzando o universo, a USS Darkstar é uma espécie de zoológico galáctico, reunindo espécies alienígenas de diversos planetas. Como um dos membros pesquisadores da tripulação, você terá que superar um terrível problema que provoca, naturalmente, a libertação das feras nos corredores da nave.
Apesar do tema mais ou menos clichê, USS Darkstar traz uma ambientação diferente para o jogador já cansado dos mesmos laboratórios de Black Mesa de sempre. Neil Manke, seu criador, tem uma excelente reputação na comunidade modder e faz por merecer. Os níveis da espaçonave são cuidadosamente planejados e a ação intercalada com puzzles cria uma atmosfera de constante tensão. Fãs da série Aliens não ficarão decepcionados.
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The Xeno Project
Este mod estende a história do primeiro Half-Life. Tendo derrotado Nihilanth e aceitado o "contrato de trabalho" do misterioso G-Man, Gordon Freeman deve participar do projeto de modificar a paisagem de Xen para algo mais próximo da terra. A dimensão paralela agora conta com ampla presença humana, gravidade normal e atmosfera respirável. Tudo seria maravilhoso se os militares da Terra não decidissem tomar o projeto pela força. O jogador, na pele de Freeman mais uma vez, deve encontrar uma saída desta dimensão enquanto tudo mais desaba ao seu redor.
A simples visão de Xen "colonizada" já valeria o download, mas seus criadores capricharam também nas sequências de luta contra os militares. A adrenalina corre solta neste mod, ao longo de seus 15(!) níveis.
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Todesangst
O nome deste mod significa "medo da morte", traduzindo literalmente do alemão, mas o termo é comumente usado para denominar "terror" ou "pânico". Quem espera por um mod de horror, no entanto, irá se decepcionar. Todesangst tem o clima de um filme de espionagem, onde a maioria dos oponentes são militares ou terroristas, com raras aparições de alienígenas e absolutamente nenhum puzzle que quebre a atmosfera.
A história se passa após os eventos de Half-Life, quando Gordon Freeman descobre o verdadeiro responsável pela tentativa de invasão das forças de Xen: o doutor Jack Newell, chefe do setor de Pesquisa e Desenvolvimento de Black Mesa e dublê de vilão típico de James Bond. Descobrimos logo de início que o próprio G-Man é somente um lacaio deste sinistro rival de Freeman, que pretende usar as criaturas da outra dimensão para... DOMINAR O MUNDO! Ao contrário do jogo original, Todesangst faz amplo uso de sequências criadas por script, cutscenes e outros artifícios para construir um jogo calcado em trilhos bem rígidos.
A continuação é bastante inferior e pouco acrescenta ao que já foi visto antes.
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They Hunger
Agora sim. Se você está procurando por mods de horror, então a série They Hunger foi feita para você. Nada de Gordon Freeman desta vez ou Vortiguants, fuzileiros, assassinos e monstros de Xen. O prato principal deste mod são os mortos, que levantaram de seu descanso eterno para perseguir e devorar os vivos. No meio deste apocalipse de mortos-vivos, o jogador deve buscar um caminho para sobreviver e entender o mistério.
They Hunger é a obra-prima de Neil Manke, o mesmo modder responsável pelo USS Darkstar acima. Com grande vergonha no coração, eu admito que não joguei este mod até o fim. Com uma vergonha maior ainda, confesso que não fui muito além do começo do primeiro episódio de uma série com três partes. Motivo: nervosismo. Há algo na atmosfera de They Hunger e seus zumbis que ativou todas as sensações de desconforto possíveis em mim. Talvez seja a aparente fragilidade do personagem principal, a munição escarsa, a atmosfera gótica, a interminável quantidade de criaturas... de qualquer forma, esse mod é diferente de tudo que eu havia jogado até então, um jogo onde o importante não é exatamente eliminar todas as ameaças na tela, mas escapar, correr, achar uma saída para uma situação que não tem solução fácil.
Um dia, quem sabe, eu respiro fundo e triunfo sobre meus medos. Afinal, quem passa por Ravenholm, passa por qualquer coisa.
Download (67.0MB) | Site Oficial
Ouvindo: Code 64 - Carry me home
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